Itália bicampeã da Euro 2020

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Donnaruma defende o pênalti de Saka e dá o bi europeu para a Itália GES-Sportfoto/Getty Images

Com menos de 2min em Wembley, o Shaw que era chacota há anos pelo peso e pela falta de bola bateu bonito de bate-pronto como bem narrou em grande transmissão Galvão Bueno. 1 a 0 Inglaterra. Lance de ala para ala, mostrando a ofensividade de um esquema com três zagueiros, e o único cochilo do incansável Chiesa, que deixou a bucha para o desatento Di Lorenzo dar mole para o gol inglês.

(Sim: meias pelos lados e/ou pontas muitas vezes precisam acompanhar o avanço de alas/laterais. Barella também deixou Shaw livre. Não é só jogar com a bola. Também sem ela. Em qualquer time e seleção).

Era só não levar gol para o futebol voltar para casa pela primeira vez na Euro. Era só evitar o que Bonucci faria justiça na segunda etapa empatando em gol macarrônico e carambolado para quem mais buscou o gol. Também por levar logo de cara a ducha inglesa.

Na prorrogação, mais equilíbrio. Nos pênaltis, a Itália “acabada” pela vergonhosa ausência em 2018 voltou a ser Itália de grandes portieri como Zoff, Buffon e Donnarumma bem treinado também nos pênaltis por Dida, no Milan.

Itália que em 1966 foi eliminada na fase de grupos na Copa da Inglaterra por um gol do dentista norte-coreano Pak Do-Ik. Para já em 1968 ganhar a Euro. E só perder o tri então em 1970, no México, por ser goleada pelo Brasil de Pelé. E não só Ele.

É do jogo. É do calcio da Azzurra. Falo como amante do futebol e casado com a Itália. Por ser bisneto, por ser marido, por ser e por ter filhos italianos de passaporte. Como a minha sogra é de berço.

Torço mesmo pela Azzurra. Choro com o Inno di Mameli. Quase não consegui transmitir pela Jovem Pan o Flamengo virando no sufoco contra a Chapecoense de tanto que torci pela Itália. Também pelo Palestra de alma.

Se em nível de clubes eu não “gasto” torcida nem com o sub-20 palestrino, tenho coração de mãe em nível de seleções. Sempre sou Brasil. Mas também sempre entenderei as emoções que levam as pessoas a torcerem por quem bem entendam, mesmo com os bedéis de sentimentos, sommeliers de torcida, e outros que se acham mais “patriotas” do que os outros nesta pária muitas vezes apenas xenófoba.

Em Copas, todas elas, fora o Brasil, torço pela Itália de passaporte, e também pela Alemanha do meu lado de pai. Muitas vezes quero que a Holanda vá bem, como filhote “modinha” da Laranja Mecânica de 1974. Com o tempo me afeiçoei pela escola francesa (desde 1982). Tenho curtido o futebol inglês dos últimos anos. Portugal também sempre teve um carinho especial.

Mas torcida, mesmo, por alemães e italianos.

Quando se enfrentam? Em condições normais, Itália. Mas se o time mais vistoso for o da Alemanha, posso virar casaca. Ou usar o outro lado dela.

Double-face. Mas não duas caras. Apenas vários corações pelos times dos meus bisavós de mãe (italianos) e pai (alemães).

No frigir das bolas: em nível de seleção, vou com a valsa – ou com a ópera.

Quase sempre, vou de Verdi.

Mera coincidência.

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