Iluminado, Rodrygo é opção de Tite para manter Brasil mais ofensivo

Ao longo de toda a preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, Tite manteve mais do que a coerência com suas escolhas. Deixou, sobretudo, que o modelo de jogo do Brasil a partir da chegada de uma nova safra de talentos se impusesse por si só. E na hora de pensar no substituto de Neymar no jogo de amanhã, contra a Suíça, a escolha natural seria Rodrygo, que desempenha a função no time reserva, e é quem faz com que a formação ofensiva com quatro atacantes sofra a menor alteração possível.

Desde a base do Santos, o jovem criado na Vila Belmiro conta que sempre ia ao estádio ver Neymar jogar. Dessa vez, a história pode se inverter para o garoto nascido em Osasco (SP). E a chance vir quando menos se esperava.

— Rodrygo iluminou meus olhos. Pode chamar de craque. Tem o dom de jogar futebol. Quando toca na bola, sai alguma coisa. É bonito de assistir — elogiou Casemiro, que jogou com ele no Real Madrid, sem revelar a escolha de Tite.

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A chance como titular na Copa do Mundo seria o ápice daquele que vem sendo um 2022 excepcional para Rodrygo. O atacante transformou o duelo com o PSG pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, quando saiu do banco com a equipe espanhola em desvantagem de dois gols e ajudou na virada para um 3 a 2 na soma dos placares.

Nas quartas de final contra o Chelsea, voltou a ser um substituto salvador, marcando o gol que levaria o duelo para a prorrogação, em que Vini Jr. e Benzema entraram em ação para mandar os antigos campeões para casa. E na semifinal, diante do Manchester City, foi ainda mais decisivo, marcando dois gols nos acréscimos que levaram a partida à prorrogação.

Segundo mais novo

Rodrygo também marcou o seu primeiro gol com a camisa da seleção brasileira em fevereiro, contra o Paraguai, apesar de ter ficado apenas oito minutos em campo. Pelo clube espanhol, tem nove gols e nove assistências na temporada em que se tornou titular. Seja no comando do ataque, no lugar de Benzema, por trás do centroavante, e também na ponta direita, já que a esquerda é dominada hoje por Vini Jr.

Além da manutenção do sistema de jogo, com Rodrygo o treinador ganharia ainda em velocidade e capacidade de recomposição, mesmo que perca em criatividade sem o seu camisa 10. Aos 21 anos, o atacante só não é o caçula da equipe porque Gabriel Martinelli, meses mais novo, foi chamado. Ainda assim, o jogador do Real Madrid tem vivência de grandes jogos na Europa. Ele chama atenção por ser uma opção não apenas na função de Neymar, mas também nas pontas.

— Me sinto confortável jogando em todas as posições da frente. Camisa 10 eu fazia desde a base — lembrou Rodrygo ainda em Turim, no começo da preparação.

Na ocasião, o atacante brincava que seria difícil jogar na função, já que a seleção tinha Neymar, e que buscaria treinar para ser especialista para uma futura vaga:

— Venho mostrando no clube que posso estar em qualquer lugar. Estou à disposição. Onde o Tite quiser me usar estou aí.

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Maior frescor

Rodrygo encaixaria de forma perfeita na estrutura de jogo a partir de um esquema 4-1-4-1, que evolui para um 3-2-5 e finaliza em um 2-3-5. Sem a bola, ainda teria uma melhor recomposição defensiva, pois tem maior frescor e capacidade física. Na estreia, Neymar foi o homem da sobra, obrigando Vini Jr., Raphinha e Richarlison a se deslocarem para fechar espaços e, muitas vezes, perseguirem os laterais até o fundo quando o Brasil pressionava a defesa da Sérvia.

Com o time mais postado, o Brasil tinha os pontas recuados em uma segunda linha de quatro jogadores, e Neymar e Richarlison na frente. Acostumado a jogar também pela esquerda, Rodrygo pode alternar com Vini Jr. nessa segunda linha e ocupar, com a bola, exatamente a faixa de campo por onde Neymar se desloca

— Fred é mais dinâmico, joguei bastante com ele. Já Paqueta abre, e o Vini Jr. fica mais leve na frente. Depende do que o treinador quer. Importante é fazer a função direito — comentou Casemiro. — A defesa começa no Richarlison.

Tite ainda não anunciou o time que entra em campo amanhã. Se Rodrygo larga na frente por não ter que gerar adaptação ao esquema, Paquetá mais adiantado com a entrada de um volante ao lado de Casemiro é a alternativa.