Ilha de Man: a "corrida da morte", considerada a mais perigosa do mundo

Mike Hailwood durante a edição de 1962 do troféu (AP Photo)
Mike Hailwood durante a edição de 1962 do troféu (AP Photo)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Não é novidade para ninguém que provas de motovelocidade são de alto risco. Uma, no entanto, parece ultrapassar todos os limites. Um percurso de 60 quilômetros em vias públicas entre montanhas e áreas rurais -- tudo isso acontece na tradicional corrida do Troféu Turístico da Ilha de Man (originalmente, Isle of Man Tourist Throphy), considerada a mais perigosa do mundo. Neste ano, o evento realizará a sua 100ª edição.

O título de corrida mais perigosa do mundo não é por acaso. O evento é realizado anualmente desde 1907 na pequena ilha situada entre a Inglaterra e a Irlanda e desde então já registrou mais de 140 mortes. Considerando também os acidentes fatais em outras disputas realizadas no circuito, como a Manx Grand Prix, o número de mortes passa de 250. Essa estatística sombria fez com que a prova na Ilha de Man ficasse conhecida também como a "corrida da morte".

"38 milhas de terror todos os anos", escreveu a revista Sports Illustrated em 2003. "Um teste de nervosismo e velocidade que pode ser considerado o evento mais perigoso dos esportes."

O circuito, sem dúvidas, é bastante desafiador. O trajeto conta com curvas entre ruas e estradas, não há áreas de escape, e os pilotos aceleram a mais de 300 quilômetros por hora em meio a árvores, postes e muros. No ano passado, três mortes foram registradas em corridas na Ilha de Man. Em 2005, houve o número recorde de nove acidentes fatais (três durante o TT da Ilha de Man e seis durante o Manx Grand Prix).

Até mesmo os acidentes que não terminam em morte costumam cobrar um preço alto dos pilotos. Em 2010, Conor Cummins, natural da Ilha de Man, passou dois meses no hospital após perder o equilíbrio em uma curva, sair da estrada e cair pela encosta de uma montanha. Em resumo, não há margem para erros.

Neste cenário assustador, o principal adversário dos motociclistas é o próprio circuito. Tanto é que a largada é individual e os pilotos arrancam com um intervalo de 10 segundos entre si. A vitória fica com aquele que completar o percurso em menor tempo. Em 2018, o britânico Peter Hickman estabeleceu o recorde da pista ao completar uma volta em 16m42.778s com velocidade média de 217.989 km/h.

Curiosamente, a perigosa prova fez parte do Mundial de Motovelocidade até 1976. A corrida foi retirada do calendário da MotoGP após pilotos e equipes se manifestarem contra os riscos de disputar a prova no "Circuito da Montanha".

Atualmente, a Ilha de Man é vista como um destino impensável até mesmo para os principais nomes da motovelocidade mundial.

"Tenho muito respeito pelos pilotos que disputam, mas não gosto. Ando de moto para me divertir e buscar o limite, mas para mim a Ilha de Man é como brincar com a vida", disse o espanhol Marc Márquez, sete vezes campeão mundial, em abril deste ano ao ser questionado sobre o assunto.

Apesar das inúmeras críticas por conta da falta de segurança, as corridas na Ilha de Man são realizadas há mais de um século. O próprio evento, em seu site oficial, se define como "obrigatório para os fãs de automobilismo em todo o mundo". Os desafios, inclusive, são vistos por muitos pilotos como uma motivação extra para encarar o circuito.

Além disso, há um grande entusiasmo do público com a corrida a cada ano. A ilha, com população de aproximadamente 88 mil pessoas, recebe em torno de 40 mil visitantes de todo o mundo durante as duas semanas que acontece o TT da Ilha de Man.

A centésima edição do Troféu Turístico da Ilha de Man será disputada neste ano entre 25 de maio e 7 de junho. Apesar de existir há 112 anos, o evento teve 12 corridas canceladas durante as guerras mundiais (o evento não foi realizado nos períodos de 1915 a 1919 e 1940 a 1945) e quando houve a epidemia de febre aftosa no Reino Unido em 2001.

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