Influenciados por Ricardo e Emanuel, Alison e Álvaro têm estafe de quase 20 pessoas

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TÓQUIO, TO - 29.07.2021: OLIMPÍADA TÓQUIO 2020 TÓQUIO - Os Brasileiras, Alison/Alvaro jogando beach volei contra Brouwer/Meeuwsen da Holanda, os Brasileiros ganhando 2-0 nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 realizados em 2021, na cidade de Tóquio, Japão. (Foto: Richard Callis /Fotoarena/Folhapress)
TÓQUIO, TO - 29.07.2021: OLIMPÍADA TÓQUIO 2020 TÓQUIO - Os Brasileiras, Alison/Alvaro jogando beach volei contra Brouwer/Meeuwsen da Holanda, os Brasileiros ganhando 2-0 nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 realizados em 2021, na cidade de Tóquio, Japão. (Foto: Richard Callis /Fotoarena/Folhapress)

MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) - Alison, 36, e Álvaro, 30, lutaram bastante para chegar às Olimpíadas de Tóquio. De um lado da quadra, um campeão olímpico e um estreante na competição. Uma história que lembra Londres-2012, quando Alison era estreante ao lado de Emanuel --conquistaram a prata naquele ano.

Foi a experiência de Ricardo e Emanuel que costurou a dupla. Alison havia sido influenciado primeiro: Emanuel tinha um estafe grande, multidisciplinar, para prepará-lo. Álvaro, que cresceu vendo os dois treinando, jogou com Ricardo e também absorveu a mentalidade vencedora.

"Foi uma herança da época em que joguei com o Emanuel, sim", diz Alison à Folha. "Ele me dizia que atletas diferenciados têm equipes grandes e é por isso que estamos aqui. Saímos da 46ª posição no ranking mundial para essa classificação às Olimpíadas."

Com os atletas, o estafe soma 19 pessoas, entre gestor, técnico, fisiologista, nutricionista, fisioterapeutas e psicóloga. Paraibano, Álvaro sonhava em ter uma equipe desse porte e aceitou o projeto desde o começo.

"Eu já achava essencial ter uma equipe assim. Caí de paraquedas numa equipe pronta e também fiz o que precisava para manter o alto nível. Até me mudei para o Espírito Santo, sozinho no começo, e valeu totalmente a pena", conta Álvaro.

O caminho dos atletas para chegar à disputa das Olimpíadas não foi fácil. A dupla fora formada pela influência de Ricardo -a quem Alison pediu conselho- e mal teve tempo para treinar. O ano de 2019 inteiro foi cheio de competições e viagens, com um breve período de férias no final.

Depois disso, as coisas mudaram. Veio a pandemia e Álvaro, que já tinha levado a esposa para o Espírito Santo, desfez o contrato de aluguel e voltou para João Pessoa para ficar próximo da família. Os treinos se mantiveram de forma online.

"A pandemia foi difícil para nós dois. Primeiro porque tivemos que nos separar logo quando estávamos afinando o jogo e depois porque os concorrentes europeus e asiáticos voltaram a treinar antes da gente", analisa Alison.

Mas se engana quem pensa que os jogadores esmoreceram. Pelo contrário. Com o adiamento da Tóquio-2020, os dois ganharam uma motivação extra.

Álvaro, por exemplo, seria pai logo após a data original dos Jogos. Alison e a esposa decidiram que também tentariam após a competição. Com o adiamento, os dois conheceram a alegria da paternidade.

"Quando vimos o adiamento, minha esposa e eu decidimos que era a hora de tentarmos. O Álvaro já tinha tudo planejado. Eu consegui ter tempo de acompanhar a gravidez e de ver minha filha nascer", revela o campeão olímpico.

Para Alison, essa também será a maior competição em que estará sem o pai, que faleceu em 2018. Suporte durante toda a carreira, a ausência da figura paterna foi algo que martelou a cabeça do atleta. Tornar-se pai mudou sua vida.

"Meu pai foi minha força. Sempre foi muito próximo de mim. A saudade dele é muito grande, para falar a verdade. Eu sempre falava com ele após os jogos. Minha filha ainda é muito nova, mas sei que algum dia verá tudo isso."

Álvaro também tem uma relação próxima com o pai. Os dois até disputam quem tem mais troféus, já que a vaquejada está no sangue da família, e as conquistas, enfileiradas nas vitrines de casa.

"Ele fica dizendo que eu tenho que ganhar mais que ele", brinca Álvaro, rindo. "Mas a verdade é que meu pai é um cara que sempre estive muito próximo. Fui criado em cima de um cavalo, já tomei muita queda ao lado dele. O chapéu de couro nos pódios foi um pedido dele e uso sempre que chego. Aqui em Tóquio, se conseguirmos o resultado, não vou poder usar, o que é uma pena", conta Álvaro.

Apaixonados por futebol, os dois atletas têm semelhanças e diferenças, como é normal em cada dupla. Alison conheceu o vôlei por não conseguir uma vaga no futsal em sua cidade. Álvaro jogou pelo Botafogo-PB na adolescência, mas descobriu o vôlei de praia e até faltou às aulas para assistir aos treinamentos.

É com essa trajetória que pisam na areia Alison e Álvaro. De uma posição baixa no ranking até as Olimpíadas, os dois já conseguem se imaginar colocando uma medalha no pescoço. Um presente para os pais, para os filhos, pelo esforço.

Alison e Álvaro voltam às areias de Tóquio nesta segunda-feira (2), às 9h (de Brasília). O duelo contra os mexicanos Josue Gaxiola e Jose Rubio é válido pelas oitavas de final. A partida será realizada na quadra central do Shiokaze Park.

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