Jogador mais baixo da liga russa tem 1,65m e nasceu no Brasil

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Joãozinho em ação pelo Krasnodar, seu antigo clube (Dmitry Serebryakov\TASS via Getty Images)
Joãozinho em ação pelo Krasnodar, seu antigo clube (Dmitry Serebryakov\TASS via Getty Images)

De Moscou

Dos 397 jogadores inscritos para a disputa da temporada 2018/19 do Campeonato Russo ninguém é tão baixo quanto um brasileiro.

Trata-se de Joãozinho, atacante sergipano de 29 anos de idade que mede apenas 1,65m.

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Mas a baixa estatura não é um problema para o jogador, que é muito respeitado no futebol russo e acertou recentemente a sua chegada ao tradicional Dínamo de Moscou após sete temporadas defendendo o Krasnodar, clube pelo qual atuou em 217 partidas, tendo feito 39 gols e dado 60 assistências.

“A minha altura e composição física não são um problema. Sou um jogador de muita velocidade e técnica, e quando tem espaço é legal para mim. Claro que isso nem sempre acontece pois o jogo é muito brigado e de força. Mas é algo que já estou acostumado. Antes de chegar à Rússia passei três temporadas na Bulgária [defendendo o Levski Sofia] e lá o estilo é muito parecido ao daqui”, afirmou em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes em Moscou.

Em que pese a pouca altura, Joãozinho não foge das jogadas mais duras nem de disputas aéreas.

Tanto que em jogo contra o Rubin Kazan, pela segunda rodada do campeonato local, quase anotou um gol de cabeça. Foi parado somente pelo travessão.

Humilde e de fala mansa, Joãozinho vive uma nova rotina e ainda vai tentando se adaptar a ela. Deixou a pacata cidade de Krasnodar, de 750 mil moradores, para viver em Moscou, uma megalópole de mais de 12 milhões de habitantes.

“Está sendo uma experiência legal. Ainda estou morando no CT do clube enquanto não acho uma casa ou apartamento. Moscou é uma cidade muito grande e inda conheço pouca coisa. Não tive tempo para sair ainda, pois estou treinando direto e também tenho diversas questões particulares a serem resolvidas desta mudança”, disse o atacante.

Em breve na capital russa, ele terá a companhia da esposa russa Valeria, com quem é casado há um ano, e o filho David Lucas, de apenas seis meses.

Joãozinho pode chamar a Rússia literalmente de casa. Não apenas por já estar há sete ano no país, mas também por ter passaporte russo. Sua naturalização saiu em 2016 após movimentação da diretoria do Krasnodar.

“Foi uma sugestão do clube para eu poder jogar russo e não ocupar uma vaga de estrangeiro. Eu disse que tinha interesse e eles fizeram todos os trâmites e cuidaram do processo”, contou.

Porém, diferentemente do goleiro Guilherme Marinato e do lateral-direito Mário Fernandes – um dos destaques da última Copa do Mundo -, Joãozinho nunca foi chamado para a seleção russa. Nem mesmo para um amistoso.

“Sendo sincero, não tirei o passaporte pensando em seleção. Mas claro que se surgisse uma oportunidade eu iria”, disse o jogador.

Joãzinho fala bem o idioma russo, mas conta que não gosta de dar entrevistas na língua. Tanto que após os jogos do Campeonato Russo, praticamente nunca fala com a imprensa local.

Do Brasil, não tem muitas saudades, nem mesmo da comida e de pratos como o arroz e feijão. “Em casa é música russa e até comida. Comida brasileira só quando estou no Brasil mesmo”.

Muito feliz na Rússia, Joãozinho não tem planos de voltar a atuar no futebol brasileiro. Tem contrato de uma temporada com o Dínamo, mas tem pretensões e seguir por muito mais tempo no clube e no país.

“A Rússia é muito boa. Tem uma ótima segurança e te dá uma grande estabilidade para tocar a sua vida. Não tenho do que reclamar. O Brasil também é um país bom, mas está em decadência política, de segurança. Tem muita criminalidade”, opina.

Joãozinho também se diz triste pela situação vivida pelo time que o revelou e o projetou para o futebol: a Portuguesa. Foi no clube da capital paulista que iniciou sua carreira nas categorias de base aos 15 anos de idade e disputou suas primeiras competições como profissional, nos anos de 2006 e 2007.

“Foi uma época boa, quando subimos para a primeira divisão do Campeonato Paulista e do Brasileiro. Então ver hoje a situação do clube me deixa muito triste, pois foi quem me deu tudo. Está em uma decadência muito grande, quase acabado. Muitos dirigentes que passaram por lá não deixaram nada de bom”, desabafou Joãozinho.

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