Filho de ex-Palmeiras, Gustavo Assunção deixa Atlético de Madrid e vira destaque em Portugal

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Gustavo Assunção. (Foto: Reprodução/Twitter)
Gustavo Assunção. (Foto: Reprodução/Twitter)

Por Marcus Alves, de Lisboa (@_marcus_alves)

Com carteira de motorista recém-tirada, Gustavo Assunção pula cedo da cama todas as manhãs, arruma mochila e pega o carro. Sozinho, ele dirige diariamente entre a sua casa em Vila Nova de Gaia, na região metropolitana do Porto, até Vila Nova de Famalicão. O percurso dura mais ou menos meia hora, embalado sempre pelo pagode no rádio. Até o fim da última temporada, a promessa do Famalicão, uma das novidades da Liga Portuguesa, morava em Madri.

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“Mas estou gostando bastante daqui. Agora tem a praia logo ao lado”, conta o volante, aos risos, ao Yahoo Esportes.

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Gustavo Assunção é filho de Paulo Assunção, ex-jogador de Palmeiras, Porto e Atlético de Madrid. Aos 19 anos, ele repete os passos do pai no meio-campo e tem se destacado. Em seu primeiro desafio jogando como titular entre os profissionais, deixou excelente impressão até aqui.

No último fim de semana, em viagem até a ilha dos Açores para enfrentar o Santa Clara, não se acanhou diante do deslocamento sempre complicado e, mesmo novo, ditou o ritmo do Famalicão para garantir a vitória de 2 a 0, na abertura do campeonato, fora de casa. Foi o suficiente para assegurar um espaço na seleção da rodada.

Depois de fazer toda a base no Atlético de Madrid, Gustavo abandonou o clube após o fim de seu contrato e protagonizou uma situação no mínimo inusitada.

Acostumado a seguir o seu pai, ele nasceu em São Paulo, se mudou para o Porto e depois foi parar em Madri. Agora, foi a sua vez de arrastar toda a família da capital espanhola para viver ao seu lado em Gaia. O seu dinheiro continua sendo controlado por ela, mas, dentro de campo, dá cada vez mais mostras de estar pronto para construir nome próprio.

“O pessoal sempre fala que o Gu me lembra na marcação, mas o passe dele é melhor, se sobressai mais na chegada (à área adversária)”, afirma Paulo Assunção.

“O Famalicão tem só menino novo. É um projeto muito promissor. Ele está fazendo a vidinha dele, é um homem feito, está no caminho. Tem aproveitado as oportunidades que surgem, levando a sério, se desenvolvendo”, prossegue.

Parte disso se deve à experiência de ter treinado no time principal do Atlético de Madrid. Com o argentino Diego Simeone em sua cola, ele chegou a ser convocado, inclusive, para jogo contra o Celta de Vigo na última temporada, mas não saiu do banco de reservas.

Gustavo Assunção. (Foto: Reprodução/Instagram)
Gustavo Assunção. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Teve um discurso do Simeone que me marcou bastante. Ele costuma dizer que temos que viver o dia a dia. Não podemos ficar jogando hoje pensando no que irá acontecer amanhã. Se o treino é hoje, desfrute como se fosse o seu último treino. Quando chega a partida, deixe tudo em campo da mesma forma”, descreve Gustavo.

“Diego Costa, Filipe (Luis), Koke, Saúl (Ñíguez) e Juanfran foram pessoas que me ajudaram demais (nessa transição). Eu tinha 16 para 17 anos quando comecei a treinar com eles, então, imagina como era para mim. Foram todos companheiros do meu pai. Sempre me deram conselhos. Mais do que isso, eram exemplos que eu tinha de seguir”, acrescenta.

“Eu era uma criança que ia treinar no meio desses caras, atletas de primeiro nível, reconhecidos mundialmente, e ficava espantado. Se eles, que já chegaram ao auge, trabalham igual ou mais do que eu, tenho que correr ainda mais”, completa.

Com cidadanias brasileira, espanhola e portuguesa, o camisa 12 do Famalicão se encontra no radar da CBF e chegou a treinar com a seleção sub-17 em 2016. Ele tenta não se ligar muito nisso, ainda assim: prefere que seu pai e o seu representante Jorge Mendes, que cuida da carreira de Cristiano Ronaldo, José Mourinho e companhia, assumam esses assuntos.

“O Jorge sempre me liga, gosta muito do Gu, é um amigo. Foi o responsável pela minha ida ao Atlético (de Madrid). Deixei na mão dele para cuidar do Gu, um acordo de palavra. Eu comento com meu filho: ele vai te ajudar, é o melhor do mundo no que faz, mas você tem que corresponder também”, afirma Paulo Assunção.

Com esse respaldo, Gustavo se concentra apenas em seu futebol e faz até o papel de tradutor na rotina do Famalicão.

“Teve mais gente que veio do Valencia, Atlético e outros clubes e eu dou uma força no idioma”, ri.

Em uma equipe que veio da segunda divisão local e tem sido apontada como possível surpresa, o garoto sorridente, humilde e que troca uma palavra ou outra do português para o espanhol fará de tudo para seguir embalando seus sonhos nos trajetos matinais entre Gaia e Famalicão nesta temporada.

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