Herói do Palmeiras, Patrick de Paula teve a Taça das Favelas como trampolim antes de brilhar em título paulista

Marcello Neves
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Patrick de Paula, à direita, quando jogava no time do Cara Virada, de um projeto social

O gigantesco aporte financeiro envolvido na decisão do Campeonato Paulista, neste sábado, chega a constranger quando comparado com o risível investimento feito no bairro de Santa Margarida, um dos mais pobres da Zona Oeste do Rio. Se de um lado há uma moderna arena esportiva, do outro são simples campos de terra que abraçam adolescentes sonhadores. Quis o destino que esses caminhos se unissem e um desses jovens fosse decisivo entre os milionários de São Paulo.

Vencer sempre fez parte da história de Patrick de Paula, volante do Palmeiras que bateu o pênalti que rendeu o título do Paulistão contra o arquirrival Corinthians. Mas muito antes de ver a cobrança superando o goleiro Cássio, ele precisou sair vitorioso da batalha pela vida. Criado em um dos bairros mais perigosos do Rio, ele contou com o apoio de um projeto social para trilhar o caminho do esporte.

— Estou muito feliz, trabalhei bastante para estar aqui comemorando esse título com meus companheiros — declarou Patrick de Paula após o título paulista.

Ninguém tem dúvidas do quanto o jovem de apenas 20 anos batalhou. Até 2017, Patrick era apenas mais um a dar seus chutes nos campos de várzea de Santa Margarida. Na época, defendia o Cara Virada Futebol Arte, um projeto social que usa o esporte como arma contra a violência. Foi com a camisa laranja como o terrão onde ele chamou a atenção de alguns olheiros.

O encontro com o Palmeiras aconteceu em 2017, quando membros da equipe de análise e desempenho foram até o Rio para acompanhar a edição da Taça das Favelas daquele ano e buscar jovens talentos. Patrick chamou a atenção pelo seu "potencial enorme" e "excelente desempenho físico". O título ficou em outras mãos, mas foi o volante quem ganhou a chance de fazer um teste no Alviverde.

Malas nas mãos, viagem para São Paulo marcada e aprovação unânime no teste lhe colocaram nas categorias de base. Antes, era um meia-atacante que chegava bastante na área, mas foi recuado para volante e mesmo assim marcou 17 gols em 95 jogos. Na base alviverde, a sua liderança e aptidão por jogos grandes chamavam atenção, tanto que ele foi elogiado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo.

— O Patrick veio de campeonato de favela. Imagine de onde ele saiu. Ele via gente dando tiro para tudo quanto é lado, então ele só está preocupado em jogar futebol. Hoje, esses moleques não se assustam com mais nada — disse o treinador.

Antes de brilhar contra o Corinthians, Patrick já havia decidido a semifinal do Paulistão ao marcar o gol que classificou o Palmeiras contra a Ponte Preta. Já observado por clubes europeus, o Alviverde tratou de correr para renovar o seu contrato, que agora é válido até dezembro de 2024 e carrega uma multa milionária.