Prematuro para tudo na vida, baiano de 21 anos chama atenção com análises de futebol

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Ícaro se dedica às análises desde 2016 e também já foi técnico na várzea (Arquivo Pessoal)
Ícaro se dedica às análises desde 2016 e também já foi técnico na várzea (Arquivo Pessoal)

Aos dois anos de idade, Ícaro Caldas (@10icarocaldas no Twitter) já vestia o uniforme da Seleção Brasileira. O baiano de 21 anos foi prematuro para tudo na vida, inclusive no nascimento, aos seis meses e 24 dias. Conhecer o mundo tão novo teve um preço: Ícaro ficou na encubadora por cerca de 40 dias e, ainda sem tanta consciência do que veria à diante, decidiu que estaria sempre lutando para conquistar seu espaço. Hoje, ele desponta no cenário das análises de futebol no Brasil.

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Foi por isso que aos 11 anos começou a trabalhar como lavador de carros. “Mas isso não é romântico”, alerta Ícaro. “Eu ia para a escola e não podia comprar os lanches que via meus amigos comprarem. Era doloroso, sabe? E aí eu continuei trabalhando. Fui vendedor de camisa, caixa de bar”, conta.

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“Saí de uma batalha muito grande para esse sucesso. Sou um baiano favelado que está entrando no cenário nacional, mas sempre com os pés no chão. Achei que demoraria um pouco mais, mas faço o que amo. Espero que tudo o que vivi abra o caminho para mais nordestinos sonhadores em nosso país”.

Ícaro nunca deixou de estudar. Se tinha aula pela manhã, ia ao trabalho à tarde e vice-versa. Os fins de semana eram de pouca curtição porque também corria atrás de conseguir algum bico. Os pais não gostavam muito, mas também viam que o esforço do menino seria recompensado em algo grande.

E foi. Longe dos carros, foi uma camisa verde e amarela que chamou a atenção de Ícaro ao futebol pela primeira vez. O ano era 2006 e o Brasil disputava a Copa do Mundo. Ele não consegue lembrar qual foi o jogo que viu pela primeira vez, mas aquele primeiro passo o colocou em direção ao Vitória em 2008. Foi instantâneo.

“As análises só começaram em 2016, com aquele time do Vitória que tinha Argel como técnico e Marinho como jogador. Eu queria entender as funções dentro de campo e aí comecei a estudar. Pedi a um tio meu que me desse ou o livro do Guardiola ou o do Ferguson de aniversário. Ele me deu os dois. Foram minhas primeiras leituras grandes na vida”, ele lembra.

No processo, o baiano conheceu o programa DataESPN e mastigou os programas em anotações. Ele já postava os conteúdos no WhatsApp, mas resolveu enviar um conteúdo para o jornalista Renato Rodrigues, do DataESPN, que respondeu positivamente. Se estava indo bem, precisava investir mais e começou uma página de análises.

“Eu não tinha computador nessa época. Era tudo no celular lá em 2016 e 2017. Como meu aniversário é em maio e estávamos vivendo a Copa do Mundo em 2018, meus familiares fizeram uma vaquinha e me deram um computador para fazer as minhas análises. O caminho se abriu e fiz uma análise do Vitória numa rádio local em 2018, por exemplo”.

Em 2019, na verdade, Ícaro entrou com os dois pés no cenário das análises. Foi citado por Mário Marra por conta de um pré-jogo que escreveu para uma partida do Brasil contra o Paraguai, analisou uma jogada do Vitória junto a Elton Serra, participou do programa Jogo Aberto e…

“O Fernandinho, do City da Seleção, me seguiu. Ele curtiu uma análise minha e eu já gostava muito do futebol dele, coisa de ídolo. Nossa amizade cresceu, ele sempre vendo minhas análises, trocando uma ideia pelas redes sociais. No meu aniversário no ano passado, ele me ligou por vídeo surpresa e aí foi que eu vi que era realmente uma amizade. Amizade com o ídolo, imagina?”, surpreende-se o garoto.

Além da amizade com Fernandinho, Ícaro também começou a ter contato com o filho do técnico Tite, Matheus Bachi, e isso se tornou uma amizade. Em matéria para o Esporte Espetacular, inclusive, a equipe da Globo reuniu na mesma chamada Ícaro, Fernandinho e Matheus Bachi. Ele também já foi repostado pelo Manchester City ao fazer uma análise do time.

“Chegam muitas mensagens para mim, sabe? Eu saí de 5 mil seguidores para quase 33 mil em menos de um ano. Me sinto abençoado. E alguns analistas chegam e dizem que se baseiam no meu trabalho, que estão lutando para conseguir espaço ao ver a minha história… É bem bonito”.

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