Bolsonaro recua sobre reformulação ministerial que enfraqueceria Moro; ex-juiz estaria insatisfeito

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Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images

A relação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro parece estar abalada com a possibilidade da recriação do Ministério da Segurança, pasta que acabaria esvaziando as funções do ex-juiz no governo. Por isso, de acordo com a jornalista Camila Mattoso, no blog Painel da Folha de S.Paulo, Moro já teria dito a pessoas próximas que está chateado com o presidente e que, se a mudança se concretizar, ele deixará o governo.

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Na manhã desta sexta-feira (24), ao chegar na Índia para agenda Internacional, Bolsonaro recuou e disse que não há chance de recriar a pasta da Segurança Pública, mas que “na política tudo muda".

"A chance no momento é zero. Tá bom ou não? Tá bom, né? Não sei amanhã. Na política, tudo muda, mas não há essa intenção de dividir [o Ministério da Justiça]. Não há essa intenção", afirmou Bolsonaro em Nova Deli.

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Um dos cotados para assumir o Ministério da Segurança Pública caso a pasta seja recriado é o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF). Ainda de acordo com a jornalista, Fraga nomearia Anderson Torres para ser diretor-geral da pasta, nome que foi vetado por Moro quando, no passado, foi indicado para chefiar a Polícia Federal.

Ontem (23), Fraga afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que provavelmente aceitaria assumir a nova função caso fosse convidado por Bolsonaro e disse que uma separação das pastas não representaria um ataque ou um desprestígio ao ministro da Justiça, uma vez que, na sua visão, a pasta comandada por Moro possui atribuições “bastante amplas”.

Fraga, que é coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal, afirmou que Moro é um “ícone no nosso país”, mas também defendeu sua própria nomeação para o ministério.

"Eu acho Sergio Moro um excelente jurista. Um ícone no nosso país no combate à corrupção. Agora, defendo que a atividade de segurança pública precisa de alguém que seja técnico da área. Ou seja, alguém que militou na área", disse.

O próprio presidente sugeriu a possibilidade da volta do ministério e admitiu que Moro provavelmente seria contra.

"Não seria um desprestígio. As atividades do Ministério da Justiça já são bastante amplas. Eu defendo a separação não importa quem seja o ministro. Tanto é que já defendia quando o ministro da Justiça ainda era Márcio Thomaz Bastos (2003-2007), na época do PT. Não é nada contra o Moro", afirmou Bolsonaro.

Apesar de nos bastidores crescer os rumores sobre a recriação da pasta, Fraga garante que, embora seja amiga do presidente e tenha se reunido com ele no último final de semana, não trata do assunto com Bolsonaro há meses. O ex-deputado federal também reiterou que não houve convite algum para assumir um cargo no governo.

"Todo mundo sabe que eu sou Bolsonaro e faria o que ele mandar eu fazer. Evidentemente, se o convite fosse feito, pensaria com muito carinho. É provável que eu aceitasse, porque sempre foi a minha área. Se essa pasta fosse separada, a sociedade ganharia mais", avaliou Fraga.

Fraga também se queixou por estar recebendo ataques de apoiadores de Moro nas redes sociais. Na visão do ex-deputado federal, a queda nas taxas de homicídios, uma das principais bandeiras do atual ministro da Justiça, foi uma tendência iniciada no governo de Michel Temer (MDB) e que vem crescendo.

"Eu acho uma histeria dos seguidores do Moro em me atacar. O que eu tenho a ver com isso? Nada", afirmou. "Dizer que os números foram reduzidos por conta do Sergio Moro é uma tremenda injustiça com os governos estaduais e com a policias estaduais", opinou.

Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2019, o ex-juiz já perdeu o antigo Coaf, agora UIF, subordinado ao Banco Central.

Na gestão de Temer, a Polícia Federal respondia ao Ministério da Segurança. Diante disso, a possibilidade de Moro perder o comando da PF não é descartada por especialistas.

***Com informações da Folhapress

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