Queiroz depositou 21 cheques na conta de Michelle desmentindo justificativa de Bolsonaro, diz revista

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Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, depositou ao menos 21 cheques para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, fato que contraria a versão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de que Queiroz teria pago um único cheque à sua mulher. Os pagamentos datam desde 2011. As informações são da Revista Crusoé.

A publicação teve acesso à quebra de sigilo bancário de Queiroz autorizada pela Justiça na investigação do suposto esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro, enquanto ele ainda cumpria mandato de deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Os extratos detalham as movimentações do ex-assessor para Michelle, que totalizam R$ 72.000 entre 2011 e 2018.

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Quando a informação de que Queiroz havia depositado R$ 24.000 para Michelle veio à tona, Bolsonaro afirmou que se tratava do pagamento de um empréstimo que ele tinha feito para o ex-assessor de Flávio, no valor de R$ 40.000.

O depósito do cheque consta num relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que listou o pagamento a Michelle entre movimentações atípicas que somam R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz. O documento foi utilizado pelo MPF (Ministério Público Federal) à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, que chegou a prender dez deputados estaduais da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Flávio admite que Queiroz pagava suas contas

O senador Flávio Bolsonaro admitiu pela primeira vez, no último dia 5, que seu ex-assessor Fabrício Queiroz pagava suas contas pessoais, conforme mostrou investigação do Ministério Público do Rio. Segundo ele, a origem dos recursos é lícita, sem relação com os possíveis desvios investigados em seu antigo gabinete na Alerj.

Em entrevista exclusiva ao Globo, o filho do presidente deu sua versão sobre os principais indícios obtidos até agora pelo MP sobre o suposto esquema de rachadinha, como a compra de imóveis com parcela paga por um amigo. Ele também respondeu sobre o fato de Queiroz ter sido preso enquanto estava abrigado na casa de Frederic Wassef, que defendia Flávio no caso.

“Pode ser que, por ventura eu tenha mandado, sim, o Queiroz pagar uma conta minha. Eu pego dinheiro meu, dou para ele, ele vai ao banco e paga para mim. Querer vincular isso a alguma espécie de esquema que eu tenha com o Queiroz é como criminalizar qualquer secretário que vá pagar a conta de um patrão no banco. Não posso mandar ninguém pagar uma conta para mim no banco?", questionou o senador.