James Rodríguez precisa sair para um lugar que lhe trate como um destaque

Foto: AP/Alvaro Barrientos

Parece óbvio dizer o que falta na carreira de James Rodríguez. Enquanto o capitão e camisa 10 da seleção colombiana está desprestigiado no Real Madrid, outros clubes desejam contar com ele para as próximas temporadas. O Bayern de Munique está entre os pretendentes do meia, de acordo com Carlo Ancelotti.

É mais óbvio ainda dizer que James não é nem metade do jogador que se esperava desde a sua chegada ao Real, em 2014. Mas alguns motivos ajudam a explicar este fiasco. Primeiro pelo alto valor envolvido na transação, o que trouxe muita pressão para a sua carreira. Depois, por não ter tantos minutos como titular como se esperava. Isso tem também a responsabilidade do próprio James, que foi ou disperso ou abaixo de sua própria média.

O que tornou a coisa mais bizarra é que pela Seleção, ele continuava incrivelmente decisivo e fundamental para o time. Talvez por que os colegas joguem em função dele. Como protagonista, ele é uma coisa, como coadjuvante, parece um jogador bem distinto. Não que seja um cabeça de bagre ou uma farsa, mas James não consegue repetir o mesmo destaque que teve em temporadas pelo Monaco ou pelo Porto. Uma temporada grandiosa de estreia no Santiago Bernabéu ainda parece pouco para alguém deste calibre. Ao menos, a frágil relação com Zinedine Zidane foi reparada.

O que falta? Na temporada, James jogou 25 partidas e fez 5 gols em 1316 minutos em campo. Menos do que Morata e Bale, que ficou alguns meses afastado por uma lesão no joelho. A questão é: por que ele não consegue se firmar? E ele se beneficiaria de uma transferência neste momento da carreira? Com 25 anos, o meia poderia muito bem se encaixar em outro lugar que esteja precisando de um camisa 10 de ofício, um armador muito ativo e que chega bem ao ataque.

Como Carlo Ancelotti parece determinado a leva-lo para a Alemanha, resta saber o que o treinador tem em mente para o colombiano. Olhando para o elenco do Bayern, uma vaga se abriu no meio-campo com a aposentadoria iminente de Xabi Alonso. Com Vidal de primeiro volante, a equipe bávara só teria Renato Sanches, Thiago Alcântara e Kimmich no setor. Cenário favorável para uma chegada de peso como a do colombiano.

Fato é que James não merece continuar sendo apenas uma peça. Quando quer, ainda é um jogador de classe mundial que precisa de um lugar adequado para expor seu talento. Recentemente, Rodriguez completou 100 jogos pelo clube madridista e teve grande atuação na vitória contra o Las Palmas, de virada. Ele não é exatamente desvalorizado no Real Madrid, mas a formação usada por Zidane não privilegia as suas qualidades e por isso ele acaba não causando tanto impacto quando entra.

Ganha o colombiano se mudar de casa e escolher um novo clube que jogue em função das suas capacidades, já provadas em tão pouco tempo de carreira. A questão-chave é mesmo o seu papel dentro de um time. Ser a principal fonte de talento já é um bom começo.