Jogadores do Santos de 2003 ainda lamentam chances perdidas e querem vingança contra o Boca

Colaboradores Yahoo Esportes
·4 minuto de leitura
Carlos Tevez (L) of Argentina Boca Juniors of Argentina battles for the ball several players the of the Santos of Brazil, 02 July, 2003, during the first half of their Libertadores Cup final game at the Morumbi Stadium in Sao Paulo, Brazil. AFP PHOTO/MAURICIO LIMA  (Photo credit should read MAURICIO LIMA/AFP via Getty Images)
Santos perdeu a Libertadores de 2003 para o Boca Juniors, no Morumbi (MAURICIO LIMA/AFP via Getty Images)

Quando vê o Boca Juniors na televisão ou lê algo sobre o clube argentino, a primeira lembrança que vem à cabeça de Paulo Almeida é a de 2 de julho de 2003. Foi a noite em que o volante, então com 22 anos, viu escapar por entre os dedos a chance de levantar a taça de campeão da Libertadores.

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"Eu voltei de São Paulo para Santos chorando. Não parei por todo o caminho. Foi uma decepção enorme, a maior da minha carreira", afirma o cabeça de área que sete meses antes havia sido uma das principais peças do Santos campeão brasileiro de 2002, encerrando um jejum de 18 anos sem conquistas de expressão.

O time alvinegro havia entrado em campo naquela noite precisando vencer por dois gols de diferença para levar a definição da Libertadores para os pênaltis. Para ser campeão nos 90 minutos, necessitava da diferença de três. Os argentinos ganharam por 3 a 1.

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"Por isso vou torcer muito para o Santos vencer nesta quarta-feira. Não apagaria a nossa tristeza, mas não deixaria de ser uma espécie de revanche", completa Almeida, hoje com 39 anos.

Ele se refere á partida de volta da semifinal da Libertadores de 2020. Depois de empatar em 0 a 0 em La Bombonera, o Santos precisa vencer por qualquer placar na Vila Belmiro para ficar com a vaga na decisão.

Paulo Almeida não é o único. Outros jogadores que estiveram em campo em 2003 concordam que agora é uma oportunidade de vingança.

"Nosso time era melhor que o do Boca em 2003. Eu acredito muito nesses garotos do Santos agora. Eles têm totais condições de ir à final", concorda Elano, outro titular absoluto daquele elenco de 2003 e campeão de 2002.

O consenso entre os ex-santistas ouvidos pelo Yahoo Esportes é que o problema maior para o Santos ter perdido aquele título para o Boca em 2003 foi a partida em La Bombonera.

"Nós jogamos muito mais do que eles em Buenos Aires, criamos chances. Deveríamos ter vencido, nem sequer empatado. Mas futebol é assim. Tomamos dois gols muito bobos e perdemos", relembra o lateral esquerdo Léo.

Foi realmente um momento decisivo. Primeiro por causa da derrota por 2 a 0, construída com um chute de fora da área em que Fabio Costa escorregou ao saltar para tentar a defesa e com falha de Alex em uma falta que parecia não ter perigo algum e enganou o goleiro brasileiro. Os dois foram marcados pelo atacante Marcelo Delgado.

Além de não conseguir converter as chances, o Santos teve o único lateral direito do elenco, Reginaldo Araújo, expulso.

"Os problemas começaram, na verdade, quando eu me machuquei em Medellín. Fiz de tudo para jogar no Morumbi, mas não consegui", completa Elano, citando o jogo da semifinal diante do Independiente Medellín, da Colômbia, quando sofreu lesão no tornozelo.

Em circunstâncias normais, o meia seria titular na vaga que foi ocupada por Fabiano. No Morumbi, poderia ocupar a posição de Reginaldo Araújo. Sem Elano, o técnico Emerson Leão improvisou Wellington na ala. Este saiu ainda no primeiro tempo no Morumbi para dar lugar ao meia-atacante Nenê, hoje no Fluminense.

Mesmo assim, os integrantes daquele Santos de 2003 que enfrentaram o Boca Juniors, relembram de uma jogada que poderia ter mudado tudo no estádio paulistano.

"Logo nos primeiros minutos houve uma cabeçada do Alex que o zagueiro deles tirou em cima da linha. Se a gente abre o placar ali, logo no início, seria outro jogo. Naquela final, a sorte não esteve do nosso lado", constata o volante Renato.

Em vez de sair na frente, o Santos ficou atrás logo depois, quando Carlos Tevez anotou o primeiro do Boca. O atacante estará em campo nesta quarta na Vila Belmiro. Alex chegou a empatar com um chute de fora da área, mas os argentinos fizeram mais dois, com Marcelo Delgado e o zagueiro Schiavi, de pênalti.

"Até hoje eu acho que foi uma oportunidade perdida. O Santos tinha time para ganhar aquela Libertadores. Éramos a melhor equipe de 2003 na América do Sul e se nos classificássemos para Mundial daquele ano, teríamos chances reais contra o Milan", analisa o atacante reserva William.

O Boca Juniors foi campeão mundial de 2003 ao empatar com o Milan em 1 a 1 e vencer nos pênaltis. Um torneio que o Santos pode voltar em 2021, desde que passe pelos argentinos na Vila Belmiro e depois conquiste o título no próximo dia 30, no Maracanã.

"Por que não? Ninguém acreditava em nós em 2002, diziam que seríamos rebaixados e acabamos campeões brasileiros. Eu acredito neste Santos do Cuca e se ganharmos do Boca Juniors na Vila, será uma vingança. A partir daí serão mais 90 minutos para ganhar a Libertadores", finaliza Léo.

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