Jacaré explica desapego a cinturão do UFC: 'Estou correndo atrás do vento'

Luis Fernando Coutinho

À mesa, Ronaldo Jacaré sente fome. De título e de comida. O obstáculo para se alcançar o primeiro desejo não se compara ao do segundo, mas ele esbanja paciência e bom humor para lidar com ambos. Nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, o lutador almoçou com a imprensa para promover o UFC Fight Night em Kansas City, que acontece dia 15 de abril, quando encara Robert Whittaker. Mas embora o cardápio de refeições do restaurante Pipo fosse variado, Jacaré teve de segurar a fome de título para lidar com inevitáveis perguntas sobre o mesmo assunto: a exaustiva espera pela chance ao título do UFC.

Para saciar a fome de comida, a espera durou cerca de 27 minutos, tempo o suficiente para os jornalistas presentes esgotarem as questões que cercam a árdua espera do brasileiro por uma chance pelo cinturão dos médios do UFC.

- Às vezes eu respondo o mesmo dez vezes, mas os fãs querem saber, isso é normal, é trabalho. Nosso trabalho é explicar o que está acontecendo - explica Jacaré, sem mostrar qualquer desconforto com o assunto.

Depois de se aproximar de uma chance pelo cinturão e ter o sonho adiado por diversos motivos diferentes, que vão desde a derrota para Yoel Romero até lutas escolhidas por campeões da divisão, o lutador, que é o atual número três no ranking oficial da divisão e soma sete vitórias em oito lutas no octógono, diz que "cansou de pedir" pela oportunidade pelo cinturão.

- Estou focado sempre na minha próxima luta, parei de pensar nesse negócio de cinturão, parece que estou correndo atrás do vento. O objetivo é trabalhar e andar para frente e, de certa forma, estou dando um passo de cada vez rumo ao meu objetivo. Não adianta pedir. Pedir para quê? Tenho que trabalhar, mostrar o meu trabalho dentro do octógono e fazer pelos fãs, eles que vão falar por mim. (...) Já fui muito ansioso, hoje em dia não sofro mais de ansiedade, sou bem resolvido com meu trabalho. Estou ganhando um bom salário. Estou ganhando mais do que o (Michael) Bisping, pois estou lutando mais do que ele (risos) - afirmou o lutador.









Enquanto a chance pelo cinturão não vem, Jacaré segue aceitando os desafios propostos pelo Ultimate. Segundo ele, o melhor é se manter em atividade até que a sonhada luta pelo cinturão dos médios aconteça.

- Quem não arrisca, não petisca. Sou campeão, acredito que posso vencer qualquer um e campeão tem de agir dessa maneira. O cantor canta, o dançarino dança e eu sou lutador. Não posso ficar parado. Todos os atletas que ficaram parados por muito tempo, não voltaram bem. Meu foco é me manter em atividade e me manter trabalhando. Meu foco é o cinturão, parece que não, mas é. Tenho que trabalhar e lutar. Parei de falar (sobre cinturão) antes da última luta. Estou tranquilo, fazendo um bom trabalho e estou ganhando uma quantidade de fãs inimaginável. As pessoas sempre me perguntam sobre o título na rua, eu fico triste por ser perguntado e não saber responder. Os fãs estão pedindo, mas acredito que com meu trabalho e com a luta com o Robert e mais outras, não sei... Mas vai chegar o meu momento - finalizou.

Ronaldo Jacaré volta ao octógono no dia 15 de abril, contra Robert Whittaker, pelo UFC Fight Night em Kansas City (EUA). Ele vai em busca da terceira vitória consecutiva no octógono mais famoso do mundo.




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