Isolamento gera mudanças na motivação, no estresse e até no consumo de álcool por atletas, aponta estudo

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Um estudo feito pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) apontou que o período de isolamento causado pela pandemia de coronavírus gerou uma série de mudanças comportamentais e físicas em atletas. Segundo o levantamento da entidade (denominado “Mudanças perceptivas em atletas de resistência durante isolamento social devido à Covid-19"), publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, "o período de isolamento social, sobretudo o superior a 10 dias, gerou mudanças significativas na percepção de motivação, estresse, consumo de álcool e aptidão física de atletas de resistência”.

Por conta do isolamento decorrente da pandemia, a pesquisa foi feita virtualmente. Um questionário foi compartilhado com os atletas para verificar as alterações em seus treinos. No documento, os participantes respondiam a 17 perguntas que pretendiam “avaliar parâmetros morfológicos, comportamentais, psicológicos e de aptidão física durante o isolamento”. Entre as mudanças feitas no treinamento por conta do isolamento, a mais citada foi na intensidade (em 43,8% dos casos), seguida da frequência (36,8%) e do tempo de cada sessão (11,4%), com destaque para a mudança da frequência dos triatletas (58,3%).

De modo geral, os corredores foram os mais afetados do grupo, uma vez que apresentaram baixa na motivação, alto índice de estresse, piora na qualidade do sono, aumento do consumo de álcool e perda da aptidão física. O estudo contou com a participação de 201 atletas, entre ciclistas (89), corredores (88) e triatletas (24), por meio de um questionário sobre o período em que estiveram em isolamento.

Eles foram perguntados sobre variações no peso corporal, mudanças no nível de motivação e de estresse, consumo de álcool, qualidade do sono, dieta, se foi infectado pelo vírus, entre outras questões, além do questionamento sobre prejuízo à aptidão física devido ao período sem treinos ou com estes sendo feitos de modo abaixo da intensidade regular.

Como resultado das alterações na rotina, o aumento no Índice de Massa Corporal (IMC) foi significativo para os atletas das três modalidades analisadas. O estudo aponta, ainda, que “o período de isolamento pode levar à comunicação inadequada entre os atletas e seus treinadores, à falta de treinamento e competição organizados e à redução da capacidade de se mover livremente e a condições de treinamento inadequadas”.

Além disso, o longo período em casa “pode levar à nutrição pobre e inadequada, baixa qualidade do sono, vícios, aumento da gordura corporal e diminuição concomitante da massa muscular, insônia e depressão”, afetando, consequentemente, "diversos sistemas fisiológicos, como neuromuscular, cardiovascular, respiratório e suas correspondentes capacidades físicas".

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