Ideias usadas por Pochettino no PSG já derrubaram Guardiola da Champions

BRUNO RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um time que domina a posse de bola e gosta de ocupar o campo do rival com muitos jogadores. O outro que se fecha mais atrás e, quando recupera a bola, sai rápido no contra-ataque para chegar de forma mais direta ao gol adversário.

Deverá ser essa a tônica do confronto entre Paris Saint-Germain (FRA) e Manchester City (ING) nesta quarta-feira (28), no Parque dos Príncipes, pelo jogo de ida das semifinais da Champions League. A partida, que começa às 16h (de Brasília), terá transmissão da TNT e do Facebook da TNT Sports.

Técnico do City, Pep Guardiola não abre mão de suas convicções quanto ao estilo de jogo da equipe. O catalão quer seus atletas com a bola no pé o tempo todo.

Nas quatro partidas de mata-mata que o clube fez nesta edição da Champions, contra Borussia Mönchengladbach (ALE) e Borussia Dortmund (ALE), o time inglês teve pelo menos 58% de posse em todas elas. A chave, para o catalão, é o que fazer com essa posse e não torná-la estéril.

O Manchester City tem buscado colocar o maior número possível de jogadores em seu campo ofensivo, empurrando os adversários para dentro da própria área. O desenho tático, quando os ingleses têm a bola, é um 3-2-5, com atacantes bem abertos para abrir as defesas rivais.

Sinal de que a posse de bola dos comandados de Guardiola não é infrutífera está no número de finalizações que o time teve nas últimas quatro partidas, válidas pelas oitavas e quartas de final do torneio.

Contra o Mönchengladbach, finalizou nove vezes na vitória por 2 a 0 na ida (e teve 60% de domínio da posse), em território alemão, e 11 vezes no duelo de volta, em Manchester, que também terminou com triunfo por 2 a 0 (e 64% do tempo com a bola).

Diante do Dortmund, finalizou em 11 oportunidades no jogo disputado na Inglaterra e 15 vezes na Alemanha. Ambos os duelos terminaram com vitória de 2 a 1 a favor dos ingleses (e com um índice de 58% da posse de bola).

Para Guardiola, os enfrentamentos com equipes alemãs, em sua maioria praticantes de um jogo mais direto quando roubam a bola, foi um bom teste para encarar o adversário da semifinal europeia.

Recuar e sair rapidamente no contra-ataque tem sido o expediente do Paris Saint-Germain de Mauricio Pochettino, que chegou ao clube francês pouco antes do início do mata-mata da Champions. E Guardiola sabe disso.

"Vamos ceder contra-ataques e chances. Eles têm a qualidade e são extraordinários, mas a única maneira de minimizar essas coisas é impor nosso jogo. Quanto mais você for você mesmo, mais chance tem de passar de fase. Se você pensar no oponente, é mais difícil", disse o catalão nesta terça (27).

O PSG de Pochettino teve menos posse de bola em todos os quatro jogos que disputou somando as oitavas, contra o Barcelona (ESP), e as quartas, contra o atual campeão Bayern de Munique (ALE). Na vitória por 3 a 2 sobre os bávaros na Alemanha, ficou apenas 39% do tempo com o domínio.

Por outro lado, percorreu mais quilômetros em campo do que seus adversários em três dessas quatro partidas. A exceção foi o duelo com o Bayern em Paris, com os alemães precisando reverter a série após a derrota em casa.

O sistema do técnico argentino privilegia o talento de Neymar e Mbappé, os dois atletas acionados no momento dos contra-ataques. Isso não significa que eles não tenham funções defensivas.

Apesar de jogarem mais adiantados, ambos contribuem para fechar linhas de passe dos adversários e apertar a saída de bola dos rivais quando têm a oportunidade. O primeiro e o terceiro gols do triunfo em Munique foram de contra-ataque, aproveitando a defesa alta do Bayern -como também atua a defesa do City.

"O técnico [Pochettino] pediu para eu cortar as opções de passe de Kimmich junto com o Ney, e quando tivéssemos a bola, queria que eu desse profundidade. Eu estava pronto para o desafio e funcionou bem", disse Mbappé, autor de dois gols no jogo de ida contra os bávaros.

Permitir que o adversário passe mais tempo com a bola e responder com a saída rápida para o ataque foi a estratégia de Mauricio Pochettino quando seu Tottenham (ING) eliminou o Manchester City, de Pep Guardiola, nas quartas de final da Champions League de 2018/2019.

Na vitória por 1 a 0 no primeiro duelo, em Londres, a equipe do treinador argentino ficou 41% do tempo com a posse da bola. Mas correu mais que o adversário (112 quilômetros contra 108) e finalizou mais (13 contra 10).

Em Manchester, no confronto de volta, o domínio do time de Guardiola foi ainda maior. Os londrinos registraram apenas 37% de posse, mas novamente correram mais que o adversário (113 quilômetros contra 111). O City venceu por 4 a 3 e acabou eliminado por conta do gol qualificado.

O Tottenham de Pochettino pressionava mais alto do que o PSG que ele comanda hoje, mas o que o técnico não negocia é que seu time corra muito menos que o rival.

Em Paris, aparentemente, seguem vigentes as práticas que ficaram na memória do atacante Daniel Osvaldo e do meio-campista Jack Cork, comandados pelo argentino no Southampton (ING).

"Ele faz você sofrer como um cachorro, e naquela hora você o odeia. Mas no domingo (dia do jogo), você é grato a ele, porque funciona", disse Osvaldo, também argentino.

"Você precisa de dois corações para jogar à moda Pochettino", afirmou Cork.