Filho de Hortência, João Victor quer melhor resultado de todos os tempos no adestramento

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2016 Rio Olympics - Equestrian - Preliminary - Dressage Team Grand Prix Day 2 - Deodoro Olympic Equestrian Centre - Rio de Janeiro, Brazil - 11/08/2016. Joao Victor Marcari Oliva (BRA) of Brazil riding Xama Dos Pinhais competes. REUTERS/Tony Gentile  FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS.  
Picture Supplied by Action Images
João Victor nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro (REUTERS/Tony Gentile)

Na segunda participação em uma Olimpíada, nas disputas do hipismo no Japão, o cavaleiro paulistano João Victor Marcari Oliva, de 25 anos, filho da rainha Hortência [campeã mundial de basquete e medalha de prata olímpica] e do empresário José Victor Oliva, diz buscar “o melhor resultado de todos os tempos” na categoria adestramento.

Ele formará em Tóquio o conjunto com a montaria do garanhão puro sangue lusitano Escorial. Trata-se de um cavalo de 12 anos adquirido ano passado pelo grupo de investimentos JRME – Horse Campline (empresa focada em esportes equestres de alto rendimento). Thiago Mantovani, da Horse Campline, em Portugal, é dono de Escorial e também dá suporte a outro atleta de projeto olímpico: o português Rodrigo Torres, que monta Fogoso.

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Nos Jogos de 2016, realizados no Rio de Janeiro, Oliva montou Xamã dos Pinhais, parceiro equino lusitano com quem obteve a 46ª posição e média 68,071%. O objetivo de João, que integra os programas do governo como terceiro sargento do Exército, e também da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), é a superação da 33ª posição individual nos Jogos de Munique, em 1972.

A marca foi conquistada pelo coronel PM Sylvio Marcondes de Rezende montando o cavalo Othelo [primeiro competidor a defender o país no adestramento]. Além deste objetivo, a entidade nacional já mira resultados promissores levando o desempenho aos Jogos Equestres Mundiais, em 2022, na Dinamarca.

No entanto, até concluir o processo de ter o nome anunciado, João Victor e Escorial vieram de um detalhado processo de classificação da FEI (Federação Equestre Internacional). Ele conseguiu o melhor desempenho e média de 70,565%. Seu reserva, o paulista Pedro Tavares de Almeida, com suas montarias Famous de Vouga e Xaparo de Vouga chegaram com 68,598% e 66,108%, respectivamente.

O caminho para escolha do selecionado partiu, inicialmente, da qualificação com medalhas por equipes nos jogos Pan-Americanos de 2019 de Lima (Peru). Feito que habilitaria o Brasil a participar do torneio de seleções no adestramento.

Para ir à frente, três conjuntos brasileiros teriam de atingir médias superiores a 66%, exigências de qualificação olímpica – MER (minimum eligibility requirements - sigla em inglês), em torneios de Grand Prix (Grande Prêmio). Além disso, necessitaria de apresentação particular a um juiz FEI5, licença maior da federação internacional.

Doze conjuntos brasileiros tentaram o índice sem êxito. Por este motivo, o Brasil só poderia então levar um representante para Tóquio. Posteriormente, três conjuntos se qualificaram conforme os critérios, mas coube a Oliva o sucesso pela melhor média. Vivendo na Europa, o atleta se preparou cumprindo quarentena obrigatória em Achen, na Alemanha. Depois, desembarca em Tóquio à espera das provas entre os dias 24 e 25 de julho no Equestrian Park. Nesta edição dos Jogos, em relação ao Rio de Janeiro, o número de nações sobe de 25 a 30 países.

Início

Com apenas três anos, João Victor já montava a cavalos no sítio da família, em Araçoiaba da Serra (cidade a 130 km da capital paulista). Valorizado pela criação destes animais, o local se tornou haras e na sequência negócio paterno. Já o herdeiro, nove anos mais tarde, foi inspirado por um funcionário da fazenda, Rogério Silva Clementino, primeiro afrodescendente a defender uma equipe de hipismo, e seguiu na modalidade. O destaque precoce o levou a uma medalha de bronze com a equipe de adestramento em 2015, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto (Canadá) e outra, viria mais tarde, em Lima (Peru), em 2019. Além destas, várias conquistas fazem parte de sua trajetória.

O lado esportista e a forte disciplina para competir veio no sangue ou DNA da mãe, a ex-jogadora de basquete e armadora da seleção brasileira. Atleta sensacional, que entre feitos e sucesso, integra o Hall da Fama da modalidade nos Estados Unidos.

Após saber da convocação do filho, Hortência aconselhou João a curtir bastante o momento. Meu sentimento é de orgulho por ver ele [João] no caminho certo e participar de sua segunda Olimpíada”, disse.

Já o amor pelos animais, Oliva foi influenciado pelo pai. José Victor sugeriu ao filho aproveitar a oportunidade de estar nos Jogos como algo para ‘poucos’. Além de competir, o atleta trabalha se dedicando aos cavalos e outras atividades na Horsecampline.

Onde vive em solo português, tem a agradável companhia de Tião, o cão da raça American Bully. Animal que o entusiasma diariamente, além de ser pet de estimação do mesmo dono de Escorial. Neste universo, o atleta pôde conhecer ainda Marta Fernandes, uma amazona portuguesa, que com certeza fisgou o coração do rapaz. Entre preparação, trabalho e mil atividades, Oliva atendeu o Yahoo Brasil.

Yahoo Brasil - Você vive fora do país há alguns anos. Como é?

João Victor Oliva – Trabalho na Horsecampline em Portugal, país que moro. Vivo do esporte sim, mas além de montar, negocio animais, cuido de criações, embriões, acompanho processo de inseminação.

Como é a experiência que você vai ter na segunda Olimpíada?

Vou mais preparado. Ganhei experiência nas competições, seja com resultados bons ou ruins. Por ser o único representante no adestramento, o trabalho individual em parceria com meu cavalo tem de ser ainda melhor. E tenho bastante orgulho de estar nos jogos pelo meu país.

Quem são os favoritos nos Jogos de Tóquio?

Os mais fortes e favoritos às medalhas, sejam nas disputas individuais ou por equipe no adestramento, indiscutivelmente são os alemães.

Você tem ídolos ou inspirações na vida?

Claro que o maior ídolo sem dúvida no esporte é minha mãe. Mas posso citar destaques no hipismo como Carl Hester (um dos mais famosos cavaleiros e adestradores britânicos, medalha de ouro por equipes em 2012 da Inglaterra no adestramento). Além dele, o brasileiro Rodrigo Pessoa (que disputará a sétima olimpíada na modalidade saltos)

Praticar o hipismo demanda ter muitos recursos financeiros?

Pode ser considerado esporte caro sim. Mas há gastos para se manter um animal, especialmente por envolver competição de alto rendimento. O cavalo precisa estar acompanhado de veterinário. A alimentação dele, suplementação. O local onde dorme, feno, locais para treinamento, piso. E ainda o material. Sem esquecer a preparação do atleta.

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