• Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Janeth relembra final contra os EUA em 96: "Queriam nos pegar pelo pescoço"

·3 minuto de leitura
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Se em 1992 a seleção brasileira de basquete ficou em penúltima nas Olimpíadas de Barcelona, a situação para os Jogos de Atlanta em 1996 era bem diferente. A equipe foi campeã mundial em 1994 e chegava com uma das favoritas a medalha no torneio. Mas o caminho para o ouro tinha uma missão muito complicada: enfrentar as donas da casa dos Estados Unidos, extremamente mordidas pela derrota na semifinal do Mundial.

Antes de falar da final em si, é necessário citar as mudanças em relação aos Jogos de Barcelona, quando a seleção teve problemas com excesso de comida e deslumbramento de participar do maior evento esportivo do mundo pela primeira vez.

Leia também:

"Nós tínhamos que ficar muito mais ligadas, muito mais concentradas no que nós queríamos e isso acabou acontecendo", lembra Janeth Arcain em entrevista ao Yahoo Brasil. "Todas as atletas ficaram juntas, na hora de concentrar todo mundo ia se concentrar, descansar. Na hora de comer ia todo mundo junto, no mesmo horário. Então a gente realmente mudou o pensamento. Por causa de 94, a gente sabia o caminho a traçar."

A seleção terminou a primeira fase invicta, com cinco vitórias em cinco jogos: 69x56 contra o Canadá, 82x68 contra a Rússia, 100x80 para cima das japonesas, 98x23 contra a China e um triunfo por 75x73 contra a Itália. 

Na fase final, duas vitórias tranquilas: 101x69 em Cuba e 81x60 contra a Ucrânia na semifinal. Tudo isso para marcar um reencontro contra as norte-americanas, com o Georgia Dome - antigo estádio de futebol americano de Atlanta - lotado.

"A gente sabia que elas iam pegar a gente pelo pescoço e que não iam deixar nada escapar, aquela vitória escapar da mão delas justamente porque estavam dentro de casa", conta Janeth. "Aí nós descobrimos que elas se prepararam muito pra isso porque haviam perdido o Mundial em 94, na Austrália. Elas até estudaram todas as jogadoras nossas e sabiam todos os nossos movimentos, tudo o que a gente tava fazendo, o que iria fazer."

"Eu não vou mentir pra você, eu acho que um dos pensamentos nosso ali que eu me lembre, que a gente até chegou a comentar a gente falou assim 'Olha, o mínimo pelo menos nós já temos que é a medalha de prata, mas vamos buscar essa medalha de ouro'", lembra a armadora que foi introduzida ao Hall da Fama do Basquete.

A seleção brasileira conseguiu fazer um jogo firme contra as norte-americanas, mas a partir do terceiro quarto, o gás começou a acabar e os EUA abriram uma vantagem que deixou o placar mais elástico do que o jogo indica: 111 a 87.

Sem titubear, Janeth lembra da medalha de prata de 1996 como o momento que mais a marcou durante suas participações nos Jogos Olímpicos.

O tanto que eu chorei quando eu subi ao pódio e eu não sabia se era de alegria ou de tristeza. Tristeza por não ter vencido e estar com uma medalha de ouro, mas também alegria por estar com uma medalha de prata. Então aquilo ali foi uma sensação muito confusa pra mim, foi um momento muito difícil de explicar.

Em 2000, a geração de Hortência e Paula já não estava mais com a seleção, mas Janeth e companhia conquistaram uma honrosa medalha de bronze após serem derrotadas pela Austrália, a dona da casa, na semifinal.

Já em 2004, a armadora não conseguiu fechar sua carreira olímpica com mais uma medalha. No entanto, ela entrou nos livros de recordes ao se tornar a jogadora com mais pontos na história dos Jogos, com 535. A marca só foi quebrada em 2012 pela australiana Lauren Jackson. 

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos