'Investidores querem ver o Brasil menos polarizado', diz analista da Economist

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Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images
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A crise causada por conta da pandemia de coronavírus está impactando economicamente o mundo todo. Mas, afinal, como o mundo enxerga o Brasil nesse âmbito? Esse foi o tema central de um dos painéis de quinta-feira (16) na Expert XP 2020, com a presença de Robert Wood, analista de mercado da The Economist Intelligence.

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De acordo com o especialista, os investidores estrangeiros que têm interesse de apostar no Brasil estão à margem e observando como o país vai reagir à crise provocada pela pandemia. “A maioria dos novos investimentos estão congelados porque os investidores estrangeiros estão avaliando a estabilidade e eficácia do ambiente político brasileiro, além de como será a força da retomada”, explica Wood.

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A curto prazo, segundo o analista de mercado, o primeiro aspecto avaliado pelos investidores é a evolução da pandemia no Brasil. “Eles olham os números de infecções, leitos disponíveis para tratar o coronavírus e de que maneira o governo federal está lidando com a pandemia. Essas ações impactam a economia brasileira como um todo, mas os investidores também têm feito essa mesma análise em países desenvolvidos”, afirma. 

A The Economist, fundada em 1843, além da mundialmente famosa revista, conta com a unidade de análise de mercados, área em que Wood atua, e que é responsável pela revisão de cenários e projeções econômicas para diversos clientes. 

De acordo com o analista, já havia um cenário de retração para o Brasil que se agravou ainda mais por conta da pandemia. “No começo da crise, revisamos em 5% para baixo o PIB brasileiro, e agora revisamos para uma contração na faixa de 7,5% para este ano. É uma retração significativa”, afirma. 

Wood reconhece que ainda há muita incerteza sobre essas previsões, já que ainda não se sabe o impacto da crise na produção industrial e no varejo, além de como será a retomada no país. “Mas em uma perspectiva regional, é uma estimativa de retração semelhante a outros países da América Latina”, diz. 

Para o analista, os investidores estrangeiros também serão guiados pelos balanços financeiros das empresas. “Esse ano, todos os países terão um baque forte na economia. As empresas vão olhar para seus balanços, sua saúde financeira, e buscar os melhores lugares para investir. Se você olhar para o mercado de ações brasileiro, e comparar com os EUA, vê o formato de V e uma recuperação. Já no Brasil, algumas empresas estão indo bem, mas como um todo a Bolsa ainda não”, fala.

Segundo Wood, a polarização política também não é um bom sinal para os investidores. "Todos estavam muito empolgados com as propostas de reformas políticas, mas com a tensão que está acontecendo entre Congresso e Executivo também fica essa insegurança. Os investidores querem ver o país menos polarizado", diz. 

Por fim, o especialista também tocou nos investimentos focados em sustentabilidade, o que pode atrasar a volta de investidores estrangeiros em função dos desmatamentos recentes na Amazônia. “A questão da Amazônia, que veio à tona recentemente, também é algo sensível para os investidores. Eles avaliam a estabilidade e eficácia do ambiente político brasileiro.”

“O universo dos investimentos está prestando muito mais atenção na questão da preservação ambiental, e isso tem tudo a ver a Amazônia. Todos prestam a atenção na taxa de desmatamento comparando com as de 2019, por exemplo, e o ambiente político estável ajuda”, finaliza. 

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