Hala Madrid: Hora da verdade, Real

Custei a conseguir não superlativizar a dura derrota de domingo no Clásico. Perguntei-me mil vezes porque não foi feita a falta naquele último lance. Até mesmo uma segunda expulsão era melhor do que permitir o contra-ataque. Ali, valia kamehameha, roundhouse kick, cuecão, o que fosse para matar a jogada. Só não valia deixar Sergi Roberto avançar.

Mas, enfim, o campeonato — no qual ainda estamos em vantagem, diga-se — demanda reação rápida. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. No fim do dia, o Madrid ainda depende apenas de si mesmo. Ou seja, o dolorido revés no Bernabéu pode diluir-se em nada, ter peso nulo na definição do título. Sob essa perspectiva, fica mais claro: é vida que segue. Temos dois troféus a ganhar.

Ato seguinte, o Real Madrid alternativo deu mais uma exibição de encher os olhos e goleou o La Coruña no Riazor. Talvez as rotações tenham sido especialmente importantes no sentido de evitar alguma ressaca do El Clásico. O time não demonstrou nenhum abatimento e foi extremamente intenso. Kovacić, Isco, Asensio deram aula de futebol. Chama atenção o fato de que uma escalação tão ofensiva não resulte em vulnerabilidade atrás. Basicamente, porque todos se dedicam também na fase defensiva, algo que nem sempre se verifica com os titulares em campo. Insisto em que os reservas merecem mais minutos.

Tanto que não tenho convicção de que a ausência de Bale seja um problema. O galês tem sofrido com sucessivos problemas físicos, não consegue ter continuidade e acaba não desenvolvendo seu melhor futebol. Some-se a isso que Isco, por campo e bola, merece há tempos uma vaga no onze de gala. Há males na vida que vêm para o bem (será?).

Voltando a falar de La Liga, os azulgranás têm tabela mais acessível nessa reta final. De jogos potencialmente complicados, apenas o dérbi catalão contra o Espanyol fora de casa e o duelo com o Villarreal em casa. Já o Real Madrid enfrentará mais dificuldades. Recebe Valencia e Sevilla, visita o Celta em Balaídos — em jogo adiado — e o encardido Málaga na última rodada. E se o Barcelona vencer todos os seus compromissos, os madridistas poderão perder no máximo dois pontos para serem campeões.

O Madrid que se vire. Seria absolutamente vergonhoso e inadmissível perder um campeonato que já esteve encaminhado mais de uma vez. Parece que a agonia se estenderá até a rodada final. Que os merengues consigam enfim fazer bom uso da vantagem que têm. É agora, ou vai ou racha.