"Inimigos" nos bastidores, Atlético-PR e Flamengo se enfrentam em jogo-chave

Guilherme Moreira
Diretorias se aproximaram em 2015 pela Primeira Liga, mas romperam após discórdia na divisão de cotas da TV

Atlético-PR e Flamengo se encontram nesta quarta-feira, às 21h45, na Arena da Baixada, pela quarta rodada da Copa Libertadores, em uma partida importante para chegar à fase mata-mata. O duelo também marca o encontro de rubro-negros agora "inimigos" fora de campo. Desafetos, os dirigentes dos dois clubes chegaram a idealizar uma revolução nos bastidores do futebol, mas traçaram caminhos diferentes e agora estão bem distantes.

Em 2015, Furacão e Coritiba idealizaram a criação da Primeira Liga, na época ainda com a o pensamento de retorno da Copa Sul-Minas, quando Mengo e Fluminense decidiram entrar no torneio. A principal reivindicação era o protesto contra a disparidade da distribuição de cotas da televisão. Mario Celso Petraglia e Eduardo Bandeira de Mello se tornaram, de certo modo, as vozes contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

No ano seguinte, a competição aconteceu apesar de divergências entre dirigentes diversos e teve uma média boa de público (12.066 pagantes), com ingressos mais acessíveis. Mais importante que isso, o campeonato tinha o objetivo de democratizar o dinheiro entre os clubes, seguindo o modelo da Premiere League, da Inglaterra. No gramado, o time atleticano eliminou o Fla na semifinal e o Flu se sagrou campeão.



Após a primeira edição, a direção da Primeira Liga pretendia melhorar o formato e, com mais tempo de organização, arrecadar mais patrocinadores e investidores para o torneio, considerado um sucesso por eles. E foi aí, na elaboração, que a dupla Atletiba rompeu com o torneio que eles mesmo criaram.Com aproximadamente R$ 70 milhões da Rede Globo, em acordo por três temporadas, o valor deveria ser dividido em 50% geral, 25% a partir da audiência e 25% em premiação. O Flamengo, por outro lado, reclamou do rateio igual ao campeonato inglês e quis tirar vantagem. Conseguiu.

A divisão dos valores ficou em 46% entre todos, 31,5% por audiência e 22,5% pelos resultados. Irritada, a diretoria do Atlético-PR decidiu romper com o clube carioca no final de 2016 e, consequentemente, com a Primeira Liga. O Coritiba, que tem bom relacionamento e vem sendo parceiro do Furacão em várias frentes, como fechar com o Esporte Interativo para 2019-24 na Série A, que oferece a mesma divisão da Premiere League, seguiu o mesmo rumo.

- Não foi só pela divisão das cotas de tevê. Destruíram todos os princípios que basearam a criação da Primeira Liga - disparou Petraglia em entrevista ao blog mineiro Toque di Letra. - A divisão adotada pela Primeira Liga é a mais democrática do Brasil. Nem o Brasileiro é tão democrático assim - retrucou Mello, na ocasião.

O que se viu na sequência foi um torneio, em sua segunda edição, que vem tendo caráter ainda mais amistoso e sem importância para os times, que - em sua maioria -, colocam equipes alternativas. A competição, sem espaço no calendário, iniciou no final de janeiro de 2017 e só vai terminar em agosto.

Campo

Para o duelo, o Atlético-PR ainda têm dúvidas na escalação. O certo é que o zagueiro José Ivaldo jogará improvisado na vaga do lateral-direito Jonathan, lesionado. No meio, o volante Otávio está recuperado de lesão e deve retornar na vaga na vaga de Deivid ou de Matheus Rossetto. Já Paulo André, envolvido em um afastamento temporário após discussão com Paulo Autuori no final de semana, se entendeu com o treinador e será titular.

O Furacão deve ir a campo com: Weverton; José Ivaldo, Paulo André, Thiago Heleno e Sidcley; Otávio, Deivid (Matheus Rossetto) e Lucho González; Nikão, Douglas Coutinho e Eduardo da Silva.

Terceiro colocado, com quatro pontos, o Furacão precisa vencer o líder Flamengo, com cinco, para seguir com boas chances de classificação. O time atleticano ainda enfrentar o San Lorenzo-ARG na Arena e fecha a fase de grupos contra o Universidad Católica-CHI fora de casa.

- (O jogo) Decisivo não, é determinante em relação à classificação. Não é decisivo porque o número de pontos num gurpo tão equilibrado como esse não deverá ser muito alto para classificação. Mas creio ser determinante sim. Existem momentos chaves em todas as competições e creio que esse, para ambas as equipes, é um momento chave - afirmou o treinador.















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