Há 57 anos, o Santos era Brasil e vencia a Alemanha

Fábio Lázaro
LANCE!


Que ao longo da história o Santos cedeu diversos jogadores para a Seleção Brasileira não é segredo para ninguém. Mas, você sabia que no dia 5 de maio de 1963 o Peixe praticamente foi o Brasil na vitória em um confronto amistoso diante da Alemanha?

O Alvinegro Praiano ainda não havia conquistado a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes daquele ano, o que viria acontecer em setembro e novembro, respectivamente, mas já havia disputado três competições e vencido duas (Taça Brasil, reconhecida atualmente como Campeonato Brasileiro, e Rio-São Paulo).

Mesmo à exaustão, os atletas santistas foram convocados para uma excursão fora dos planos com a Seleção Brasileira, entre abril e maio, como conta o jornalista e pesquisador Odir Cunha, do Centro de Memória do Santos FC.

– Com o prestígio de bicampeão mundial a defender – título conquistado dez meses antes, no Chile – o Brasil partiu para uma pouco planejada excursão pela Europa em abril de 1963. Os jogadores do Santos já tinham conquistado dois títulos naquele início de temporada e, naturalmente, estavam exaustos. Mas o técnico Aymoré Moreira, mesmo assim, convocou quase todo o esquadrão santista para a viagem – pontuou.

Se no ano anterior o treinador da Seleção Brasileira contou com sete atletas do Peixe, naquela ocasião nove haviam sido convocados, sendo que apenas Lima e Dorval não estiveram no bi mundial.

No amistoso em questão, oito dos nove santistas relacionados iniciaram como titular, ficando de fora apenas Mauro, contundido.









O jogo

Era a primeira das 23 vezes que Brasil e Alemanha se enfrentavam. O país europeu ainda estava sob a alcunha de Ocidental, devido a divisão entre o grupo composto por Estados Unidos, Reino Unido e França (que administrava tal parte alemã) e o lado Oriental, cujo a gestão era da União Soviética (URRS). A reunificação aconteceu em outubro de 1990, 27 anos mais tarde.

O confronto foi disputado no Volksparkstadion, na cidade de Hamburgo. O Brasil vinha de derrotas para Bélgica, Holanda e Portugal e enfrentava os alemães, campeões do mundo nove anos antes, em 1954, sob o comando do mesmo Sepp Herberger, treinador dos germânicos naquela partida – mas, que veio a renunciar o cargo menos de um ano depois, meses antes dos Jogos Olímpicos de 1964, onde a Alemanha Ocidental foi medalhista de bronze no futebol.

Os brasileiros foram escalados por Aymoré Moreira com apenas três “intrusos” entre os santistas, os zagueiros Eduardo, do Corinthians, e Roberto Dias, do São Paulo, além do lateral-esquerdo Rildo, do Botafogo. Portanto, o esquadrão nacional foi a campo com: Gylmar; Roberto Dias, Eduardo, Lima, Rildo e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

A Alemanha saiu na frente aos 43 minutos do primeiro tempo, após Werner converter um pênalti cometido por Zito. Contudo, a dupla de ataque mais perfeita da história do futebol, Coutinho e Pelé, em apenas dois minutos resolveu a partida e garantiu a virada ao Brasil. Aos 25 minutos da etapa final, após tabela entre o Rei e o Gênio da Área, Coutinho deu um corte seco no defensor alemão e empatou o jogo. Já aos 27 do segundo tempo, Pelé recebeu lançamento de Mengálvio e de fora da área fuzilou para o gol de perna esquerda.

Três anos depois, em 1966, a seleção canarinho não teve a mesma sorte. Já sob o comando de Vicente Feola, foi eliminada na primeira fase da Copa do Mundo, enquanto a Alemanha Ocidental foi vice-campeã, perdendo para a Inglaterra, dona da casa.

Dos atletas do Peixe que estiveram em Hamburgo, naquele 5 de maio de 1963, apenas quatro embarcaram em solo britânico para a disputa do Mundial: Gylmar, Lima, Zito e Pelé. O zagueiro Orlando e o atacante Edu não estiveram no amistoso contra os alemães, mas disputaram a Copa como atletas do Santos Futebol Clube.













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