Estátua que lembra alunos mortos na ditadura pega fogo na UFF

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Corpo de Bombeiros foi chamado para atender a ocorrência de princípio de incêndio. (Foto: Reprodução)
Corpo de Bombeiros foi chamado para atender a ocorrência de princípio de incêndio. (Foto: Reprodução)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Uma estátua homenageando alunos mortos pela ditadura pegou fogo, no DCE da UFF no Rio

  • Princípio de incêndio aconteceu durante um evento em homenagem a Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB

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Um princípio de incêndio assustou alunos da UFF (Universidade Federal Fluminense) na noite desta sexta-feira (6), no centro de Niterói (RJ), durante um evento em homenagem a Fernando Santa Cruz, estudante desaparecido em fevereiro de 1974 após ser preso por órgãos de repressão da ditadura militar (1964-1985).

O Diretório Central de Estudantes diz que um grupo de ex-alunos da instituição, os "UFFSauros", exibia um documentário sobre Santa Cruz com a presença de sua irmã, Dora, no terceiro andar da sede quando uma pessoa avisou que a estátua que fica no térreo estava pegando fogo, por volta das 22h.

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As labaredas foram inicialmente controladas pelo diretor de patrimônio do DCE com um extintor, e depois pelos bombeiros, que confirmaram a ocorrência. Ninguém ficou ferido.

Os agentes tiveram que quebrar a escultura, porque a origem do fogo estava dentro dela, como mostra um vídeo feito no momento do incêndio. A pessoa que está filmando cita uma corda no interior da estátua que estaria gerando as faíscas.

Veja o vídeo:

Segundo o coordenador-geral do DCE, João Neto, a escultura foi feita na década de 1990 e representa os alunos que morreram durante a ditadura militar. Ele não sabe dizer o autor. "Não temos como afirmar que foi um incêndio criminoso, mas foi muito estranho. Estamos indo registrar a ocorrência na Polícia Federal", disse.

Além de pedir uma perícia à PF, o grupo informou em nota que vai solicitar uma investigação independente à reitoria da UFF. "Esse ato de intolerância e violência é muito emblemático para o momento político em que nós vivemos", afirma o comunicado.

Fernando Santa Cruz foi um militante da Ação Popular Marxista-Leninista, dissidência da Ação Popular, grupo de esquerda formado pela juventude católica em 1962. Ele foi visto pela última vez por seus familiares em 23 de fevereiro de 1974, segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade.

Ele havia saído de casa para encontrar um amigo de infância e havia dito à família que, caso não voltasse até as 18h daquele dia, "provavelmente teria sido preso". Santa Cruz é o patrono e dá nome ao diretório acadêmico da UFF.

Em julho, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) causou polêmica ao dizer que não foram os militares que desapareceram com Santa Cruz, que é pai do atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz. Bolsonaro disse, sem apresentar provas, que os responsáveis pelo seu sumiço foram integrantes da própria Ação Popular.

A versão de Bolsonaro, que ele disse genericamente ter ouvido de pessoas cujos nomes não citou, contraria toda a série de documentos produzidos pela própria ditadura sobre Fernando.

Vinculada ao governo federal, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos retificou no fim de julho o atestado de óbito de Fernando para que constasse no documento que ele foi vítima de "morte não natural, violenta, causada pelo estado brasileiro".

da Folhapress

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