Hamilton entra para os livros de história do esporte

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Hamilton venceu. De novo. Foto: Charles Coates/Getty Images
Hamilton venceu. De novo. Foto: Charles Coates/Getty Images

Por Renan Martins Frade, de São Paulo

Nos anos 1980 e 1990, os feitos de Juan Manuel Fangio pareciam coisas de outro tempo. Cinco títulos mundiais eram reservados aos livros de história, enquanto os grandes pilotos chegavam na marca do tricampeonato - Ayrton Senna poderia ter ido além, mas morreu cedo, e Alain Prost conquistou o tetra. Terminava aí.

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Veio, então, Michael Schumacher.

O alemão conquistou sete campeonatos. A história foi feita embalada com os hinos da Alemanha e da Itália. No total, foram 91 vitórias, 68 poles, 77 voltas mais rápidas e 155 pódios. Quando Schumi se aposentou, o sentimento era mais ou menos aquele de anos antes em relação ao Fangio: ninguém superaria aquelas marcas. 

Neste domingo (3), Lewis Hamilton foi campeão mundial, conquistando o sexto título. Quem tem na casa dos 30 anos ou mais, se não viu Fangio ao vivo, viu os outros dois maiores da história -- ao menos nos números, caso você não concorde com a afirmação pura e simples.

Podemos dizer que a confirmação da conquista veio em um Grande Prêmio dos Estados Unidos com bastante esforço do inglês. Depois de não fazer uma boa classificação, o piloto da Mercedes acelerou bastante, soube tomar conta dos pneus e lutou ativamente pela vitória. Já no trecho final da corrida, o agora hexacampeão foi ultrapassado por um Valtteri Bottas com pneus novos - que, vale lembrar, tinha largado na pole position e estava em um grande fim de semana. Ainda deu tempo de segurar a Red Bull de Max Verstappen para garantir o segundo lugar, mais do que o necessário para o hexa. 

O GP dos EUA teve outros destaques, claro. Alexander Albon, Daniel Ricciardo, Lando Norris e Sergio Perez tiveram boas pilotagens, cada um dentro de suas possibilidades e adversidades. A Ferrari andou para trás. No entanto, tudo isso perde importância comparado à marca alcançada no Circuito das Américas, em Austin, Texas. 

Afinal, são seis títulos em 13 temporadas, 83 vitórias em 249 corridas, um aproveitamento de cerca de 33%. Em poles, são 87, o que dá 37% de aproveitamento. A cada três GPs da F1 desde 2007, Hamilton fez a pole e venceu um deles. 

Isso em um esporte no qual ele é o primeiro - e, até hoje, único - negro a competir na categoria maior. 

De perto, na mesma época, é até difícil dimensionar os feitos de Hamilton. Muitos vão falar de Senna, de Prost, de tantos outros que acompanharam. A realidade é que é realmente complicado comparar épocas diferentes, com desafios diferente e outros adversários. Podemos, apenas, usar os números frios. Neles, Lewis precisa de apenas uma temporada para superar Schumacher em vitórias e igualar em títulos. 

Mas, se você me permite dizer, os dois já tem o mesmo tamanho no panteão do esporte. 

Também há aqueles que vão falar do domínio da Mercedes. Realmente, estamos presenciando a maior sequência de uma equipe na história da Fórmula 1. Só que se há amplo domínio, além das eventuais falhas dos adversários, há muito mérito de Hamilton, além de Toto Wolf, Niki Lauda e de cada um dos funcionários da equipe. Um esforço em equipe.

Podemos, apenas, torcer para que os adversários se preparem melhor para 2020. Se o hepta vier, que seja com suor e lágrimas de Lewis Hamilton. 

De resto, relaxe e aproveite. A história foi feita neste 3 de novembro de 2019, você goste ou não. Se é assim, sejamos felizes testemunhas dela.

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