WeWork: conheça a história por trás do IPO mais louco de 2019

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Fachada de um dos prédios da WeWork, em Nova York (Foto: Timothy A. Clary/AFP/Getty Images)
Fachada de um dos prédios da WeWork, em Nova York (Foto: Timothy A. Clary/AFP/Getty Images)

O WeWork prepara sua oferta inicial de ações, o famoso IPO. Se para algumas startups este é um capítulo feliz — quase o final de um filme de superação —, para a empresa de coworking virou uma história maluca, da valoração a movimentações suspeitas do CEO Adam Neumann.

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A mudança de nome, investimento bilionário e o início

Em janeiro de 2019, a empresa anunciou a mudança do nome para We Company. A estratégia foi subir um degrau e definir o guarda-chuva do grupo, que agora responde pelos prédios comerciais WeWork, uma iniciativa residencial chamada WeLive e o WeGrow, uma encubadora de startups que é ocupada por uma escola de programação e uma escola.

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Junto a isso, Neumann anunciou um aporte de US$ 2 bilhões da Softbank, um dos principais grupos de investimentos do mundo.

A valoração

Com J.P. Morgan e Morgan Stanley comandando a oferta inicial, as especulações pelo valor de mercado da WeWork tem acumulado altos e baixos nos últimos meses. O valor começou com US$ 47 bilhões, depois saltou para US$ 65 bilhões.

As últimas divulgações de resultados da empresa, que detalharam um prejuízo operacional de quase US$ 2 bilhões esfriaram os ânimos do mercado. Segundo a Bloomberg, é possível que os papeis somem US$ 15 bilhões em sua oferta — se ela acontecer.

CEO controverso

A relação entre Adam Neumann e o WeWork é um dos principais motivos pelas quedas de valoração da empresa. Nos últimos meses, diversas reportagens mostram alguns comportamentos um tanto suspeitos na forma como ele toca o dia a dia do escritório.

Adam Neumann, o CEO da WeWork, durante cerimônia de abertura de um dos prédios da empresa em Xangai, na China (Foto: Jackal Pan/VCG via Getty Images)
Adam Neumann, o CEO da WeWork, durante cerimônia de abertura de um dos prédios da empresa em Xangai, na China (Foto: Jackal Pan/VCG via Getty Images)

A sede da empresa, em Nova York, fica em um prédio do qual Neumann é dono — e colhe aluguéis da empresa desde 2010, quando foi fundada. Segundo a Forbes, a solução para este caso será transferir algumas das posses do executivo para o Ark Master Fund, cujo dono é a WeWork. Mas isso mostra uma certa dificuldade da companhia ao lidar com conflitos de interesse.

Há também relatos da We Company ter feito empréstimos com taxas mais baixas em nome do próprio Neumann. Todos foram pagos, mas indica um favorecimento próprio em relação à empresa.

Para fechar, o CEO tem o hábito de empregar familiares. A esposa dele, Rebekah Paltrow Neumann (prima da atriz Gwyneth Paltrow), é a presidente da WeGrow, o braço de educação. Há outros membros da família em posições chave também, além de pagamentos em nome de conhecidos para apresentar programas e eventos em nome da WeWork.

Afinal, vai ter IPO?

Por enquanto, a WeWork não dá indícios de voltar atrás nos planos de ofertar ações na bolsa. A Bloomberg relatou que o presidente da SoftBank, Masayoshi Son, teria entrado em contato pessoalmente para sugerir um adiamento no plano.

Há um outro fator que joga contra a empresa: a recessão econômica. Além dos investidores estarem mais conservadores, o mundo empresarial também deve iniciar um corte de gastos — e isso certamente passa pela locação de imóveis comerciais. A queda no fluxo de negócios pode obrigá-los a repensar o plano de negócios nos próximos meses.

Caso tenha, é bom ficar de olho: assim como Uber, que perdeu 27% do valor de mercado em seis meses, é possível que aconteça algo muito parecido com a startup de coworkings.

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