Time criado por ex-presidiário que ajuda a afastar jovens do crime em Londres

Hackney Wick faz papel social além de jogar non-league (Divulgação)
Hackney Wick faz papel social além de jogar non-league (Divulgação)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Não é só futebol. Para poucos casos a frase se encaixa tão bem quanto para um clube de um dos bairros mais violentos de Londres. Trata-se do Hackney Wick FC. Mais do que vencer partidas ou conquistar títulos: o time nasceu há quatro anos com a missão de ajudar jovens da comunidade a se afastar do crime.

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Tudo começou quando Bobby Kasanga, um ex-jogador de futebol semiprofissional, deixou a cadeia após duas detenções por roubo e um total de oito anos preso. Depois de cumprir a última pena, ele criou o próprio clube em fevereiro de 2015 com uma motivação que ia além das vitórias em campo.

O local escolhido para fundar o clube foi o bairro de Hackney, na zona leste de Londres, onde o próprio Kasanga cresceu. A região está em processo de revitalização, mas ainda sofre com a violência. O bairro tem 36% da população na pobreza e é dominado pela ação de gangues. O ex-presidiário, então, decidiu agir para afastar crianças e adolescentes dessa triste realidade, da qual ele próprio foi vítima.

"Basicamente, eu quis usar a minha experiência própria para fazer a diferença", resumiu Kasanga em entrevista ao jornal The Telegraph em março do ano passado.

A história de Bobby Kasanga, hoje com 32 anos, poderia ter sido diferente. Ele atuou em clubes de divisões inferiores da Inglaterra, mas acabou se distanciando dos gramados ao se envolver com gangues e crimes. Na prisão, percebeu o quanto o futebol poderia ajudar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro.

"Eu sabia que a única coisa que realmente pode desafiar o crime para chamar a atenção das crianças é o futebol. Nem sempre funciona. Pessoas ainda estão caindo na rede do crime. Não é um processo da noite para o dia", explicou o ex-presidiário.

Atualmente, o Hackney Wick FC possui cerca de 170 crianças e adolescentes em times masculinos e femininos, das categorias de base até o profissional. O clube contou com doações e ajuda da subprefeitura para viabilizar o projeto. Os atletas não são remunerados e recebem apenas uma ajuda de custo.

Mas não é somente nas ações sociais que o Hackney tem motivos para comemorar. Em apenas quatro anos, o clube já conta com momentos marcantes em campo. O time, que disputa o equivalente à 10ª divisão do futebol inglês, participou duas vezes da fase preliminar da Copa da Inglaterra e nesta temporada, inclusive, conseguiu a sua primeira vitória na competição ao bater o Eastbourne por 2 a 0.

As vitórias, no entanto, não são o principal objetivo do Hackney. Em campo, a equipe busca apresentar uma nova perspectiva para os jovens da comunidade.

"Temos a ambição coletiva de representar o nosso bairro positivamente. Temos muitas pessoas jogando por nós. Quando eles estão aqui, podemos passar a nossa mensagem", destacou Bobby Kasanga.

Em dezembro do ano passado, Bobby Kasanga teve o trabalho reconhecido ao ganhar o prêmio Pride of Sport (Orgulho do Esporte, em inglês) em um evento organizado pelo jornal Daily Mirror e o Sport England, um órgão público da Inglaterra.

"O futebol é um unificador", disse Kasanga ao receber o prêmio. "Você pode ser o maior e mais malvado gangster do mundo, mas assim que você vê uma bola de futebol, você se sente como uma criança novamente e quer jogar."

Em meio a tantos problemas no bairro de Hackney, o futebol venceu.

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