Herói galês, Gareth Bale chega à Copa do Mundo como incógnita

Habituado com a inatividade em suas equipes, Gareth Bale comandará o País de Gales em seu retorno à Copa do Mundo depois de 64 anos sem ter participado do momento mais importante da história de seu novo clube, o Los Angeles FC, classificado para sua primeira final na MLS.

As ausências do atacante nos jogos decisivos da equipe, cercadas de sigilo sobre sua condição física, deixam em alerta os torcedores galeses, que vivem uma época dourada sob a liderança de Bale, com a participação em duas Eurocopas e agora com a primeira presença em um Mundial desde 1958.

"Sinto muito por não ter jogado no outro dia", desculpou-se o atacante com uma família de fãs galeses que tinha viajado mais de 8 mil quilômetros para vê-lo em Los Angeles.

A situação, que ecoou pela mídia britânica, aconteceu em agosto, poucas semanas depois de Bale ter sido recebido com pompa pelo Los Angeles FC.

Finalmente, os torcedores puderam conhecer seu ídolo depois de um treino e saíram com fotografias e autógrafos. O episódio reflete o momento de Bale nos Estados Unidos, onde, ao contrário de seus amargos últimos anos no Real Madrid, carrega um semblante alegre em todas as suas aparições, embora nunca tenha conseguido a sequência de jogos que deseja.

- Problemas físicos -

O galês, de 33 anos, não entra em campo desde o dia 2 de outubro e só participou de 12 dos 17 jogos do Los Angeles FC, apenas dois como titular, com um balanço de dois gols e nenhuma assistência.

Com Bale descartado por uma lesão na perna esquerda, da qual não se sabe mais detalhes, o Los Angeles FC superou o LA Galaxy (3-2) em sua primeira eliminatória de playoffs.

No último domingo, o galês foi relacionado, mas ficou no banco na vitória por 3 a 0 sobre o Austin FC, que levou sua equipe à grande final de 5 de novembro contra o Philadelphia Union.

Apesar do status de Bale, principal jogador do Los Angeles FC, o treinador do time, Steve Cherundolo, preferiu manter seu trio de atacantes formado pelo capitão Vela, o colombiano Christian Arango e o gabonês Denis Bouanga.

Os torcedores tinham expectativas muito maiores sobre um jogador que, segundo ele mesmo disse ao ser apresentado, não foi a Los Angeles para se preparar para o Mundial, mas sim para "ficar o maior tempo possível" e ajudar o futebol a crescer nos EUA.

"Contratamos Gareth como um jogador que acreditávamos que podia pegar ritmo, entrar em forma e ser capaz de ajudar a equipe, e quero destacar que ele fez isso. Ele nos ajudou a ganhar vários jogos, quando pôde jogar", defendeu o gerente do clube, John Thorrington.

"É uma pena que alguns problemas físicos o impediram de ter um maior protagonismo. Esperamos que isso mude e que ele possa nos ajudar. Ele trabalha incrivelmente duro, é um profissional de primeira", disse Thorrington sobre Bale, que em sua primeira temporada tem um salário base de US$ 1,6 milhão, muito longe dos jogadores mais bem pagos da MLS.

- Atuações decisivas -

No País de Gales, o técnico da seleção, Rob Page, tentou minimizar os temores pela inatividade de sua estrela, cuja última etapa no Real Madrid já estava marcada por uma sequência de lesões.

"Ele está bem", afirmou Page à Sky Sports em uma entrevista recente. "Tive conversas com ele e está bem. Está numa idade que tem que administrar seu corpo".

"Ele tem essa experiência para ajudá-lo a entender seu corpo e como estar na melhor condição possível para nós", ressaltou o treinador.

O time galês se apega à indiscutível capacidade de seu líder para brilhar nos momentos decisivos, como na partida contra a Áustria nas eliminatórias para a Copa em março. Nesse dia, Bale marcou dois espetaculares gols na vitória por 2 a 1, apesar de quase não ter jogado pelo Real Madrid desde o início do ano.

Page está ciente de que vai precisar do atacante afiado para estreia no Mundial no dia 21 de novembro contra os EUA pelo Grupo B, no qual depois vai enfrentar Irã e Inglaterra.

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