Herói do Botafogo em 1995, Wagner fez “aposta de Manga” antes de final

Goal.com

Quando você pensa ou vê uma imagem do título brasileiro conquistado pelo Botafogo em 1995, conquista reprisada pela TV Globo neste domingo (07), é impossível não fazer uma associação, logo de cara, com Túlio Maravilha. Afinal de contas, o fanfarrônico atacante decidiu na final contra o Santos e de fato teve uma temporada com média de gols no nível de Cristiano Ronaldo. Mas o herói da finalíssima alvinegra foi o goleiro Wagner.

Botafoguense desde criança, o camisa 1 operou milagres naquele 17 de dezembro no Pacaembu. Finalizado o duelo, ajoelhou-se no gramado em lágrimas. Naquele momento, virou imortal para os torcedores do Glorioso – que anos depois pintariam sua imagem no muro dos ídolos que fica na frente da sede social de General Severiano, ao lado de outros ícones históricos que vão de Nilton Santos e Garrincha até Loco Abreu e Jefferson.

Relembre a campanha do Botafogo no título de 1995

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Mas o que poucos sabem é que Wagner, segundo contado no livro “O Botafogo de 95”, cogitou abandonar o futebol no início daquela temporada, desiludido com as poucas chances. As oportunidades acabaram vindo e o arqueiro de 1,89m não decepcionou naquele ano. Na finalíssima, o Santos finalizou seis vezes e o relato do jornal O Globo diz que Vágner (escrito com “v”, ao contrário da grafia de seu batismo) “fez pelo menos cinco defesas fantásticas no segundo tempo. Ágil, seguro, foi o dono do jogo, um dos maiores heróis do título”.

A defesa que ficou na história foi de puro reflexo. Bate-rebate dentro da área, a bola sobra para Giovanni e o craque santista bate forte e rasteiro; a esfera passa por entre as pernas do zagueiro botafoguense Gottardo, como que se já antecipasse o destino que parecia óbvio até Wagner, com a ponta dos dedos, jogar a bola para escanteio. Em meio à euforia pós-apito final naquele 1 a 1, que dava o título ao Glorioso após o 2 a 1 no duelo de ida, o arqueiro desabafou e também criticou o clima de “já ganhou” dos adversários antes daquele duelo.

“Ganhamos o jogo por 2 a 1 no Maracanã, a torcida do Santos saiu fazendo festa. Há quem diga que os jogadores, dentro do vestiário, já estavam comemorando o título... eu não vi, mas algumas pessoas da imprensa viram e passaram para a gente, e isso aí nos incomodou bastante, né”, relembrou Wagner em entrevista exclusiva para a Goal Brasil realizada em 2015.

Mesmo que de forma velada, entretanto, Wagner optou por combater fogo com fogo. Se os jogadores santistas tinham certeza de que o título seria deles, o botafoguense também sentia isso e arriscou: encomendou a compra de um Tempra zero quilômetro, um dos carros daquela época, e agendou o pagamento para a segunda-feira, dia seguinte à final.

A história, que mostra uma atitude parecida com as realizadas pelo emblemático goleiro Manga, que antes de clássicos contra o Flamengo dizia que “o bicho (dinheiro pago pela vitória) era certo”, também foi relatada no livro “O Botafogo de 1995”.

Único jogador creditado com a “nota 10” na avaliação do jornal O Globo sobre aquela final de 1995, Wagner também soou como outro grande ídolo botafoguense no seu discurso de vitória. Se Quarentinha, maior artilheiro do clube em todos os tempos, se recusava a comemorar gols por acreditar que aquilo era o básico que poderia fazer, o camisa 1 seguiu linha semelhante ao recusar o carimbo de herói.

“Não me sinto um herói. Fiz o que tinha de fazer num jogo decisivo. Sou pago para defender as bolas que vão para meu gol e acho que tive sorte na decisão. Fiz somente minha obrigação”, disse ao jornal impresso no dia seguinte ao triunfo.

Entre semelhanças ocasionais com Manga, pela compra antecipada, e do discurso humilde no estilo de Quarentinha, Wagner conseguiu deixar eternamente o seu espaço e sua marca na longa e respeitável história de grandes ídolos botafoguenses.

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