Impedido de entrar na Austrália, Novak Djokovic tem histórico de declarações sem apoio na ciência

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Novak Djokovic, a não ser que ocorra uma reviravolta, não vai disputar o Aberto da Austrália. Ele viajou até Melbourne imaginando ter uma autorização especial, mas, sem comprovante de vacinação contra a Covid-19, ficou retido no aeroporto e não teve sua entrada no país permitida pelas autoridades.

Quando anunciou que estava de partida para o torneio, o sérvio gerou revolta em parte da população australiana, que vem sendo submetida a restrições por causa do aumento nos casos de infecção pelo novo coronavírus. Fãs do tênis também se irritaram com o que viram como um privilégio ao atleta de 34 anos, que se posicionou contra a vacinação praticamente desde o início da pandemia.

O tenista gera repercussões negativas com frases e atitudes ligadas à Covid-19 desde 2020. Em junho daquele ano, ainda em um dos momentos mais críticos no espalhamento do Sars-Cov-2 pelo planeta, ele organizou um campeonato amistoso na Sérvia e na Croácia em que não se observaram distanciamento e maiores cuidados sanitários.

A disputa teve de ser cancelada porque vários participantes foram infectados, entre eles o próprio Djokovic, além de sua mulher. Mesmo assim, o número um do mundo não se mostrou arrependido de ter promovido a competição -que teve arquibancadas cheias- e proferiu novas frases que o fizeram ser chamado de negacionista.

"Sou contra a vacinação" havia sido uma das primeiras, ainda em abril de 2020. Antes, ele se dissera avesso a medicamentos e cirurgias. Mais tarde, o sérvio voltou a se opor à ciência que chamou de tradicional e defendeu teses pouco ortodoxas, como a de que o pensamento pode purificar a água.

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CONFIRA ALGUMAS DAS DECLARAÇÕES DADAS PELO ATLETA DURANTE A PANDEMIA (E UMA ANTES DELA)

"Chorei por dois ou três dias após a cirurgia no meu cotovelo. A cada vez que pensava no que fiz, sentia que havia falhado comigo mesmo. Eu estava tentando evitar subir naquela mesa [de cirurgia] porque não sou fã de operações ou medicações. […] Acredito que nossos corpos sejam mecanismos que se curam."

Em novembro de 2018, sobre a intervenção médica a que foi submetido no cotovelo

"Pessoalmente, eu sou contra a vacinação e não gostaria de ser forçado por alguém a tomar a vacina para poder viajar."

Em abril de 2020, sobre vacinação obrigatória

"Conheço pessoas que, por meio da transformação energética, por meio da força da oração, por meio da gratidão, conseguiram transformar a comida mais tóxica ou talvez a água mais poluída na água mais curativa."

Em maio de 2020, sobre a força do pensamento

"Não acho que tenha feito nada ruim, para ser honesto. Eu lamento pelas pessoas que foram infectadas. Mas sinto culpa por alguém que tenha sido infectado daquele ponto em diante na Sérvia, na Croácia e na região? É claro que não."

Em agosto de 2020, sobre os casos de Covid-19 no torneio que organizou, o Adria Tour

"As intenções foram certas e corretas, e, se eu tivesse a chance de fazer o Adria Tour de novo, faria de novo."

Em agosto de 2020, ainda sobre o campeonato amistoso

"Eu não vou revelar minha situação, se eu fui vacinado ou não. É um assunto particular e uma pergunta inapropriada."

Em outubro de 2021, sobre seu processo de imunização (ou a ausência de um)

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