Em noite histórica na Venezuela, Chape estreia na Libertadores com vitória

Maracaibo (Venezuela), 7 mar (EFE).- Quase 100 dias depois da tragédia que vitimou 71 pessoas, entre elas 19 jogadores e o técnico Caio Junior, a Chapecoense escreveu mais um capítulo em sua história nesta terça-feira ao estrear na Taça Libertadores com uma vitória sobre o Zulia, da Venezuela, por 2 a 1 fora de casa.

Com uma equipe montada praticamente do zero, a Chape entrou em campo no estádio José Pachencho Romero, em Maracaibo apenas 98 dias após o acidente com o voo da LaMía na Colômbia, demonstrou bom futebol e muita garra e venceu graças aos gols de Reinaldo e Luiz Antônio. O experiente Arango descontou para o time venezuelano.

Após duas bonitas campanhas na Copa Sul-Americana, entre elas a do título do ano passado, o time de Chapecó quer agora ir longe também na principal competição da Conmebol logo em sua primeira participação.

O próximo compromisso pelo grupo 7 será enfrentar o Lanús, na Arena Condá, na quinta-feira da semana que vem. Em seguida, no dia 18 de abril, também em Santa Catarina, o adversário será o Nacional do Uruguai.

O Verdão do Oeste disputa a Libertadores com um elenco reconstruído, a partir de mapeamento do mercado para contratações, alguns jogadores emprestados, incluindo os que chegaram por ofertas solidárias e também a ascensão de alguns jovens das divisões de base.

A equipe inscreveu atletas experientes, como o goleiro Artur Moraes e o atacante Wellington Paulista, que foram titulares. Entretanto, os destaques são o zagueiro Neto e o lateral-esquerdo Alan Ruschel.

Os dois jogadores sobreviventes da tragédia aérea - o terceiro foi o goleiro Follmann, que teve perna amputada e encerrou a carreira -, constam na lista entregue pelo clube à Conmebol. Porém, ambos os defensores ainda estão em fase de recuperação e não viajaram para a Venezuela.

No Zulia, que também faz sua primeira participação na Libertadores, o jogador mais conhecido é o meia Arango, que defendeu o Borussia Mönchengladbach e estava no New York Red Bulls. O também meia Orozco é outro que teve certo destaque internacional e defendeu a seleção venezuelana.

Foi justamente Arango o primeiro a levar perigo na partida, logo aos seis minutos do primeiro tempo. Nathan cometeu falta quase dentro da área, e o veterano meio-campista bateu buscando o ângulo, mas encobriu o alvo.

As duas primeiras tentativas da Chape aconteceram aos 11 minutos, em chutes de fora da área, primeiro com Luiz Antônio e depois com Reinaldo, mas os dois viram a bola sair pela linha de fundo. Na sequência, aos 16, Niltinho acelerou e só parou ao receber o tranco na área, mas o árbitro considerou que não houve irregularidade na jogada.

Mesmo fora de casa e ainda demonstrando certo desentrosamento, a Chapecoense atacava mais e esteve muito perto de abrir o placar aos 18. Reinaldo cobrou lateral diretamente para a área, Andrei Girotto cabeceou para o chão e o goleiro Vega operou um milagre, evitando que a bola entrasse.

Jogando mais avançado que de costume, o volante Luiz Antônio aparecia bastante, mas pecava pela afobação. Aos 24, ele tentou um chute de longe pela terceira vez até então e novamente cedeu tiro de meta.

Tamanha era a insistência que a equipe catarinense conseguiu o gol aos 32 minutos. Niltinho sofreu falta, Reinaldo fez a cobrança e, mesmo sem ângulo, colocou efeito e surpreendeu Vega para balançar a rede e fazer história.

Depois de ter ficado em desvantagem, o Zulia passou a ter ainda maior posse de bola, mas o domínio não se transformava em chances de gol porque a defesa da Chape estava bem postada. Aos 44, Arango buscou a tabela com Orozco, já dentro da área, mas Douglas Grolli, atento, fez o corte.

Logo no começo da segunda etapa, aos quatro minutos, o próprio Orozco tentou surpreender com um chute de longe. Mas Arthur Moraes também estava ligado e acompanhou a bola passando por cima do gol.

O Zulia passou a ser mais efetivo em suas investidas, mas ainda cometia erros de execução. Aos 12, Plazas lançou do campo de defesa, Grolli vacilou e Arango recolheu, mas falhou no passe, mesmo com Savarino e Unrein livres.

Passado o sufoco do primeiro terço, a atual campeã da Copa Sul-Americana voltou a se soltar até chegar ao segundo gol, aos 23 minutos. João Pedro tocou no meio para Luiz Antônio, que arriscou de longe e acertou o canto para ampliar.

Faltava experiência, e o time brasileiro não segurava a bola no ataque. O castigo veio aos 32, quando, após o escanteio, Zambrano cabeceou, Arango apareceu por trás de Nathan e completou para diminuir.

Se a Chape precisava de alguém para segurar o jogo no campo ofensivo, esse jogador entrou para disputar os dez últimos minutos. Apodi substituiu Arthur e incomodou duas vezes em sequência. Aos 38, cabeceou a centímetros do alvo; aos 40, Reinaldo progrediu e serviu o lateral-direito, que emendou de primeira e carimbou a trave.

Quando o esperado era um sufoco dos donos da casa, o que se viu foram os visitantes criando e criando, mas a bola não entrou, e o placar ficou em 2 a 1. Aos 43, Reinaldo levantou outra para Apodi, que agora ajeitou. Wellington Paulista arrematou sem força e desperdiçou a oportunidade.


Ficha técnica:.

Zulia: Vega; Godoy (Zambrano), Kambou, Plazas e Notaroberto; Gómez (Alvarado) e Moreno; Savarino, Orozco e Arango; Unrein. Técnico: Daniel Farías.

Chapecoense: Artur Moraes; João Pedro, Douglas Grolli, Nathan e Reinaldo; Moisés Ribeiro (Luiz Otávio), Andrei Girotto e Luiz Antônio; Niltinho (Osman), Arthur (Apodi) e Wellington Paulista. Técnico: Vágner Mancini.

Árbitro: Omar Ponce (Equador), que será auxiliado pelos compatriotas Luis Vera e Juan Macías.

Cartões amarelos: Kambou, Arango e Zambrano (Zulia).

Gols: Arango (Zulia); Reinaldo e Luiz Antônio (Chapecoense).

Estádio: José Pachencho Romero, em Maracaibo (Venezuela).

dr/rd