Jogadores da Seleção se dizem "contra a organização da Copa América" mas vão jogar o torneio

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Lucas Paquetá (esq.) e Neymar foram os autores dos gols da vitória do Brasil sobre o Paraguai em Assunção em 8 de junho de 2021 pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar-2022

Os jogadores da Seleção Brasileira se manifestaram, nesta terça-feira, contra a organização da Copa América-2021 no Brasil, duramente atingido pela pandemia, embora tenham garantido que disputarão o torneio que deve começar no domingo.

"Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira", afirmaram em um manifesto divulgado após a vitória de 2 a 0 sobre o Paraguai, em Assunção, pela oitava rodada das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo do Catar-2022.

O elenco da Seleção se opôs à forma como a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) administrou a Copa América 2021 após as retiradas da Argentina e da Colômbia, sedes originais de um torneio que deveria ter sido disputado no ano passado, mas acabou sendo adiado devido à pandemia de covid-19.

"Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil", acrescentaram, em referência a quando o Chile era citado como provável substituto dos argentinos e colombianos.

"Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização", diz o manifesto.

A declaração dos jogadores da seleção brasileira fecha uma semana tensa fora de campo.

A escolha do Brasil como sede há uma semana provocou uma enxurrada de críticas internas e externas devido à grave situação sanitária no Brasil, segundo país com mais mortes (mais de 474 mil), número superado apenas pelos Estados Unidos.

A imprensa noticiou que os jogadores, apoiados pela comissão técnica, haviam manifestado ao presidente da CBF, Rogério Caboclo, responsável pela logística, seu desconforto por terem sabido da designação do Brasil através da mídia.

Segundo os jornais os atletas teriam pensado em não participar da competição e teriam até entrado em contato com os líderes de outras seleções para chegar a um consenso.

Caboclo teria ficado irritado com os jogadores e com o técnico Tite, por apoiar o elenco, o que gerou uma crise na Seleção, que acabou sendo apaziguada no domingo por ordem do Comitê de Ética da CBF para que o presidente se retirasse temporariamente do cargo após denúncia de uma funcionária da entidade que se disse vítima de assédio sexual e moral.

"Não sou hipócrita, não sou alienado e sei que as coisas acontecem. Minha prioridade é meu trabalho e a dignidade do meu trabalho", afirmou o técnico em coletiva de imprensa.

Os jogadores também se afastaram de qualquer "discussão política" sobre a realização da Copa América, atendendo a pedidos do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, para que evitassem um boicote e do senador oposicionista Renan Calheiros para que não disputassem o que chama de "campeonato da morte "

O futuro da tumultuada Copa América no Brasil será definido nesta quinta-feira, quando o Supremo Tribunal Federal decidir duas ações judiciais contra a realização do torneio de seleções mais antigo do mundo.

raa/aam

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