Hala Madrid: Primeiro round: superado com louvor

Por Paulo Madrid

Nem nos meus sonhos mais otimistas eu pensei que poderia dizer que um 1-2 contra o Bayern, em Munique, ficou barato para os alemães. Claro, tal percepção está intrinsecamente atrelada às circunstâncias do jogo. Em tempo, seja como for, é um resultadaço, não sejamos ingratos. Para se ter uma ideia, o time bávaro não perdia em casa na UCL desde o 0-4 aplicado pelo próprio Madrid em 2014.

O Real Madrid desvencilhou-se bem dos temidos quinze minutos iniciais como visitante. Teve o controle da bola e, consequentemente, do jogo. Depois, no entanto, o time da casa cresceu e encurralou os merengues. Conseguiu dominar amplamente a posse de bola e pressionar muito a saída de bola dos blancos. Cristiano Ronaldo e Benzema ficaram um tanto ilhados. Nas poucas ocasiões em que conseguiu sair para o jogo, o Madrid pecou por falta de criatividade e abusou dos cruzamentos a esmo. E assim até o final da primeira etapa.

Vidal marcou o tento alemão em um escanteio aos 25 minutos, naquele que terminaria sendo o único erro de Nacho na noite de Munique. Em um dos últimos lances da primeira metade, o chileno ainda isolou um pênalti muito mal marcado pela arbitragem.

Os merengues voltaram melhores para a segunda etapa. É claro que um gol logo aos dois minutos ajuda bastante. Cristiano Ronaldo, que não marcava há 6 jogos na Champions, apareceu na hora precisa. Dessa vez foi, sim, decisivo. Carvajal, o homem da assistência, também foi um dos melhores em campo. Aos quinze minutos, Bale sentiu seu enésimo problema muscular, e Zidane resolveu ousar. Colocou Asensio ao invés de opções mais óbvias e experientes como seriam Isco ou Lucas Vázquez. Deu muito certo. O jovem foi bem demais, assistência incluída. Insisto, em condições normais de temperatura e pressão, esse garoto está destinado a grandes coisas. Logo depois, veio a expulsão de Javi Martínez. E o Madrid abordou a situação com maestria. Sem nenhum excesso de confiança, continuou a se defender com a mesma seriedade. Ofensivamente, adiantou as linhas e teve controle quase absoluto da posse de bola. Trabalhou a redonda com paciência e inteligência, abrindo o campo para criar espaços. Cristiano fez o segundo aos 32, completando cruzamento de Marco Asensio. Pelo volume de oportunidades criadas, fica a sensação de que poderia ter saído mais um gol. Mas Neuer é um gigante e sustentou sua equipe. Seja como for, o resultado é sensacional.

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(Foto: Getty Images)

Apesar disso, não se enganem, a eliminatória segue aberta. Estamos falando do Bayern de Munique, um gigante e um timaço, tanto quanto o próprio Real Madrid. O time alemão que, aliás, contará, no Bernabéu, com a volta do artilheiro Lewandowski, absolutamente fundamental para a equipe bávara. Os madridistas partem com uma boa vantagem, com certeza, mas longe de ser definitiva. Se entrincheirando na defesa como fizeram nos últimos quinze minutos do Derbi, possivelmente serão eliminados. Mas se mantiverem o desempenho visto no Allianz, a classificação é provável. O ponto chave é ganhar o meio de campo e ter o controle da posse de bola.

Pensando na próxima terça-feira, outro aspecto muito importante é o fato de que Sergio Ramos, pendurado, não levou cartão amarelo e estará presente no campo do Bernabéu. Com Varane e Pepe lesionados, a ausência do capitão deixaria o Madrid com somente um zagueiro disponível (Nacho) e armar a equipe seria um autêntico Deus nos acuda. Com dois centrais, as coisas se mantém dentro da normalidade e as chances de classificação aumentam bastante.