Já em casa no Zenit, Claudinho sonha com Copa-22 mesmo após ter de deixar seleção

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Claudinho, do Zenit, contra o Chelsea pela Champions League. Foto: James Williamson - AMA/Getty Images
Claudinho, do Zenit, contra o Chelsea pela Champions League. Foto: James Williamson - AMA/Getty Images

De Moscou

São apenas cinco jogos. Mas Claudinho já diz se sentir em casa no Zenit, clube ao qual chegou no mês passado. Na semana passada, fez sua estreia na Champions League e, apesar da derrota para o Chelsea por 1 a 0, foi um dos mais ativos e participativos em campo.

Na última segunda-feira, contra o Rubin Kazan, anotou o seu primeiro gol e deu a primeira assistência em vitória por 3 a 1.

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“Eu precisava desse gol, dar uma assistência, um jogo assim para dar confiança, ficar mais leve em campo. O gol saiu em hora certa e a partir de agora fico mais tranquilo para fazer o meu melhor em campo”, afirmou em entrevista exclusiva ao Yahoo Brasil.

Sucesso desde a chegada à Rússia, com um vídeo de apresentação que superou em menos de 1 dia mais de 1 milhão de visualizações na rede social, o meia-atacante vai aos poucos se adaptando, entendendo melhor a liga russa e se preparando para o frio.

“Estou com medo. Todo mundo está falando do frio, falam que não começou de verdade e eu já estou sentindo”, disse.

O único momento de estresse aconteceu no início do mês. Treinando com a seleção brasileira ao lado de Malcom na preparação para os duelos com Chile, Argentina e Peru, teve de voltar às pressas para São Petersburgo para poder jogar na Champions League. Caso contrário, perderia o jogo devido à quarentena.

O jogador de 24 anos, artilheiro do último Brasileirão, espera que este episódio não prejudique o seu futuro e possa estar na lista de Tite a ser divulgada nesta sexta-feira (24) para os jogos com Venezuela, Colômbia e Uruguai, em outubro.

“Espero que esta nossa volta para cá no meio da janela não tenha prejudicado em nada nosso futuro na seleção brasileira. Nós não tivemos culpa de nada. Temos contrato com o Zenit e temos que cumprir com o que o clube pede. Meu sonho é jogar a Copa de 2022”, disse.

Claudinho celebrando a conquista da medalha de ouro em Tóquio. Foto: Jia Haocheng/Xinhua via Getty Images
Claudinho celebrando a conquista da medalha de ouro em Tóquio. Foto: Jia Haocheng/Xinhua via Getty Images

Confira abaixo a entrevista na íntegra com o jogador.

Como você avalia este seu início no Zenit?
Tem sido muito bom. Eu sabia que iria jogar no clube mais popular e vencedor da Rússia. Nos primeiros jogos eu estava pegando o jeito de jogar da equipe, o jeito dos meus companheiros jogarem e se adaptando ao estilo de jogo deles também. Contra o Chelsea e contra o Rubin consegui desenvolver um bom trabalho para ajudar a equipe. Já estou bem adaptado ao estilo de jogo da equipe.

O fato de já ter anotado um gol tira também um pouquinho de pressão para o que vem adiante?
Tira a pressão com certeza. Eu precisava desse gol, dar uma assistência, um jogo assim para dar confiança, ficar mais leve em campo. O gol saiu em hora certa e a partir de agora fico mais tranquilo para fazer o meu melhor em campo. Agradeço a Deus por ter feito este gol e por me dar saúde para fazer o que mais gosto, que é jogar futebol. Dedico aos meus pais, meus irmãos e minha família, que sempre me apoiam muito.

Como foi ter jogado pela primeira vez uma partida de Champions League e o que esperar do Zenit na sequência do torneio?
Foi uma sensação indescritível, um sonho realizado de poder estar jogando uma Champions. Claro que que cada partida tem seu significado, mas o sentimento chegou bem perto do que tive na final da Olimpíada, que foi o jogo mais importante da minha carreira até agora. São momentos assim que marcam a vida de um jogador. Quanto ao jogo, acho que foi muito bom. O time fez jogo consistente e no mínimo detalhe acabamos perdendo, mas acredito que merecíamos o empate. Mas agora é dar sequência ao trabalho. Tenho certeza que estamos no caminho certo para nossos objetivos.

Como tem sido sua adaptação ao país, à cultura e ao clube?
Acho que a língua é o maior problema até agora. Falar russo é difícil, mas estou me adaptando, não entendo muito bem a língua, mas com o inglês vou entendendo um pouco. Espero em breve estar falando um pouco de russo para tornar tudo mais fácil.

Seu vídeo de apresentação com inspiração em The Weeknd fez muito sucesso no Brasil. Esperava por tanto?
Não esperava por tomar a proporção que tomou, mas foi muito legal. Fiquei feliz, tomou uma dimensão bacana e foi uma apresentação diferente. Gostei desta conexão com o The Weeknd, ficou muito parecido mesmo. Todos meus amigos e familiares comentaram isso comigo.

O que mais tem te impressionado na Rússia e no Zenit?
Tudo para falar a verdade. É um momento mágico e diferente na minha vida e carreira. Nunca tinha vindo para a Europa, jogar aqui. Tudo é muito novo. Tudo o que eu vejo é muito diferente.

O frio ainda não começou para valer. Está preparado já para isso?
Estou com medo. Todo mundo está falando do frio, falam que não começou de verdade e eu já estou sentindo. Estou me preparando. Tenho os amigos e colegas brasileiros aqui no clube que falaram um pouco como é. Vou me preparando psicologicamente, mas estou com medo sim (risos).

Há alguns anos, o Zenit tinha uma base da equipe principal com muitos jogadores argentinos. Agora, esta base é de brasileiros. Quanto isso ajuda, principalmente levando em consideração o idioma, a proximidade, a amizade?
É muito importante para mim chegar a um clube que já tem três brasileiros (Douglas Santos, Malcom e Wendel) e o William (assistente técnico). Isso ajuda muito no dia a dia, na adaptação, em traduzir as coisas, passar um pouco do esquema de jogo seja no treino ou na partida. Esta amizade é muito boa e vai trazendo frutos nos jogos, pois é sempre um ajudando ao outro.

Muitos que não conhecem bem a Liga Russa dizem que é desperdício um jogador como você atuar aqui. O que você pode dizer para essas pessoas e o que você pensa no geral da Liga Russa?
Acho que quem fala isso não entende muito de futebol, para falar a verdade. Estou disputando uma liga muito forte, em um time que joga uma Champions League. Só isso já diz muito sobre o nível do campeonato e da equipe. Os fatos já falam por si próprio. Então não preciso falar nada. Só sei que estou muito feliz de estar aqui. É um sonho realizado. Meu objetivo é ajudar o time a fazer um bom papel na Champions e seguir com esta sequência de títulos no Campeonato Russo (são três seguidos). Vim aqui para isso.

Você sente saudades do Red Bull Bragantino? Tudo o que você faz na Rússia é elogiado pelos torcedores de lá.
Sim. A torcida tem um carinho muito grande por mim, por tudo que fiz pelo clube. Ainda acompanho o time e torço, mantenho contato com meus ex-companheiros. Mas agora estou aqui, focado no meu presente e no futuro, que é o Zenit. Quero me desenvolver e aproveitar todas as oportunidades.

O Malcom havia dito que ficou muito triste por toda a situação vivida com a seleção brasileira e vocês não terem podido jogar. Como você encarou aquilo e como vê seu futuro na seleção?
Espero que esta nossa volta para cá no meio da janela não tenha prejudicado em nada nosso futuro na seleção brasileira. Nós não tivemos culpa de nada. Temos contrato com o Zenit e temos que cumprir com o que o clube pede. Pediu que voltássemos e voltamos. Espero que isso não influencie em nada. Tenho o sonho e objetivo de jogar pela seleção principal, disputar uma Copa. Assim, que só penso em seguir fazendo meu trabalho, mostrando o meu melhor para poder ser convocado.

O que significou para você a medalha de ouro em Tóquio?
Não tenho palavras para descrever aquele momento, algo único. Fui para Tóquio pensando no ouro, mas até ganhá-lo você não acredita que vai conseguir. Para falar a verdade até hoje a ficha não caiu que sou campeão olímpico. Fico muito feliz por ter registrado o meu nome na história da seleção e do país com este ouro olímpico.

Agora, jogar a Copa do Mundo de 2022 é o seu maior objetivo?
Com certeza é um sonho muito grande. Vou trabalhar muito no Zenit, dar o meu melhor, conquistar títulos e, se for a vontade de Deus, vou para a Copa.

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