Itaú ataca XP e CEO rebate: ‘banco nunca foi feito para você’

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Itaú atacou modelo da XP em campanha veiculada no intervalo do "Jornal Nacional"
Itaú atacou modelo da XP em campanha veiculada no intervalo do "Jornal Nacional"

O clima esquentou entre duas das maiores instituições financeiras do Brasil (que aliás, são sócias): o banco Itaú e a XP Investimentos. Tudo começou depois que o Itaú veiculou em horário nobre, na noite desta terça-feira (23), no intervalo do Jornal Nacional da TV Globo, a seguinte peça publicitária: 


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O vídeo ironiza um suposto cliente que entrou na “farra” dos investimentos em 2019 incentivado por assessores de investimentos independentes, profissionais que trabalham para a XP e que compõem a estrutura do modelo de negócios da empresa. No vídeo, a “versão 2020” da mesma personagem diz que agora procura por outro modelo, de assessores que não ganham comissão dependendo do produto que é vendido, sugerindo que esse seria uma tática mais segura. 

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A campanha é um ataque direto à XP e ao modelo da empresa, que conta com mais de 7 mil assessores independentes, os mesmos atacados pelo Itaú. 

O CEO e cofundador da XP, Guilherme Benchimol, respondeu nesta quarta-feira (24) ao Itaú, em carta aberta nas redes sociais. Afirmou que bancos como o Itaú historicamente não trabalham em benefício do cliente, como sustenta a propaganda: “Quem nunca recebeu uma oferta do seu banco com um cheque especial abusivo, um empréstimo com as mais altas taxas de juros do mundo, um 'investimento' na caderneta de poupança, um título de capitalização desnecessário, um fundo com taxas exorbitantes, um consórcio para bater a meta do fim do mês e assim por diante?”

Além disso, Benchimol escreveu que os assessores independentes são profissionais cujos próprios negócios dependem de que eles façam orientação acertadas de investimentos: “O assessor é um empresário, um empreendedor que tem a sua própria empresa e somente sobrevive se a visão for de longo prazo, com um cliente realmente satisfeito e muita ética em todas as suas atitudes. Se ele falhar, não poderá mudar de emprego, mas, sim, fechará o seu negócio.”

Benchimol afirma que a campanha do Itaú é um ataque pelo fato de o banco estar se sentindo “incomodado” com o crescimento de um modelo diferente do que prevaleceu no mercado brasileiro até hoje: “A campanha do Itaú só reforça que estamos no caminho certo. Para o maior banco do país, com mais de 90 anos de tradição, ir a público e ofender uma profissão tão fundamental para o desenvolvimento financeiro dos brasileiros, é porque realmente percebeu que não consegue mais competir colocando o cliente em primeiro lugar.”

Leia, abaixo, a carta completa de Benchimol:

“Estamos há 20 anos lutando contra um sistema financeiro concentrado que nunca inovou e nunca se preocupou com o que realmente importa: o cliente!

Tenho certeza que os bancos preferem o Brasil do passado, com juros altos e baixa concorrência, explorando ainda mais os empresários e os investidores individuais.

Quem nunca recebeu uma oferta do seu banco com um cheque especial abusivo, um empréstimo com as mais altas taxas de juros do mundo, um “investimento” na caderneta de poupança, um título de capitalização desnecessário, um fundo com taxas exorbitantes, um consórcio para bater a meta do fim do mês e assim por diante?

Temos muito orgulho do que estamos construindo. Comecei em uma sala de 25m² como assessor de investimentos e conseguimos, quase 20 anos depois, fazer com que mais de 2 milhões de brasileiros invistam melhor. Contribuímos para a criação de uma nova indústria, com mais competição, melhores produtos, melhores serviços e mais alinhamento com o cliente.

Desde o início, levamos educação financeira para as pessoas e mostramos que investimento se faz com visão de longo prazo e transparência.

Para alcançar a nossa missão, contamos com mais de 7.000 assessores independentes, que trabalham incansavelmente para trazer as melhores oportunidades para os investidores.

A nova campanha do Itaú ataca o comissionamento dos assessores na distribuição de produtos financeiros, como se ganhar dinheiro com o trabalho fosse errado. Sempre fomos transparentes nisso. O assessor é um empresário, um empreendedor que tem a sua própria empresa e somente sobrevive se a visão for de longo prazo, com um cliente realmente satisfeito e muita ética em todas as suas atitudes. 

Se ele falhar, não poderá mudar de emprego, mas, sim, fechará o seu negócio.

Com certeza temos muitos pontos a evoluir, natural de toda empresa. Mas trabalhamos duro para melhorar sempre e tenho orgulho de dizer que temos o maior índice de satisfação de todo o sistema financeiro brasileiro (NPS de 71 auditado). Para nós, essa é a melhor prova da sustentabilidade do nosso negócio.

A campanha do Itaú só reforça que estamos no caminho certo. Para o maior banco do país, com mais de 90 anos de tradição, ir a público e ofender uma profissão tão fundamental para o desenvolvimento financeiro dos brasileiros, é porque realmente percebeu que não consegue mais competir colocando o cliente em primeiro lugar.

Tenho uma certeza: se tem algo que o banco não é, nem nunca foi, é ser feito para você.

Apesar de toda a nossa história, estamos só no começo. Podem ter certeza de que não descansaremos enquanto todos os abusos dos bancos não acabarem.

Nosso propósito: transformar o mercado financeiro para melhorar a vida das pessoas.”

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