Libertadores do Brasil

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Kayky celebra o gol do empate do Fluminense no Equador FOTO SANTIAGO ARCOS/POOL/AFP via Getty Images

Uma goleada por 6 a 1 no Olímpia, em qualquer Libertadores, vai ser um resultado histórico como o golaço de Caio Vidal. O time de Ramirez pode até não ser um time que vai ficar para a galeria colorada. Mas com o que está fazendo pra começo de conversa e de trabalho, e com o retorno iluminado e inspirado de Taison, da pra imaginar tantas coisas boas que bateram na trave nos últimos anos no Beira-Rio.

E não são apenas coincidências. O novo novíssimo treinador colorado já mudou algumas coisas no Inter daquela equipe que ficou por um impedimento do Edenilson do tetra brasileiro. Não é só Taison que ainda mal chegou e já voltou muitíssimo bem. Tem algumas ideias novas, alguns mecanismos interessantes, e a consolidação de algumas práticas que quase deram o título brasileiro na temporada que acabou de terminar. Ainda é muito cedo pra qualquer análise mais otimista e, também para aquela mais pessimista (ou realista).

Mas já é um Inter competitivo, com variações táticas, sem de cair o desempenho.

Ótima surpresa também é o Fluminense de Roger. E desse garoto Fred. E dessa criança Nene. Os veteranos seguem jogando muito bem. E os meninos como Kayky, Luiz Henrique, Martinelli e Calegari têm jogado como gente grande. Os mais experientes estão parecendo mais joviais, e as chuteiras imberbes parecem cada vez mais curtidas e maduras. O resultado é mais um bom placar conseguido fora de casa, no Equador, contra o Junior Barranquilla colombiano, no grupo mais equilibrado e complicado da Libertadores (como foi a arbitragem que deu pênalti inexistente para o rival). Classificação cada vez mais acessível para o Fluminense que deve repetir a temporada passada. Com um possibilidades ainda melhores do que a encomenda.

O São Paulo segue com o seu desempenho abaixo da história brilhante em Libertadores quando atua na Argentina. Só foi marcar um gol na terra hermana em 2005 - na campanha do tri continental. Só ganhou naquele mesmo ano na semifinal contra o River. Desde 1972, perdeu 11 jogos, venceu esse em Núñez, e empatou três vezes. Este último empate contra o Racing em Avellaneda é pra se celebrar por que poderia ser pior. O time de Crespo voltou a jogar pouco. Não teve oportunidade alguma na segunda etapa. Salvou-se do gol da Academia argentina sabe-se lá como. Mas tudo isso é normal para um time que está se reestruturando em uma temporada insana e intensa que desestrutura qualquer elenco. O desgaste da grande campanha no Paulistão e na própria Libertadores cobra a conta. O São Paulo vem de dois empates fora de casa e uma vitória jogando bem menos do que jogava. Oscilação natural para quem mais joga do que treina. Para um treinador que acabou de chegar ao Brasil, e para o time bastante mexido em nomes e números da temporada passada.

O desgaste é o mesmo com o Palmeiras. Ou pior: em 2021, o atual campeão da América jogou 10 partidas a mais do que São Paulo. Conseguiu ótimo resultado na Argentina contra o Defensa y Justicia - ainda que o rival estivesse sem meio time titular (ao todo 15 afastados por Covid-19). O time não fez um bom primeiro tempo, mas dois lances de Luiz Adriano e Roni no recomeço da partida fizeram toda diferença para uma equipe muito competitiva com Abel Ferreira.

O melhor time do Brasil também manteve o 100% de aproveitamento na Libertadores, mas variando demais de nível e de humor. O Flamengo jogou muita bola no primeiro tempo contra a boa equipe da LDU em Quito. O Flamengo fez 2 a 0 e poderia ter feito mais. Só o golaço de Bruno Henrique (pela finalização e por toda a jogada coletiva) já valia pela vitória. Mais uma vez, porém, o sistema defensivo deu bobeira, bugou, cedeu o empate, e quase foi castigado. Mas a fase é boa. As opções técnicas são excelentes. E o desempenho só tende a melhorar na Gávea, com mais uma vitória tranquilizadora.

Algo que o Galo de Hulk e também de Cuca começa a se acertar. Se acertarem os ponteiros e os bicos o treinador e o maior investimento atleticano, resultados como da grande vitória contra o Cerro irão se repetir. Questão de tempo, de ajuste táticos e de comprometimento na Cidade do Galo. Outro que deve na Libertadores fazer o que dele se espera: lutar pelo título.

Algo que os Santos, mesmo passado o ônibus sobre o The Strongest, não parece pronto. Perdeu o treinador que só ficou 12 jogos, perdeu a esperança que é Sandry no meio-campo, segue sem Sánchez para dar experiência à criançada, e não conta mais com Soteldo, Pituca e Veríssimo. Difícil a classificação para o mata-mata continental, como já está eliminado no Paulistão, e até correndo risco de rebaixamento no estadual.

A Libertadores para o atual vice-campeão parece impossível. 

Para os demais, o jogo segue aberto nessas seis semanas intensas e insanas. E que estão se saindo melhor do que o planejado - se tem como "planejar" com tudo isso que sobrevivemos.

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