Jogos históricos, memória de infância e craques: 80 anos do Pacaembu sob os olhos de Oscar Ulisses

Rodrigo Portella*
LANCE!


“Gostoso, vivo e aconchegante”. São estes alguns dos elogios do narrador Oscar Ulisses, da “Rádio Globo” ao lembrar de um “vovô” do futebol brasileiro que completa 80 anos nesta segunda-feira. O Estádio do Pacaembu está gravado na memória dos torcedores e também está presente na vida dele, que é a voz das emoções nos jogos.

- Tenho a lembrança pelo rádio na minha infância, sem ver o estádio. Eu morava no interior de São Paulo e foi pela “Rádio Tupi”, “Rádio Bandeirantes” e “Rádio Nacional” com os locutores antigos, que contavam sobre os jogos, sobre o Pacaembu, que eu criei uma ideia. Eles contavam muitos detalhes e eu construí uma imagem do Pacaembu. Sem vê-lo, já carregava ele comigo.

Inaugurado em 1940 e reconhecido como o estádio mais moderno daquela época em toda a América do Sul, o gigante com seu estilo rústico e peculiar com as conchas acústicas hoje recebe um hospital emergencial por conta da pandemia de coronavírus, mais um importante momento naquele rico gramado.



O hospital de campanha montado no Pacaembu (Sergio Andrade / Governo do Estado de São Paulo)
O hospital de campanha montado no Pacaembu (Sergio Andrade / Governo do Estado de São Paulo)
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O hospital de campanha montado no Pacaembu em 2020 (Sergio Andrade / Governo do Estado de São Paulo)

Contudo, com a bola rolando, Oscar Ulisses, que é um dos grandes nomes do radialismo em jogos paulistas, ele lembrou que viu craques como Ademir da Guia e Marcos, pelo Palmeiras, e Ronaldo, pelo Corinthians, por exemplo, no Pacaembu.

Além destes, ele fica contente por ter acompanhado ídolos da Seleção Brasileira atuando por seus clubes no “Paca” e ainda recordou um drible de Romário no ex-volante Amaral, do Corinthians, em partida pelo Flamengo, em 1999. Porém, quando o assunto é decisão, Oscar Ulisses guarda algumas na memória.

- Muitos jogos me marcaram. Esses de mata-mata marcam mais, como o Santos contra o Peñarol (em 2011) e Corinthians contra o Boca Juniors (em 2012), foram jogos marcantes pela dramaticidade, tensão do jogo em finais de Libertadores. Ficaram fortes na minha cabeça. Além desses, seria muitos outros para citar. Como estes são finais com tensão pulsando, foi marcante.

A primeira partida no estádio, que tinha a capacidade de 70 mil pessoas logo em sua abertura, recebeu cerca de 50 mil pessoas, segunda dados da época. A vitória do Palmeiras, então Palestra Itália, contra o Coritiba, em uma goleada de 6 a 2, aconteceu no dia 27 de abril de 1940. O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho recebeu elogios de Ulisses.





Pacaembu - Palmeiras x Cruzeiro
Pacaembu - Palmeiras x Cruzeiro

Torcedores vão se acomodando antes de uma partida no Pacaembu (Thiago Ferri/ L!)

- É um estádio aconchegante, o local é ótimo por ser em uma região central de São Paulo. Ele também tem uma história, é gostoso de frequentar. Toda a vez que vou fico alegre. Ele acolhe bem, tem uma vida. A vista é boa para o gramado, uma visão privilegiada. É um estádio charmoso.

Aos 62 anos, o locutor esportivo da maior emissora de rádio de São Paulo já usou seu bordão “pro gooool” diversas vezes no local. Nestes 80 anos, Ulisses contou quais lances de bola na rede ele se recorda.

- Algumas narrações são especiais como um gol do Adriano pelo Corinthians contra o Atlético Mineiro (em 2011), teve um gol do Neto, pelo Corinthians também, contra o Galo, teve os gols do Ronaldo, muitos deles. O São Paulo jogava menos lá, mas teve. Me lembro do gol do Neymar pela Libertadores, depois de um linda jogada de Arouca e Ganso, com a finalização de Neymar (em 2011).

Para a data comemorativa, o LANCE! convocou uma série de craques responsáveis por dar voz às emoções ali vividas. Milton Leite, Gustavo Villani, da “Globo”, Silvio Luiz, da "RedeTV!", André Henning, do “Esporte Interativo”, Penidão, da “Rádio Globo RJ”, e Oscar Ulisses, da “Rádio Globo SP”, foram os eleitos para contarem os mistérios do charmoso estádio e comentarem seus momentos marcante no Pacaembu.

*sob supervisão de Tadeu Rocha








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