João do Pulo faria 67 anos nesta sexta-feira

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O dia 28 de maio é uma data especial para o atletismo brasileiro e mundial. Em 1954, nascia, em Pindamonhangaba (SP), João Carlos de Oliveira, o João do Pulo. O ex-recordista mundial e dono de duas medalhas olímpicas no salto triplo, ele faria hoje 67 anos. No dia seguinte de seu 45º aniversário, em 1999, ele morreu de cirrose hepática, em São Paulo.

João do Pulo foi dono de inúmeras conquistas no atletismo. As maiores foram as duas medalhas de bronze olímpicas obtidas nos Jogos de Montreal-1976, no Canadá, e de Moscou-1980, na então União Soviética. Em Montreal ainda teve a alegria de ser o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura das Olimpíadas.

Entrou na pista como o recordista mundial do triplo, com 17,89m, marca quebrada nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México-1975. O bronze no Canadá foi obtido com 16,90m, um dia depois de ter sido quarto colocado no salto em distância, com 8,00m.

A medalha em Moscou causou polêmica. Três dos seis saltos acabaram anulados. Um deles, de mais de 18,00m, lhe daria o recorde mundial e a medalha de ouro. Até hoje especialistas discutem se os árbitros da competição agiram em favor dos atletas locais.

O título acabou com o soviético Jaak Udmae, da Letônia, com 17,35m. Outro soviético, considerado um dos melhores triplistas do século 20, Viktor Saneyev, da Geórgia, ficou com a prata, com 17,24m – dois centímetros a mais do que o registrado oficialmente pelo paulista de Pindamonhangaba.

O recorde mundial de 17,89m foi estabelecido nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, em 15 de outubro de 1975. A marca resiste até hoje como recorde pan-americano.

João do Pulo manteve-se como recordista mundial até junho de 1985, quando o americano Willie Banks saltou 17,97m, em Indianápolis (desde 1995, a melhor marca do mundo pertence ao britânico Jonathan Edwards, com 18,29 m). O recorde sul-americano de João do Pulo durou até 2007, quando Jadel Gregório obteve 17,90m, no GP Brasil, em Belém.

Além do triplo, João Carlos foi muito bom também no salto em distância e nos 100m. Na distância, além de finalista olímpico nos Jogos de Montreal-1976 foi recordista sul-americano com 8,36m, em Rieti, na Itália, em 1979.

Em 1981, conquistou o tricampeonato do salto triplo na Copa do Mundo de Atletismo, em Roma, na Itália. Antes havia sido campeão em Dusseldorf-1977, na Alemanha, e em Montreal-1979, no Canadá.

Nos anos de 1980, João do Pulo foi eleito um dos dez melhores triplistas do século XX. Ficou em 4º lugar da lista, com os também brasileiros Adhemar Ferreira da Silva (3º) e Nelson Prudêncio (8º). Seu desempenho no México foi eleito um dos 100 mais bonitos do mundo no Jubileu de Diamante da World Athletics (ex-IAAF), em 1987.

Em dezembro de 1981, foi vítima de uma tragédia. Ele sofreu um acidente de carro na Via Anhanguera, em São Paulo, e, como consequência, teve a perna direita amputada. Essa fatalidade o fez encerrar uma brilhante carreira, aos 27 anos.

Depois do acidente de carro, João do Pulo ficou quase um ano hospitalizado, passando por 22 cirurgias. Com a prótese, o grande campeão estudou Educação Física e abraçou a política. Foi eleito deputado estadual por São Paulo em 1986 e 1990.

João Carlos de Oliveira gostava de futebol, jogou vôlei e basquete e iniciou no atletismo aos 17 anos, em 1971, a conselho do professor de Educação Física José Roberto Vasconcelos, em Cruzeiro (SP). Nelson Pereira e Pedro Henrique Camargo de Toledo, o Pedrão, foram seus técnicos. Competiu pelo São Paulo, Pinheiros e AA Guaru. João do Pulo foi sargento reformado do Exército.

João do Pulo faz parte do Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), iniciativa que pretende eternizar os grandes nomes do esporte nacional.