Guardiola e as promessas não cumpridas no Manchester City

Por Corentin DAUTREPPE
O técnico do Manchester City, Pep Guardiola, em Burnley, no dia 26 de novembro de 2016

Nunca eliminado antes das semifinais na Liga dos Campeões, o espanhol Pep Guardiola viu o Manchester City cair para o Monaco, na quarta-feira, e complicar ainda mais a primeira temporada na Inglaterra.

Depois de vencer em casa por 5 a 3, os ingleses foram até o Principado para garantir a vaga nas quartas, mas a equipe francesa foi muito superior e garantiu a classificação, vencendo por 3 a 1.

A magia de Guardiola começa a ser questionada na terra da Rainha e o treinador, vencedor da Champions em 2009 e 2011, com o Barcelona, e semifinalista em 2010, 2012 - também os catalães - e 2014 e 2016, com o Bayern de Munique, nunca tinha sofrido um fracasso europeu.

A chegada à Manchester tinha como objetivo levar o time ao topo do continente. O melhor resultado dos Citizens foi alcançar as semifinais na temporada passada. Garantia de uma filosofia de jogo atrativo e com um enorme hall de conquistas, o poder de sedução de Guardiola atraiu o interesse de City.

Mas o time acordou nesta quinta-feira fora da maior competição de clubes da Europa e terceiro colocado da Premier League, a dez pontos do líder Chelsea. Os Citizens tem na FA Cup a chance mais real de título nesta temporada, mas precisa superar o Arsenal nas semifinais antes de pensar em conquistas.

Guardiola não tem todos os poderes, sobretudo quando os jogadores da equipe se machucam. Desde a chegada do espanhol na Inglaterra, peças importantes como o alemão Ilkay Gundongan, o brasileiro Gabriel Jesus e o capitão Vincent Kompany desfalcaram o time.

- O grande problema -

A imprensa inglesa aponta a defesa como o grande problema da equipe. O ex-jogador Rio Ferdinand, agora comentarista de TV, definiu como patético o gol sofrido por Tiémoué Bakayoko, que fez o 3 a 1 que classificou o Monaco.

"Não tem ninguém que mande dentro da área, que guie os outros e diga onde cada um tem que estar", acrescentou antigo zagueiro do rival Manchester United.

Quando Guardiola chegou, o espanhol decidiu apostar em John Stones e contratou o zagueiro do Everton por 55 milhões de euros. Com grande técnica para sair com a bola no pé, o agora mais caro zagueiro da história não ofereceu garantias na proteção e foi muito criticado.

"Falta tempo", respondeu Guardiola sobre a implantação de seu sistema de jogo no norte da Inglaterra. Descartado da luta pelo título, o City vai precisar investir no mercado de transferências para tentar rivalizar com o Chelsea na próxima temporada.

No meio da batalha de técnicos prestigiados na Premier League, que conta com o português José Mourinho (Manchester United), o alemão Jürgen Klopp (Liverpool), o argentino Mauricio Pochettino (Tottenham), o francês Arsène Wenger (Arsenal) e o italiano Antonio Conte (Chelsea). Parece que o último soube jogar melhor as cartas.