Hala Madrid: Que venha o número um

Não é da boca para fora que se diz que o Real Madrid deve ser formado pelos melhores jogadores do mundo. E todo grande time começa por um grande goleiro. Ou, pelo menos, deveria. Infelizmente, não é o caso em Chamartín. Com todo o respeito, Keylor Navas não tem e nem nunca teve predicados suficientes para ser titular no Madrid. O costarriquenho é bom. Nada além disso. Vê os melhores do mundo a alguma distância. Tampouco é um jovem (30) de quem se possa esperar uma evolução futura. Dadas as circunstâncias, seria, no máximo, um ótimo reserva.

Mais do que nunca, convém frisar que aqui se trata apenas do aspecto esportivo. Em termos de profissionalismo, dedicação, humildade, não há nenhuma crítica a se fazer ao camisa 1. Vale lembrar que, em 2015, ele foi envolvido na "Operação De Gea" — um dos maiores micos da história do mercado de transferências. Naquele contexto, o arqueiro ficou horas esperando dentro de um avião no aeroporto de Barajas, na capital espanhola. Finalmente, os documentos não chegaram a tempo, e a troca com o Manchester United não aconteceu.

Navas, então, retornou à Valdebebas. Podia muito bem ter se recusado a jogar, depois da situação até humilhante a que foi submetido. Não o fez. Colocou a instituição e os torcedores acima de seu próprio orgulho. Ato seguinte, fez uma belíssima temporada, indo além de sua real capacidade. Como prêmio, mais um ano de titularidade. Em 2016/2017, no entanto, Navas não tem estado à altura. Demonstra um quê de afobação e insegurança. Até aqui, poucas atuações realmente elogiáveis e algumas falhas que custaram pontos à equipe. Mas, principalmente, são muitos os lances em que se pensa: "não é uma falha propriamente dita, mas espera-se que um goleiro do Real Madrid faça algo melhor na jogada". O pensamento subsequente é automático: "Um arqueiro 'top' provavelmente faria essa defesa".

Keylor Navas


(Foto: Getty Images)

Por "top" entenda, atualmente, De Gea, Courtois, Neuer e Buffon. Deles, só os dois primeiros são passíveis de negociação. Difícil, mas, ao menos, os seus respectivos clubes aceitam conversar. Donnarumma foi outro nome ventilado na imprensa. O italiano já é ótimo e aponta à goleiraço. Mas ainda é muito jovem, e não é hora para apostas.

Fato é que o Madrid precisa de um novo camisa 1. E, nesse sentido, só vale olhar para a primeira prateleira do futebol mundial. Afortunadamente, a mesma percepção parece imperar na cúpula madridista. Entre De Gea e Courtois, diga-se de passagem, prefiro o titular de La Roja. Mas é o tipo de escolha em que as duas alternativas são (extremamente) válidas.