Coronavírus: Mesmo após demissão de Mandetta, Bolsonaro e Ministério da Saúde não falam a mesma língua

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Foto: Andressa Anholete/Getty Images
Foto: Andressa Anholete/Getty Images

Os acontecimentos desta quinta-feira mostram que ainda existe um abismo entre as formas como o presidente da República e o Ministério da Saúde veem as medidas de combate à pandemia do novo coronavírus. No mesmo dia em que Jair Bolsonaro foi até o Supremo Tribunal Federal (STF) levando empresários para aumentar a pressão pelo fim do isolamento social, o ministro Nelson Teich afirmou que sua pasta poderá recomendar a adoção do lockdown (fechamento total) em alguns lugares.

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As divergências sobre o isolamento social foram o principal motivo para a demissão de Luiz Henrique Mandetta, titular do Ministério da Saúde do início do governo Bolsonaro até o mês passado. Nelson Teich, que assumiu a pasta em 17 de abril, começou sua gestão evitando defender explicitamente a quarentena para quem pode ficar em casa, mas a escalada da doença — até esta quinta-feira, foram registrados 9.146 mortes por coronavírus e 135.106 casos no país — fez o ministro mudar o discurso.

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"A gente tem desde medidas mais simples que vão passar, principalmente, pelo distanciamento, higiene das mãos, álcool em gel e máscara, até situações que você vai ter que ter o lockdown”, afirmou Teich, durante uma reunião por vídeo com deputados federais.

O ministro afirmou que não sabia da ida de Bolsonaro ao STF acompanhado de empresários e evitou comentar o episódio. Teich ressaltou que a recomendação para lockdowns não pode ser transformada em uma “discussão política”.

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“Isso é uma discussão técnica. Isso vai variar de acordo com as diferentes situações. Tenho realçado isso. É fundamental que a gente não trate isso como um tudo ou nada”, afirmou Teich.

Uma visita-surpresa ao STF e um decreto, publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União, ampliando a lista de atividades consideradas essenciais foram as armas usadas por Bolsonaro nesta quinta-feira para aumentar a pressão pela reabertura total da economia.

"Tem decreto presidencial que definiu atividades essenciais, aquelas que não podem parar. Acabei de assinar decreto aqui colocando nesse rol de atividades essenciais a construção civil. Outras virão nas próximas horas ou nos próximos dias. O que não está no decreto ficou decidido, segundo o Supremo, que estados e municípios diriam se poderiam ou não funcionar”, disse Bolsonaro, na saída do STF.

Acompanhado dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Braga Netto (Casa Civil), além de empresários de diferentes setores, o presidente saiu do Palácio do Planalto e cruzou a Praça dos Três Poderes a pé, rumo ao STF. A caminhada voltou a causar aglomeração, o que contraria as recomendações das autoridades sanitárias para o combate ao novo coronavírus, apesar de a maioria estar usando máscara, inclusive Bolsonaro.

A visita, que não estava agendada, foi vista como uma tentativa de pressionar o STF, já que a Corte decidiu que governadores e prefeitos têm autonomia para definir medidas restritivas de circulação e de fechamento de comércio. Bolsonaro voltou a criticar ontem o que considera como excessos cometidos por autoridades estaduais e municipais:

“Alguns estados, não estou brigando com ninguém, pelo amor de Deus, no entendimento de muita gente, dos empresários, exageraram. Então vamos começar a colocar mais categorias essenciais para nós podermos abrir com responsabilidade e observar as normas do Ministério da Saúde, de modo que cada vez mais rápido nós possamos voltar à atividade normal. Caso contrário, depois da UTI é o cemitério, e não queremos isso para o nosso Brasil".

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***Por Isabella Macedo, Leandro Prazeres e Marco Grillo, do Extra

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