Historiadora conta como foi morar com o "sumido" Belchior por três meses e viraliza

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Belchior em Santa Marta (RS): entre poemas, música e natureza (reprodução/Twitter)
Belchior em Santa Marta (RS): entre poemas, música e natureza (reprodução/Twitter)

Belchior passou anos "sumido" da família e da mídia. Ao todo, foram seis anos de vida anônima acompanhado da companheira Edna, vivendo com a ajuda de amigos entre cantos escondidos do Rio Grande do Sul e Uruguai - até a sua morte, causada por aneurisma da aorta, em abril de 2017. A jornada, contada com esmero no livro Apenas um rapaz latino-americano, de Medeiros, agora ganha mais cores e imagens após um relato sensível de uma historiadora da arte no Twitter.

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Marina Trindade fez uma thread na rede social sobre como foi viver com o cantor e compositor por três meses em Santa Marta, no Rio Grande do Sul. Ele foi abrigado com Edna pelos pais dela na casa da família. “Eu e teu pai estamos com uma visita um tanto inusitada. Ninguém pode saber que eles estão com a gente”, relembrou Marina do aviso da mãe. A partir daí, a historiadora viu a sua admiração por Belchior, presente há muitos anos em sua vida, só crescer com a convivência.

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Antônio, como o artista gostava de ser chamado, gostava de jantar com a família, sempre na companhia de taças de vinho. No prato de Bel, assim como o de Marina, só se via peixe. Após as refeições, todas as noites, o hóspede oferecia dicas de livros e passava horas com Edna caçando vídeos no Youtube, muitos deles relacionados à sua obra, como a versão dos Engenheiros do Havaii para Alucinação e o seu dueto com o Los Hermanos no palco do Altas Horas, programa da TV Globo.

Belchior se manteve ativo intelectualmente durante o período. Escrevia poemas, contos e músicas, com uma letra impecável, em cadernos emprestados e se admirava com o canto de pássaros. Além disso, compartilhava a sua impressão pessoal sobre outros grandes artistas brasileiros. "Todo mundo dizia que Raul era louco, mas na verdade ele era só um cara engraçado mesmo", dizia sobre Raul Seixas.

"Foi um presente ter visto de perto a intimidade a rotina os gostos e desgostos dele. Um ser de inteligência rara, eterno poeta. A dor de ter perdido ele n vai embora, mas o que ficou foram esses breves momentos, tão leves, tão autênticos", disse Marina, que viu Belchior pela última vez no Natal de 2013, antes que Belchior e Edna seguissem viagem para destino desconhecido. "Acho que ele só gostaria de ver nós, jovens, com dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, cartaz", finaliza a historiadora.

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