Uma homenagem ao sexagenário Nelson Piquet

Foto 12: O brasileiro Nelson Piquet, antes do tricampeonato, era conhecido quando garoto em Brasília como "Sujeira" ou "Pobreza".Foto: Divulgação/Pilotos
Foto 12: O brasileiro Nelson Piquet, antes do tricampeonato, era conhecido quando garoto em Brasília como "Sujeira" ou "Pobreza".Foto: Divulgação/Pilotos

A sexta-feira é dia de festa para um homem que venceu corridas, foi três vezes campeão do mundo e escreveu algumas das melhores histórias de rivalidade e arrojo nas pistas do mundo, Nelson Piquet Souto Maior. Hoje, o piloto chega ao seu 60º aniversário e o Amigos da Velocidade não poderia deixar passar a chance de prestar uma homenagem a um verdadeiro astro das pistas.

Nelson nasceu em 17 de agosto de 1952, filho de Estácio Souto Maior (ex-ministro da saúde do governo João Goulart) e Clotilde Piquet, mas a “Cidade Maravilhosa” não seria sua casa por muito tempo, uma vez que a família mudou-se para Brasília. Na Capital Federal, ele acabou desenvolvendo sua paixão por carros, embora seu pai desejasse que ele atuasse em outo esporte, o tênis. Piquet chegou a ir para os Estados Unidos, onde ganhou uma bolsa de estudos numa universidade em Atlanta – onde faria engenharia, curso que já tinha começado na UnB até o terceiro período -, mas entre a bolinha de feltro e os motores, a velocidade acabou falando mais alto.

A briga para que ele não se envolvesse nas competições foi tanta, que teve que mudar o sobrenome para poder competir, usando por algum tempo a alcunha “Piket”. A manobra não deu muito certo e sua mãe descobriu a tramoia, mas já não havia como eliminar uma paixão tão arraigada. Depois de passar pelo kart, ele atuou em competições nacionais e o último passo foi a Fórmula Super Vê, onde travou várias disputas com Alfredo Guaraná Menezes. Piquet foi o campeão de 1976 e rumou para o Velho Mundo no ano seguinte.

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O começo na Europa

Em 1977, Nelson disputou o Europeu de Fórmula 3 e ele terminou a temporada em terceiro, atrás do campeão, o italiano Piercarlo Ghinzani e do sueco Anders Olafsson, que jamais chegou à F-1. Claro que o resultado não serviu para desanimá-lo e em 78, ele rumou para a Inglaterra, onde se impôs no certame batendo o seu compatriota, Chico Serra. O desempenho foi tão superior que rendeu sua passagem para outra categoria.

Fórmula 1

Em julho daquele ano, um jovem piloto assumiu o carro de número 22 da equipe Ensign, em Hockenhein, na Alemanha. Na largada, ele era o 21º, mas não terminou a prova com problemas no motor. Depois dessa prova ele ainda atuou pela BS Solutions, que usava um chassi McLaren e terminou o ano já na Brabham, que seria seu endereço até o fim de 1985. Seu melhor resultado neste ano foi o nono lugar no trágico GP da Itália, em que Ronnie Peterson (Lotus) perdeu a vida.

O ano seguinte foi de busca de espaço, problemas nas provas iniciais devido a incidentes, mas um quarto lugar em Zandvoort, na Holanda foi suficiente para que a categoria soubesse que um novo astro estava chegando à ribalta. No fim do ano, quando Niki Lauda resolveu parar com as competições pela primeira vez, e o time tinha deixado de lado os problemáticos motores Alfa-Romeo indo para os Ford-Cosworth, Nelson conseguiu melhores desempenhos de classificação.

Piloto de ponta e campeão

Em 1980, a equipe deu a ele um confiável chassi, o BT49 com o qual conseguiu suas três primeiras vitórias, em Long Beach (EUA), Holanda e Itália. Na temporada, Piquet disputou o título palmo a palmo com Alan Jones (Williams), mas um choque em Montreal, na penúltima prova do ano fez com que ele batesse no muro e tivesse que usar um outro carro para a nova largada. Aconetce que o monoposto estava com a configuração de classificação e o motor durou apenas 21 voltas, abandonando a prova e abrindo caminho para o único título mundial de Jones.

No ano seguinte, rês vitórias (Argentina, San Marino e Alemanha) e uma consistente fase final de campeonato o deixaram em condição de chegar à prova final em Las Vegas precisando chegar na frente de Carlos Reutemann (Williams), fato que aconteceu com o quinto lugar do brasileiro contra o oitavo do argentino. Como até 2002 só os seis primeiros pontuava, Carlos não somou pontos e o campeonato acabou com o placar de 50 a 49. Claro que a situação provocou uma pequena rusga ao atual senador da Argentina. Após a prova, Reutemann disse que perdeu o título para o moleque que engraxava suas rodas.

O detalhe é que essa história tem seu fundo de verdade, uma vez que em 1974 a Fórmula 1 fez uma prova de exibição em Brasília, para inaugurar o circuito recém construído e Piquet conseguiu um trabalho com o time para engraxar as rodas usadas pela equipe.

O bi e os tempos difíceis

Em 1982, sua defesa de título não foi a que ele esperava, com uma vitória no Canadá, uma não classificação em Detroit (EUA) e diversas quebras no motor BMW montado em seu carro. A situação mudou em 83 com outras três vitórias (Brasil, Itália e Europa) e 59 pontos somados e derrotando Alain Prost (Renault) com 57. A temporada seguinte viu um Piquet se destacando em classificação e tendo problemas em corridas. O momento de maior brilho veio apenas em junho, nas provas do Canadá e Detroit.

Para 1985, mais dificuldades com o carro, os pneus Pirelli que não rendiam tanto quanto os Goodyear e apenas uma vitória, na França. Era hora de mudar de ares e ele rumou para a Williams.

Casa nova, brigas e o tri

Na Williams, Piquet chegou com a condição de primeiro piloto e apoio total de Frank Williams, entretanto um acidente após um teste privado em Paul Ricard (França) fez com que o dirigente se afastasse das atividades cotidianas do time e deixasse a administração na pista sob os cuidados de Patrick Head. Isso fez com que o outro piloto da equipe, Nigel Mansell tivesse tanta ou mais atenção que Piquet. Em 1986, Nelson venceu no Brasil, Alemanha, Hungria e Itália, mas foi apenas o terceiro colocado, ficando atrás de Mansell e do campeão, Alain Prost (McLaren)

O ano de 1987 viu Piquet sofrer um sério acidente em Ímola, sede do GP de San Marino e que acarretou em notes mal dormidas e a perda de velocidade por um tempo, mas quando pontuava, Nelson terminava as corridas em segundo lugar e isso teve um papel determinante para o tri, que contou com as vitórias na Alemanha, Hungria e Itália. Porém, o clima interno no time estava deteriorado e ele não suportava mais dividir o box com Mansell e ele mais uma vez mudou de ares.

Dois anos perdidos

Para 1988 e 1989, a Lotus era o time que ele defendeu e no primeiro ano ele veio com status de tri campeão mundial. Nem seu companheiro de equipe, Satoru Nakajima o incomodava. O problema foi o carro ruim - equipado com motor Honda - do primeiro ano que rendeu 22 pontos e três pódios além de muitas reclamações. Em 1989, o carro era melhor, mas o motor era o fraco Judd, que rendeu sua segunda não classificação para uma corrida. 12 pontos e muitas dúvidas sobre seu futuro na categoria, Teria sua história

O renascimento e o adeus

A Benetton foi o novo time em 1990 e de desacreditado, Piquet fez uma de suas melhores campanhas somando 44 pontos válidos e um descartado, finalizando o ano com 43, mas o seu maior feito foi levar um time sem muitas ambições a duas vitórias, no Japão e na Austrália, naquela que foi a prova de número 500 da F1. Em 91, uma vitória com uma imensa dose de sorte no Canadá foi o último grande ato de sua participação na categoria quanto terminou o ano com 26,5 pontos e ajudou um piloto a dar seus primeiros passos na F1, Michael Schumacher.

Estados Unidos, acidente e retorno

Sem lugar na F1, embora existissem boatos de um possível acerto dele com a Ferrari para entrar no lugar de Ivan Capelli, que não vinha agradando no começo de 1992, Nelson rumou para os EUA e foi tentar a sorte em Indianápolis. Seu desempenho nos treinos vinha agradando não apenas a equipe Menard, que deu a ele o carro 27, mas um acidente na curva 4 do famoso oval causou um susto enorme em seus fãs e no automobilismo como um todo. A batida de frente com o muro foi forte e ele precisou de muito tempo de recuperação, mas nada que tirasse sua vontade de viver, tanto que em 1993 ele estava no grid, conseguiu o 13º lugar no grid, mas abandonou a prova com menos de 30 voltas completadas.

Turismo

Após a tentativa de sucesso em terras estadunidenses, Pique se dedicou as provas de turismo, como Le Mans, às 24h de Spa e a Espron, aqui no Brasil. Ele também passou a concentrar suas atenções na carreira de Nelsinho Piquet, ajudando em sua chegada à F1.

O empresário e pai

Piquet atualmente é dono de uma empresa do setor de rastreamento de veículos, teve três casamentos, com Maria Clara, Sylvia e Viviane e sete filhos (Geraldo [piloto da Fórmula Truck], Nelsinho, Kelly, Julia, Pedro e Marco, além de Lazslo, fruto de sua união com Catherine).

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