Hala Madrid: Caindo na rotina

Não faz muito tempo, escrevi que o Real Madrid não tem padrão de jogo. Pois bem, mea culpa. Eu estava errado. Existe, sim, uma constante. Mais negativa do que positiva, porém. Há até mesmo um roteiro pré-determinado. Sempre pendente do épico, com sofrimento, no sufoco. Sempre com o mesmo herói.

É ótimo que o Madrid seja líder em gols de bola parada (12) e de cabeça (20) na LaLiga, e que Sergio Ramos seja mais decisivo do que muitos atacantes por aí. O zagueiro já soma onze tentos na temporada até agora, a grande maioria deles salvadores. O lado ruim é que, ultimamente, os merengues parecem muito dependentes da bola parada ou de cruzamentos com a bola rolando.

Nesse momento, falta repertório. Não há aproximação entre os jogadores na fase ofensiva, triangulações — fundamentais nos conceitos de futebol moderno — são coisa rara de se ver. Contra o Betis, por exemplo, o primeiro gol saiu de um cruzamento preciso de Marcelo para Cristiano Ronaldo. Não foi um lance criativo ou uma jogada coletiva. Foi apenas fruto do talento do melhor lateral-esquerdo do mundo, contando também com o bom posicionamento de Ronaldo. Não houve nenhuma construção exemplar, exuberante.
Outro problema crônico que precisa ser mencionado é o desempenho de Keylor Navas.

Real Madrid


(Foto: Getty Images)

Duas saídas a esmo. Uma resultou em gol do adversário (Las Palmas) e a outra só não acabou com o goleiro sendo expulso (Betis) porque o árbitro é fraco. É evidente que o arqueiro tem que sair para encurtar o espaço do oponente, mas ir para a dividida talvez não seja a melhor opção. Saia fechando o ângulo e depois tenha a frieza de esperar até o último instante pela definição do adversário. Coisa que Casillas, quando no auge, fazia como ninguém, e conseguia ter sucesso na maioria das ocasiões — Robben que o diga.
Apesar da afobação, Navas permaneceu em campo.

E, como se não bastasse a presepada anterior, ainda tomou um frango clássico poucos minutos depois. Está certo dizer também, por outro lado, que ele nos salvou no último lance do jogo, com uma intervenção monumental. Por ora, vou me ater a esses casos recentes, para não matar a possibilidade de um texto maior sobre a questão de quem é e quem deve ser o camisa 1 madridista.

NÚMEROS DO REAL EM LA LIGA E UCL

Para hoje, o que fica é que um goleiro do Real Madrid não pode ser tão inconstante. Embora, ao mesmo tempo, seja inegável que o costarriquenho tem aparecido mais do que deveria, o que diz de desajustes defensivos. Idealmente, nenhum desses dois fatores deve existir. Arqueiros de equipes gigantes devem intervir pouco, mas serem decisivos, capazes de ganhar jogos, quando o dever chamar.

Em suma, a recuperação passa por cortar os maus hábitos e diversificar os bons. Bola aérea, bola parada e Sergio Ramos são excelentes alternativas. Mas se forem exatamente isso, alternativas, possibilidades dentre tantas outras. É muito preocupante se, como atualmente, essas forem praticamente as únicas soluções. Por aí passa o futebol pobre e inseguro que o Real Madrid tem mostrado nos últimos tempos.