IFAB anuncia novas orientações em relação à mão na bola; entenda

Antonio Mota
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MANCHESTER, ENGLAND - NOVEMBER 21: Referee David Coote points to the penalty spot as he allows Manchester United to retake a penalty, following Sam Johnstone of West Bromwich Albion (not pictured) being off his line for the original penalty kick during the Premier League match between Manchester United and West Bromwich Albion at Old Trafford on November 21, 2020 in Manchester, England. Sporting stadiums around the UK remain under strict restrictions due to the Coronavirus Pandemic as Government social distancing laws prohibit fans inside venues resulting in games being played behind closed doors. (Photo by Alex Livesey/Getty Images)
MANCHESTER, ENGLAND - NOVEMBER 21: Referee David Coote points to the penalty spot as he allows Manchester United to retake a penalty, following Sam Johnstone of West Bromwich Albion (not pictured) being off his line for the original penalty kick during the Premier League match between Manchester United and West Bromwich Albion at Old Trafford on November 21, 2020 in Manchester, England. Sporting stadiums around the UK remain under strict restrictions due to the Coronavirus Pandemic as Government social distancing laws prohibit fans inside venues resulting in games being played behind closed doors. (Photo by Alex Livesey/Getty Images)

Com o objetivo de simplificar e facilitar a interpretação dos árbitros dentro de campo, a International Football Association Board (IFAB) – órgão responsável por regulamentar as regras do futebol – vai alterar mais uma vez as orientações em relação à mão na bola. Em nota, a entidade resumiu a nova regra – a qual vai entrar em vigor a partir do dia 1º de junho: “Será infração toda vez que a mão ou braço expandir a área do corpo de forma não natural”, segundo informações do UOL Esporte. 

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Um detalhe importante é que, em abril do ano passado, a IFAB também modificou a orientação em relação à mão na bola. À época, a entidade indicou que o toque de mão acidental no ataque somente deveria ser marcado caso culminasse diretamente em um gol ou em uma “ocasião manifesta de gol”. Agora, com a nova indicação, se o toque de mão involuntário de um jogador gerar uma assistência para outro atleta marcar um gol, o lance vai ser legal.

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O árbitro Marcelo de Lima Henrique, da categoria Master, da CBF, explicou as mudanças na regra. | Lucas Uebel/Getty Images
O árbitro Marcelo de Lima Henrique, da categoria Master, da CBF, explicou as mudanças na regra. | Lucas Uebel/Getty Images

Em conversa com o Portal Lance! (via UOL Esporte), o árbitro Marcelo de Lima Henrique, da categoria Master, da CBF, comentou sobre a mudança na regra. 

"A mudança foi muito simples. Um exemplo claro é: eu sou atacante, o goleiro vai repor uma bola, eu estou com o braço colado ao corpo... Se a bola bater no meu braço e entrar no gol, essa mão ainda continua sendo marcada. Da mesma forma que, se o goleiro chuta, a bola bate no meu braço junto ao corpo, cai no chão e eu finalizo, a falta será marcada”, iniciou o homem do apito. 

"O que não vai ser mais marcado é: no mesmo exemplo, caso a bola pegue no braço de um atacante depois do chute do goleiro, mas sobra pra outro atacante que faz o gol, essa mão não será mais marcada, logo o gol vai valer. Resumidamente, uma mão acidental poderá dar um passe para outro atleta, porém, não poderá dar um passe para o próprio jogador que a utilizou sem intenção", completou.

Exemplos

Questionado, Marcelo de Lima Henrique também avaliou dois lances e definiu se algo mudaria com a nova regra. Primeiro, o árbitro comentou sobre um gol anulado de Neymar na final da Champions League de 2015. O lance: o então atacante do Barcelona cabeceou e marcou, mas a bola tocou em sua mão antes de entrar no gol e, por isso, foi anulado. Algo mudaria com a nova regra? Não. 

"Ele foi cabecear a bola, o braço dele está em uma posição natural, porém, não importa (com a nova regra), o futebol não aceita um gol de mão, mesmo acidental. Se essa bola pega na mão dele, cai no chão e ele mesmo faz o gol, também tem que anular. Agora, pela nova regra, caso a bola batesse na mão dele, caísse no chão e fosse para um outro companheiro que fizesse o gol, seria validado", esclareceu o árbitro.

O outro exemplo foi mais recente. Já na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2020, o lateral Moisés, do Internacional, fez um cruzamento rasteiro e a bola pegou no braço de apoio de Ramiro, do Corinthians, que estava dentro da área. O árbitro de campo marcou o pênalti, mas anulou posteriormente com o auxilio do VAR. Com a nova regra, o penal também não seria marcado. 

"Isso é um lance de vídeo, no campo é muito complexo, é importante a gente ter o ponto de contato na hora exata que a bola pega no braço, não depois que pega e vai escorregando (o braço). Isso é um braço de apoio clássico, está na regra. E essa mão, a partir de 1º de junho, vai ficar mais clara ainda como uma mão natural de jogo e da situação do carrinho", explicou.

Melhor para o futebol

Marcelo de Lima Henrique também avaliou as novas orientações como um todo e acredita que a tendência é de que as interpretações em campo sejam menos polêmicas. O árbitro ainda elogiou a FIFA e a IFAB. 

"Eu acho que as medidas foram importantes, porque mão na bola e bola na mão é sempre um tema muito sensível, e a Fifa e a IFAB têm a preocupação de deixar claro esse tema para todo mundo do futebol. Obviamente, demora um pouco para que as medidas sejam facilmente entendidas, e a partir de 1 de junho elas serão validadas. Espero que, pelo menos, diminua um pouco as polêmicas sobre esse tema em todo o mundo, não somente no Brasil", analisou.

Quando vai entrar em vigor no Brasil?

A International Football Association Board estabeleceu que a nova regra vai entrar em vigor a partir do próximo dia 1º de junho. Porém, como lembra Marcelo de Lima Henrique, essa data foi escolhida apenas por uma tradição. As ligas de todo o mundo podem solicitar uma permissão para a utilizar a regra antes. 

"A IFAB sempre coloca a data para 1º de junho, é uma tradição. Porém, as ligas às vezes pedem para iniciar antes. Por exemplo, nosso Campeonato Brasileiro começa em maio. Pela norma antiga, isso só poderia entrar em vigor no campeonato do ano que vem, porque não pode alterar regra em um campeonato em vigor", finalizou.