Inédito Mundial de judô pré-Olimpíada tem volta de Mayra e disputas internas

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*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 11.08.2016: RIO-2016 - Mayra Aguiar. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 11.08.2016: RIO-2016 - Mayra Aguiar. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As mudanças no calendário de competições provocadas pela pandemia da Covid-19 geraram uma situação inédita no judô: a realização de um Campeonato Mundial a um mês e meio do início dos Jogos Olímpicos.

Os Mundiais costumar ser organizados anualmente, com exceção do ano olímpico. A excepcionalidade do adiamento dos Jogos, porém, trouxe o evento sediado em Budapeste para o período de preparação para Tóquio. As disputas começam neste domingo (6) e vão até o dia 13.

Será a última chance para os atletas obterem pontos valiosos no ranking que define os classificados e os oito cabeças de chave do torneio olímpico. Para ir ao Japão, os judocas precisam estar entre os 18 melhores de cada categoria (no máximo um por país) ou entrar pela cota continental.

Atualmente, o judô brasileiro estaria representado em 12 das 14 categorias, além da competição por equipes mistas, novidades da Olimpíada de Tóquio. Nos pesos leves feminino (57kg) e masculino (73 kg), Ketelyn Nascimento e Eduardo Barbosa tentarão em Budapeste melhorar suas posições ainda em busca das vagas.

A representante dos 57 kg seria a campeã olímpica Rafaela Silva, não fosse a suspensão de dois anos por doping confirmada no fim do ano passado.

Uma das principais apostas da delegação brasileira, a bicampeã mundial e duas vezes medalhista de bronze olímpica Mayra Aguiar (78 kg) entrará em sua primeira competição desde o início da pandemia. Ela passou por cirurgia no joelho esquerdo em setembro de 2020 e estava afastada do circuito.

Mais reclusa desde então, Mayra deu entrevista coletiva em abril e contou que foi necessário fortalecer a parte mental da sua luta como nunca. "A positividade sempre funcionou comigo. Eu tento entrar numa bolha do que é positivo, do que é bom. Claro, sabendo o que está acontecendo [ao redor], mas podendo, quando preciso me focar, me focar. Eu entro na minha cabeça e me equilibro."

No Mundial, em quatro categorias o Brasil terá dois representantes que estão dentro da zona de classificação. São os casos de Ketleyn Quadros e Aléxia Castilhos (63 kg), Rafael Buzacarini e Leonardo Gonçalves (100 kg) e dos atletas dos pesos-pesados.

Nesta última, as disputas estão abertas entre Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza (acima de 78 kg) e Rafael Silva e David Moura (acima de 100 kg). Quaisquer que sejam os integrantes da delegação olímpica, eles chegarão ao Japão com chances de pódio. Maria Suelen, 32, é a sexta colocada do ranking, e Beatriz, 23, a sétima. Duas vezes medalhista de bronze olímpico, Rafael, o Baby, 34, está em sétimo e compete com David, 33, na 11ª posição.

"Pensando na classificação, na disputa com o David, consegui uma certa vantagem nas últimas competições, mas o Mundial é um torneio que vale muitos pontos", afirma Baby à Folha. Mundial um mês antes da Olimpíada é complexo. A gente não sabe como está, tem atleta que vai optar por não ir e alguns vão com foco porque são o número dois dos seus países."

O judoca, que representa o clube Pinheiros, conta que teve dificuldades para treinar em 2020, por conta da pandemia. "O ano passado foi muito turbulento, não consegui praticar o judô. Para a parte física você consegue alugar os equipamentos. Quanto ao judô, senti bastante falta."

A delegação brasileira conseguiu viajar para várias competições do circuito mundial neste ano, mas não foi bem na principal delas até agora, o Masters de Doha, realizado em janeiro. Dos 18 enviados para a disputa, apenas 3 ganharam ao menos uma luta. Nenhum deles chegou ao pódio.

Ney Wilson Pereira, gestor de alto rendimento da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), afirmou que a entidade, em parceria com o COB (Comitê Olímpico do Brasil), conseguiu oferecer aos atletas condições de preparação em Pindamonhangaba, além de treinamento de campo com europeus no Kosovo, na Geórgia e na Rússia.

"Os resultados mais recentes, como os quatro pódios no Grand Slam de Tbilisi e os cinco pódios no Grand Slam de Kazan, mostram nossa evolução e indicam que o planejamento está no caminho certo. Esperamos alcançar nossos objetivos nesse Mundial. Queremos melhorar o ranking das categorias que ainda estão fora da zona de classificação olímpica e definir as disputas internas pelas vagas do Brasil", disse.

Nesta semana, a confederação confirmou a baixa de Daniel Cargnin (66 kg), que recebeu diagnóstico de Covid-19. O judoca, que passa bem e cumpre isolamento, não terá sua vaga ameaçada, mas tampouco somará pontos na briga para ser cabeça de chave.

Nos casos em que a concorrência interna for mais equilibrada (seis ou menos posições de diferença no ranking, sem que apenas um deles possa ser cabeça de chave), a CBJ escolherá quem vai a Tóquio levando em consideração não apenas as colocações, mas outros critérios técnicos, entre eles o histórico recente de confrontos diretos.

Judô brasileiro no Mundial de Budapeste

Seleção feminina

48kg - Gabriela Chibana (Pinheiros/SP)

52kg - Larissa Pimenta (Pinheiros/SP)

57kg - Ketelyn Nascimento (Pinheiros/SP)

63kg - Ketleyn Quadros (Sogipa/RS)

63kg - Aléxia Castilhos (Sogipa/RS)

70kg - Maria Portela (Sogipa/RS)

78kg - Mayra Aguiar (Sogipa/RS)

+78kg - Maria Suelen Altheman (Pinheiros/SP)

+78kg - Beatriz Souza (EC Pinheiros/SP)

Seleção masculina

60kg - Eric Takabatake (Pinheiros/SP)

73kg - Eduardo Katsuhiro Barbosa (Paineiras/SP)

81kg - Eduardo Yudy Santos (Pinheiros/SP)

81kg - Guilherme Schimidt (Minas Tênis Clube/MG)

90kg - Rafael Macedo (Sogipa/RS)

100kg - Rafael Buzacarini (Paineiras/SP)

100kg - Leonardo Gonçalves (Sogipa/RS)

+100kg - Rafael Silva "Baby" (Pinheiros/SP)

+100kg - David Moura (Instituto Reação/RJ)

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