Jogadores do Irã evitam cantar hino nacional em apoio a protestos contra o governo

Jogadores do Irã não cantaram o hino nacional em apoio aos protestos que estão sacudindo o país desde setembro (Photo by Sebastian Frej/MB Media/Getty Images)
Jogadores do Irã não cantaram o hino nacional em apoio aos protestos que estão sacudindo o país desde setembro (Photo by Sebastian Frej/MB Media/Getty Images)

Antes da bola rolar para Inglaterra e Irã, na abertura do Grupo B da Copa do Mundo, os jogadores do Irã protagonizaram uma cena histórica: não cantaram o hino do país. Nas arquibancadas, os torcedores e torcedoras iranianas vaiaram o hino durante a execução. Esse é apenas mais um capítulo da crise política que assola do país e tem reverberado no futebol.

Desde setembro o Irã está sendo sacudido por uma série de protestos de rua, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana de 22 anos detida por violar o restrito código de vestimenta que obriga as mulheres a usarem o véu islâmico em público.

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Desde então, protestos têm sacudido o país e estão sendo violentamente reprimidos pelo governo. Segundo organismos internacionais, mais de 330 pessoas morreram e 14 mil pessoas presas em virtude das manifestações.

Todo esse contexto chegou ao esporte. Antes do início da Copa, diversos atletas e equipes iranianas protestaram contra o governo e em apoio aos protestos. Jogadores de futsal comemoraram um gol em homenagem a Khodayar Lojei. Uma foto do manifestante amarrado em um poste, com um copo de água próximo, viralizou e se tornou uma das imagens do momento histórico que vive o Irã. Os jogadores comemoraram repetindo a imagem.

Todo esse contexto chegou ao Catar. Antes da estreia da seleção, o zagueiro Ehsan Hajsafi concedeu entrevista coletiva e defendeu os protestos que estão ocorrendo no país.

"Eles devem saber que estamos com eles. E nós os apoiamos. E simpatizamos com eles em relação às condições. Temos que aceitar que as condições em nosso país não são adequadas e nosso povo não está feliz. Estamos aqui, mas isso não significa que não devemos ser a voz deles ou não devemos respeitá-los", disse o defensor.

A tendência é que os jogos do Irã no mundial sejam usados cada vez mais como forma de mostrar ao mundo os problemas vividos no país.