Hala Madrid: Nas asas do capitão (y nada más)

O que mais podemos dizer sobre Sergio Ramos? De qualquer jeito, inevitavelmente, é caso de chover no molhado. Insisto em que estamos testemunhando a trajetória de um dos maiores ídolos dos recém completos 115 anos de história do Real Madrid. Aproveitemos. Um sujeito que é a personificação dos valores madridistas e, como se não bastasse, costuma ter papel transcendental quando parece não haver saída. Anjo da guarda é uma boa definição. Em cada vôo, uma esperança, que se torna cada vez mais uma certeza. "Quem poderá nos salvar?" "Sergio Ramos", a resposta que flui naturalmente. Um herói tão grandioso quanto Chapolin Colorado, mas com uma vantagem bastante importante: nosso grande capitão é real, embora seus feitos sejam mais próprios de um personagem de ficção.

Sergio Ramos Napoli Real Madrid Champions League


(Foto: Getty Images)

Sofrimento define os 45 minutos iniciais. O Madrid entrou muito recuado, em ritmo lento, como quem queria administrar a vantagem. Tal postura, no entanto, resultou também de méritos do Napoli, e não apenas da incompetência dos merengues. Os donos da casa encurralaram os visitantes com uma marcação adiantada quase constante, muitas vezes colocando até sete jogadores no campo ofensivo. Kroos e Modrić foram completamente anulados, o que desarticulou os madridistas. Até mesmo sair do próprio campo era complicado. Bale, sem espaço para arrancadas, também não conseguiu oferecer soluções e ser a válvula de escape. O time só chegava ao gol napolitano quando os italianos erravam na saída de bola, o que aconteceu muito pouco. Enquanto isso, os comandados de Maurizio Sarri abriram o placar e ainda mandaram uma bola na trave, aproximando-se do 2-0 que já lhes bastaria.

NÚMEROS DE SERGIO RAMOS NA UCL


Por como se desenvolvia o confronto, prevalecia a impressão de que um gol seria suficiente para a classificação madrileña. O Napoli não demonstrava capacidade de marcar três vezes, por mais que fizesse uma ótima partida. O problema é o que o Real Madrid, até aquele momento, passava longe de ameaçar Pepe Reina, ao mesmo tempo que tentar segurar o 1-0 envolvia um risco gigantesco. Agarrados, portanto, ao retrospecto. Os madridistas vinham de 46 partidas seguidas marcando gols. Seria inacreditável que a sequência parasse exatamente ali, ainda mais porque um só gol já parecia bastar. 

Na volta do intervalo, os merengues se mostraram mais tranquilos, adiantaram a marcação e conseguiram tocar melhor a bola, rondando perigosamente a área adversária. Em suma, voltaram a um quadro mais semelhante ao seu padrão. Já o Napoli, até por desgaste físico, passou a alternar a marcação em todo o terreno com uma defesa a partir de seu próprio campo. Mas sempre que pressionava a saída de bola dos blancos, colocava-os em apuros. Até que aquele que é o terceiro defensor mais letal da história do Real Madrid — empatado com Roberto Carlos — adentrou a área italiana. Com a naturalidade própria de quem conhece muito do ofício, subiu de cabeça e empatou. Cinco minutos depois, novo escanteio, novo desvio e a virada. Pena que o juiz tenha se empenhado em ser estraga-prazeres. Anotou gol contra e arrebatou o glorioso doblete de Sergio Ramos. A partir daí, foi um jogo sem história. O Napoli se rendeu e o Madrid administrou em paz. Morata ainda fez o terceiro para dar números finais.

Vamos com calma. O heroísmo do capitão é divertido e é um seguro de vida. Mas não pode nos fazer fechar os olhos para outra atuação bem fraca do Real Madrid. Ainda tem muito o que melhorar se quiser de fato brigar pela Europa. O desafio mais óbvio que se apresenta no momento é conseguir repetir belas e seguras atuações coletivas — como a de sábado, contra o Eibar — também quando o BBC estiver em campo. Discussão que, convenhamos, existe já não é de hoje.