Irmão de legendário Petrovic negocia para assumir a seleção de basquete

GIANCARLO GIAMPIETRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A seleção brasileira masculina de basquete deve ter um novo técnico estrangeiro para a disputa das eliminatórias para a Copa do Mundo da modalidade.

Trata-se do croata Aleksandar Petrovic, 59, que dirigiu a seleção de seu país na disputa das Olimpíadas do Rio-2016.

Irmão mais velho do legendário ala-armador Drazen Petrovic, morto em 1993 em um acidente de carro, o treinador concluiu sua terceira passagem pela seleção croata após a disputa do último Campeonato Europeu, em setembro.

Tendo dirigido clubes na Espanha e na Itália, Petrovic fala os idiomas desses países e inglês fluentemente.

Entre os scouts europeus consultados pela reportagem, tem fama de ser um técnico linha dura, ainda mais exigente que seu antecessor, o argentino Rubén Magnano. Mas também tem habilidade para lidar com os jogadores, conseguindo se desprender de uma imagem autoritária.

Antes de virar treinador, Petrovic, de 1,94m de altura, teve longa carreira como armador, de 1979 a 1991.

Pela seleção iugoslava, foi medalhista de bronze nas Olimpíadas de Los Angeles-1984 e nos Mundiais de 1982 e 1986.

Em clubes, durante boa parte de sua carreira, defendeu o tradicional Cibona Zagreb, clube que, nesta década, beirou a falência. Para seguir em atividade, o Cibona contou com aporte financeiro da Prefeitura local e também da família Petrovic. Seus pais, Jovan e Biserka Petrovic, administram uma fundação em nome do irmão caçula, Drazen.

Caso aceite a proposta da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), com a qual negocia há semanas, deve trabalhar com a comissão técnica montada para a disputa da Copa América deste ano, entre agosto e setembro.

César Guidetti, do Pinheiros, foi o técnico interino no torneio, auxiliado por Bruno Savignani, ex-Brasília, e Felipe Santana, o Filé, do Palmeiras. Com um grupo renovado, a seleção apresentou fraco desempenho e caiu na primeira fase, pelo Grupo A, em Medellín, na Colômbia, com derrotas para México e Porto Rico.

O salário de Petrovic seria pago pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), seguindo os moldes do acordo anterior com Magnano.

Rubén Magnano dirigiu a seleção de 2010 a 2016. Não teve seu contrato renovado após decepcionante participação nos Jogos do Rio.

Antes do argentino, o espanhol Moncho Monsalve foi o técnico da equipe brasileira em 2008 e 2009.

TRABALHO RECENTE

A Croácia de Petrovic foi eliminada nas oitavas de final pela Rússia, que avançou à disputa por medalhas, perdendo o bronze para a Espanha.

Na Rio-2016, Petrovic levou a equipe às quarta de final, sendo derrotado pela arquirrival Sérvia, eventual medalhista de prata. Na fase de grupos, a Croácia liderou a chave B, tendo inclusive derrotado o Brasil pela terceira rodada, por 80 a 76. Seu time ainda bateu potências como Espanha e Lituânia.

Seu trabalho para chegar ao Rio foi de curto prazo. O veterano técnico foi contratado às pressas para a disputa de um Pré-Olímpico mundial em julho, em Turim. Lá, eliminaram a Grécia e a seleção da casa para garantir vaga.

O fato de ter obtido bons resultados com uma instável seleção croata é um fator a ser considerado em desafiadora empreitada no Brasil.

NOVIDADES

Petrovic nunca trabalhou com um clube ou seleção latino-americanos. Agora deve assumir a missão de conduzir a seleção em sistema inédito de eliminatórias para a Copa do Mundo.

O Mundial será realizado em 2019, na China, pulando para anos ímpares para se desgarrar da Copa de futebol. Essa é uma das novas propostas pela Fiba (Federação Internacional de Basquete) em um plano de tentativa de expansão da modalidade. A instauração do sistema de eliminatórias faz parte desse projeto.

Porém, as mudanças não foram tão bem recebidas pelos clubes de elite e grandes personalidades do basquete europeu.

Se os jogadores da NBA já estavam descartados para a maior parte das janelas de disputa das eliminatórias, a Euroliga se recusa também até o momento em ceder seus jogadores durante seu calendário.

Caso a liga mantenha sua posição, causará grande impacto no sistema proposta pela Fiba.

Sobre o Brasil, essas restrição não surtiriam muito efeito. Apenas o armador Marcelinho Huertas, do Baskonia, da Espanha, está disputando a competição europeia. Na NBA, há cinco inscritos: o armador Raulzinho, o ala Bruno Caboclo e os pivôs Nenê, Cristiano Felício e Lucas Bebê.