Conhecido por fair play na infância, Guilherme Murray é promessa do Brasil na esgrima

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Guilherme Murray é uma das principais promessas da esgrima no Brasil (Foto: CBEsgrima)
Guilherme Murray é uma das principais promessas da esgrima no Brasil (Foto: CBEsgrima)

O Brasil é conhecido no exterior por suas belezas naturais e forte cultura, porém também é lembrado por um motivo negativo que parece ser uma filosofia de vida, o “Jeitinho Brasileiro” no qual os habitantes deste país, independente de origem, gênero, classe social ou corrente política buscam desde pequenas vantagens até os mais perversos atos de corrupção para “vencer na vida.”

Uma ruptura nessa narrativa se deu em 2014. então com 12 anos, o esgrimista Guilherme Murray, durante o Campeonato Pan-americano infantil em Aruba, apontou ao árbitro que recebera um ponto que não lhe pertencia, tivesse deixado como estava seguiria adiante, porém foi eliminado nas oitavas de final. O ato de fair play chamou atenção da mídia nacional. Dois anos depois recebeu o Diploma Mundial de Fair Play na categoria juvenil pela International Fair Play Committee, instituição ligada ao Comitê Olímpico Internacional.

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Hoje aos 19 anos, Murray é apontado como um dos prospectos da modalidade de movimentos plásticos e rica história que pode ser considerada uma forma de arte. O espadachim é filho do advogado Dr. Alberto Murray Neto, conhecido pela defesa da ética no meio esportivo, e neto do lendário Major Sylvio de Magalhães Padilha, um dos mais distintos dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Em entrevista ao Yahoo Brasil, Guilherme Murray, hoje com 19 anos, fala do dia que optou pelo fair play, a repercussão em sua vida, sua jornada na esgrima, os treinos no Club Athletico Paulistano (CAP) e expectativas dentro de um esporte que mesmo tido como elitizado sofre com falta de investimentos de entidades públicas e privadas.

Yahoo: Em 2014, aos 12 anos, você mostrou fair play ao apontar para o árbitro da competição que havia recebido um ponto indevidamente, o qual o levaria adiante no Campeonato Pan-americano Infantil em Aruba. Como observa aquele momento hoje?

Guilherme Murray: Ainda sinto que fiz a coisa certa. Mas também acho que não fiz algo de extraordinário, é um comportamento comum no esporte de fazer a coisa certa, vemos muitos exemplos de fair play acontecendo em eventos esportivos, até naqueles que valem muito mais que uma medalha num campeonato infantil de esgrima.

Foi algo que chamou a atenção da imprensa no país. Você estava preparado para aquilo? Como lidou?

Confesso que não estava preparado, não imaginava que o que eu fiz fosse repercutir de alguma forma. Na época, por ainda ser muito novo e uma criança bastante tímida, eu muitas vezes sentia vergonha de falar do assunto e sempre que me perguntavam sobre o mesmo eu dizia que não tinha feito nada de mais, que o que tinha acontecido era uma situação comum no esporte.

Como se deu seu início na esgrima? Já praticou ou cogitou outras modalidades?

Em 2010, depois de ver a esgrima num programa de televisão, me interessei e disse pros meus pais que queria praticar, não imaginava que seria possível, pois não fazia ideia de onde haviam academias ou clubes de esgrima, por sorte mais tarde descobri o (Club Athletico) Paulistano, do qual sou sócio desde que nasci, tinha uma das melhores e mais competitivas salas do Brasil.

Antes de entrar pra esgrima, fiz alguns esportes na escola e tentei outras modalidades no Paulistano. Passei pelo judô, natação, tênis e futebol, entretanto nunca cheguei a competir.

Você vem de uma família tradicional nos esportes. Como esta origem influencia sua vida? Sente alguma pressão?

Desde pequeno eu ouço coisas sobre olimpismo e do mundo esportivo, acho que sempre tive algo que me empurrava pra esse mundo, hoje em dia sinto que o esporte e tudo que aprendi a respeito dele ao longo dos anos são grandes responsáveis pela formação do meu caráter e pela forma que me comporto hoje. Não sinto pressão, mas sinto vontade de ver até onde eu consigo chegar no esporte, o importante é que isso seja algo que venha de dentro, não que seja imposto por algum fator externo.

Com os resultados obtidos é possível vê-lo como um dos nomes em ascensão no esporte. Como trabalha a questão de metas?

Trabalho sempre pensando na próxima competição, sempre tentando melhorar no que eu consigo. Minha meta é sempre tentar manter um bom nível de treino e buscar melhorar meus resultados, nem que demore um tempo para os resultados acontecerem.

Seus treinamentos se dão no Club Athletico Paulistano. Como é trabalhar com esta equipe e sua estrutura?

É muito bom. A equipe inteira se dá muito bem, a sala d’armas do Paulistano é com certeza uma das melhores do Brasil, o trabalho que é feito pelo conjunto dos técnicos, preparador físico e fisioterapeuta, é de alto nível e tem grande participação nas medalhas de todos os atletas do CAP.

Qual é a posição atual do Brasil em relação à esgrima mundial? O que falta para se tornar uma potência?

Acho que o Brasil vem crescendo na esgrima mundial, a cada competição que a equipe participa lá fora, os resultados melhoram. O que prejudica um pouco o desenvolvimento da esgrima brasileira é a falta de investimento no esporte em geral, também o fato de grande parte das competições acontecerem na Europa, o que deixa o custo de uma viagem ou de um estágio de treinamento bem elevados.

Um dos temas debatidos recentemente é a saúde mental dos atletas. Quais são as suas observações sobre este assunto?

Acho que é um assunto muito importante, a preparação mental dos atletas é tão importante quanto os treinos. Muitas vezes os fatores psicológicos podem comprometer o desempenho de um atleta nos treinos e nas competições, por isso a saúde mental deve ser levada a sério no ambiente esportivo.

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