Júlio Cocielo vence processo na Justiça sobre suposto comentário racista contra Mbappé em 2018

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Influenciador digital dono do perfil no YouTube "Canal Canalha", Júlio Cocielo foi absolvido do processo que corria pelo Ministério Público de São Paulo, que havia entrado com uma ação civil pública por comentários considerados racistas publicados via Twitter. Um deles foi feito na Copa do Mundo de 2018, contra o atacante da seleção francesa Mbappé. Com isso, ele não irá pagar uma indenização de R$ 7,5 milhões (R$ 7.489.933,00) por tweets supostamente racistas.

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A decisão foi feita pelo juiz Caramuru Afonso Francisco, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Na Copa do Mundo de 2018, o humorista havia comentado que Mbappé, astro do Paris Saint-Germain, "conseguiria fazer uns arrastão top na praia, hein". Na época, o criador de conteúdo chegou a pedir desculpas publicamente e dizer que buscou entender mais sobre "racismo estrutural" (quando uma frase acaba propagando ideias contra pessoas pretas sem necessariamente ser notada como uma discriminação consciente). Ele ainda perdeu patrocinadores após a negativa do pública.

No YouTube, Júlio ostenta mais de 20 milhões de seguidores. Já no Twitter, onde o perfil possui menos publicações, são 8 milhões de contas seguindo o humorista. Após as críticas, ele chegou a deletar os comentários que fez. Para o MP, as mensagens reforçavam esterótipos e perpetuavam o racismo. A defesa de Cocielo argumentou que as publicações foram retiradas de contexto, "tendo tão somente exercido a sua liberdade artística".

JUIZ EXPLICA DECISÃO

Na visão do juiz que delegou a absolvição do criador do "Canal Canalha", as mensagens têm contextos dúbios das piadas e não podem ser provas de que o humorista fale de esterótipos e seja racista. Por exemplo, Júlio havia dito que "gritei VAI MACACA pela janela e a vizinha negra bateu no portão de casa para me dar bronca", o juiz aponta uma denúncia de estereótipos por parte do youtuber.

- Veja-se que este post se deu, segundo o autor, no dia do jogo da Copa Sul-Americana de futebol masculino entre a Ponte Preta e o Lanús, e todos sabem que a Ponte Preta é conhecida como “macaca”. Procurou o requerido associar os negros a macacos, ou quis denunciar, em tom de humor, o estereótipo existente? - aponta o juiz na sentença. A mesma argumentação "dúbia" foi feita no caso de Mbappé: "O comentário sobre o jogador da seleção francesa se deveu à cor da sua pele ou à sua velocidade?"

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