Hudson, do Fluminense, critica "falta de humanidade" em retomada do Campeonato Carioca

AFP
Jogadores de Flamengo e Bangu treinam antes de uma partida do campeonato carioca em 18 de junho de 2020 no Maracanã com portões fechados
Jogadores de Flamengo e Bangu treinam antes de uma partida do campeonato carioca em 18 de junho de 2020 no Maracanã com portões fechados

O meio-campo do Fluminense, Hudson Rodrigues, criticou nesta quarta-feira a retomada do Campeonato Carioca e considerou uma "falta de humanidade" jogar no Maracanã, em cujo complexo há um hospital de campanha para atender pacientes de Covid-19.

"É lógico que é muito difícil jogarmos futebol, que é o esporte do país, que comove o país inteiro, que é a paixão de milhares de torcedores que vivem por isso e parecer que não está acontecendo nada lá fora", explicou Hudson em uma coletiva de imprensa virtual.

Para o volante, de 32 anos, "o maior exemplo disso é o Maracanã, que tem um hospital de campanha dentro do complexo e a gente fazer um gol e ter uma pessoa morrendo do lado. Isso é, no mínimo, estranho, sem humanidade. É não pensar no próximo".

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O Campeonato Carioca tornou-se na quinta-feira passada o primeiro torneio sul-americano a retornar às atividades após a suspensão causada pela pandemia, com uma partida entre Flamengo e Bangu (3-0) no estádio.

O reinício do torneio dividiu os quatro principais clubes do Rio: Flamengo e Vasco da Gama o apoiaram, enquanto Fluminense e Botafogo se opuseram e foram à Justiça pedir para não jogarem até o mês de julho.

O Supremo Tribunal de Justiça do Esporte (STDJ) acabou marcando o retorno da competição para os dois clubes no próximo domingo, quando o Fluminense deve receber o Volta Redonda e o Botafogo enfrenta a Cabofriense no estádio Nilton Santos.

Hudson, uma das contratações do Fluminense para esta temporada, afirmou que a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) decretou o retorno do campeonato devido a "interesses externos".

"A gente tem noção das coisas quando acontecem perto da gente, com um familiar, com um parente próximo, e talvez as pessoas responsáveis por toda a programação, pelo calendário, não estejam agindo com a maior humanidade possível, estejam agindo por interesses externos e internos", declarou.

"Infelizmente, como jogadores de futebol, teremos que superar tudo isso para poder estar em campo e performar em alto rendimento", acrescentou Hudson.

O Rio de Janeiro é o segundo estado mais afetado no Brasil pelo coronavírus, depois de São Paulo. De acordo com o último boletim do governo, mais de 9.100 pessoas morreram no estado por COVID-19, que também deixou mais de 100.000 infectados.

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